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	<title>Papo de Gordo &#187; crônica</title>
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		<title>Papo de Gordo &#187; crônica</title>
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		<title>BBB GGG</title>
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		<pubDate>Wed, 18 Jan 2012 23:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Como seria um Big Brother Brasil especial para gordinhos e gordinhas?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p>Ontem, a <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2012/01/11/as-gordinhas-yeah-yeah-do-bbb12-big-brother-brasil/" target="_blank">gordinha yeah yeah <strong>Analice</strong></a> foi eliminada do <em>Big Brother Brasil</em>. Foi a primeira vez que uma representante dos orgulhosos adiposos saiu na primeira semana do programa. Não é que tenhamos lá muitos representantes dos fofinhos no BBB (apenas cinco ou seis em doze edições, se não me falha a memória), o que só complica a estatística.</p>
<p>Considerando que é óbvio que jamais teremos um Big Brother só com gordinhos, nada impede que o <strong>Papo de Gordo</strong> um dia se torne uma megapotência midiática e crie seu próprio <em>reality show plus size</em>. Pensando bem, é mais provável ter um Big Brother só com anões vesgos ruivos patrocinado pelo <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/10/05/ph-santos-o-vlogger-mais-lindo-da-cidade/" target="_blank">PH Santos</a>, mas vamos ser otimistas e imaginar como seria o <strong>BBB GGG</strong>&#8230;</p>
<p><a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2012/01/18/humor-big-brother-brasil-tamanho-ggg-gordinhos-analice/bbbggg/" rel="attachment wp-att-26078"><img class="aligncenter size-full wp-image-26078" title="BBB GGG" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/bbbggg.jpg" alt="" width="600" height="297" /></a></p>
<p>Pra começar, a casa até poderia ser no mesmo padrão da atual, mas sem escadas. Definitivamente, sem escadas. Para chegar ao segundo andar, teríamos elevadores, por exemplo. Pensando bem, melhor nem ter segundo andar. De resto, não tem muito o que mexer, talvez apenas colocar umas camas mais reforçadas (vai que um casal de gordinhos resolve partir pro vuco-vuco?) e uma cozinha mais ampla, com duas geladeiras bem servidas.</p>
<p>Se do lado de dentro tudo está OK, o quintal da casa teria que sofrer mudanças radicais. A academia vai embora, naturalmente. Seria substituída por uma lanchonete fast-food de autosserviço. Um ou dois patrocinadores resolveriam essa situação com facilidade. Claro que seria bom ter um horário limite de uso, ou algum participante fatalmente ficaria deitado embaixo da máquina de sorvete jogando um mix de creme e chocolate garganta abaixo o dia todo. Não que tenha algum problema com isso&#8230;</p>
<p>A piscina é bem-vinda, claro, mas teria que ser quentinha. Nada deixa um gordinho mais feliz que ficar cozinhando dentro de uma piscininha térmica. Se tiver um bar molhado recheado de guloseimas, melhor ainda. Claro que daria um tanto de trabalho ficar catando migalha de sanduíche da água, mas isso pode ser uma prova de líder, quem sabe?</p>
<p>Por falar em prova do lider, poderíamos ter concursos de comer cachorro-quente ou lançamento de pizzas à distância (um concorrente jogaria um disco de calabresa ou marguerita para outro e o primeiro que não resistisse e comesse, perdia; seria uma prova bem rápida). O novo líder ganharia um quarto especial, mas, aos invés de poder ver um filminho muquirana, teria direito a um jantar especial feito pelos melhores chefs do país.</p>
<p>Quanto à disputa, nem precisaria ter paredão com voto do público. Com tanta comida nada saudável disponível, cada ataque cardíaco ou crise coronária certamente eliminaria um participante por semana. Quem sobrevivesse até o final, ganharia um milhão de reais em ticket alimentação.</p>
<p>O mais importante, porém, não seria a comilança desenfreada nem a&#8230; bom, só tem comilança desenfreada. O que motivaria as pessoas a se inscreverem seria a regra que garante o direito de dar uma barrigada no Pedro Bial sempre que ele começar com um discurso poético-filosófico. O único pré-requisito, claro, é usar filtro solar.</p>
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		<title>Um clichê de Ano Novo</title>
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		<pubDate>Wed, 28 Dec 2011 23:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<category><![CDATA[Humor]]></category>
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		<description><![CDATA[Confira o relato assustador do réveillon do fantasma dos Natais futuros (sim, isso mesmo).]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/clichedeanonovo.jpg" alt="" title="Um clichê de Ano Novo" width="300" height="300" class="alignright size-full wp-image-25512" />Eu não tenho nome. Se quiser, pode me chamar de fantasma dos Natais futuros. Normalmente, eu apareço para alguma pessoa em 24 de dezembro, a levo para o futuro e mostro seu sepultamento, onde não há ninguém. É o passo final para que essa pessoa perceba como é desprezível e volte a gostar do Natal. Ou só fique deprimida, isso não é ciência exata. Só que, esse ano, <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/17/cronica-um-cliche-de-natal-parte-1/" target="_blank">o homem que eu deveria buscar sumiu</a>, assim como meus colegas fantasmas do passado e do presente. E ninguém me avisou nada!</p>
<p>Eu fiquei tão p#%*, mas tão p#%*, que resolvi jogar tudo pro alto! Sabe&#8230; Estou nesse trabalho desde 1843. Tenho que me vestir com um capuz preto e fazer o estio caladão. Isso é muito chato! Fora a dificuldade de manter meu peso esquelético, obrigatório para a função. É horrível passar todo Natal sem poder comer uma rabanadinha sequer e ainda pensarem que estou fazendo <em>cosplay</em> da Dona Morte.</p>
<p>Já que eu ainda estava no mundo dos vivos e já tinha mesmo perdido o Natal, resolvi ficar mais uns dias para aproveitar o Ano Novo. Se não dava mais tempo de comer rabanada e peru, pelo menos eu me fartaria com porco e champanhe. Com meus poderes, viajei no tempo para alguns dias no futuro e apareci no Cemitério do Caju no dia 31 de dezembro. Eu até preferia já cair em Copacabana, mas só consigo aparecer em cemitérios, fazer o quê?</p>
<p>Tive um pouco de trabalho para conseguir um táxi. Talvez fossem minhas vestimentas de cavaleiro do apocalipse, não sei ao certo. Depois de algumas horas, um taxista finalmente parou. Pedi para ser levado para Copacabana e obtive como resposta um sorriso bem feliz. O rapaz me explicou que seria um tanto complicado chegar à praia no dia do réveillon, mas que ele poderia fazer isso por duzentos reais. Para resolver a questão financeira, o levei para seu sepultamento no futuro, onde ele estava sozinho por ser tão avarento. Quando voltamos, o moço ficou tão deprimido que acabou abandonando o táxi e saiu correndo e chorando por aí. Perdi minha carona.</p>
<p>Resolvi ir a pé até a estação de metrô mais próxima. Uma hora de caminhada, uma catraca pulada (não tem bolso nessa minha roupa sinistra) e algumas pessoas perguntando se não estava meio cedo para o Carnaval. Levei cada uma delas para seu sepultamento no futuro, onde não havia ninguém, já que ninguém gosta de chatos metidos a piadistas. Povo meio solitário&#8230; mas isso não vem ao caso. O ponto é que finalmente cheguei em Copacabana para ver os fogos. Aquilo estava muito cheio de gente. Tentei arrumar um cantinho na praia, mas nem conseguia ver a areia. Na verdade, tive a sensação de que, se levantasse as pernas, não cairia de tão apertado que aquilo estava.</p>
<p>Ainda estava um tanto cedo para os fogos, mas uns shows estavam acontecendo por lá. Achei bastante interessante e resolvi curtir a música. Pena que eu não ouvia absolutamente nada no meio daquela confusão. Decidi, então, abrir caminho em meio à multidão e ir para uma festinha num daqueles apartamentos da orla. Não conhecia ninguém, mas isso não seria empecilho para mim. Foi só levar o porteiro de um prédio para seu sepultamento no futuro, onde ele viu que não havia ninguém porque ele havia fugido da esposa e dos vinte e sete filhos que ficaram no Sertão e ninguém sabia onde ele estava. Na volta, ele disse que ia pegar o primeiro ônibus de volta para sua terra e largou o portão aberto.</p>
<p>Escolhi aleatoriamente um apartamento que me parecia bem animado. Bati à porta e fui recepcionado por uma cinquentona com cabelos pintados de louro e uma maquiagem tão pesada que parecia que ela passava o reboco sobre a pintura anterior para economizar na tinta. Ela achou meu visual meio estranho, mas estava tão bâbada que me deixou entrar. Na verdade, todos os convidados que se acotovelavam no apartamento estavam com champanhe até o talo. Como não sou de julgar os outros (a não ser aqueles cujo sepultamento blablabla), fui me servir de lentilha.</p>
<p>Só que desisti da festa em pouco tempo. Além do champanhe ser paraguaio, praticamente não tinha comida. Uns gordinhos que estavam no canto já haviam acabado com tudo o que havia de sólido para se comer. Cheguei a visitar outros dois apartamentos, mas a semelhança era incrível. Minha esperança era encontrar alguma comida sobrando àquela altura, mas acho que existe um acordo de cavalheiros para dividirem os gordinhos em partes iguais pelas festas e só restava ficar bêbado. Como queria passar meu primeiro réveillon sóbrio para lembrar de tudo depois, voltei à praia para ver os fogos.</p>
<p>Nessa hora que gastei no prédio, o número de pessoas na rua parecia ter triplicado. Comecei a empurrar todo mundo para chegar à areia, mas estava complicado. Cheguei no máximo à pista de bicicletas do calçadão, mas não conseguia ver nada direito porque um maluco com um rastafari gigante parou na minha frente e não saía de jeito nenhum. Resolvi levá-lo para seu sepultamento no futuro, onde não havia ninguém porque o cara, afinal, era maluco, e ele voltou à sanidade e sentou para chorar. Maravilha, consegui ver os fogos. Quer dizer, conseguiria, se não houvesse uma nuvem de fumaça na frente deles.</p>
<p>Com fome e decepcionado por não ter visto o prometido espetáculo, resolvi fazer uma última coisa para poder curtir pelo menos um pouquinho o réveillon: fui dar pulinhos na água. Não sei muito bem o sentido disso, mas eu quis fazer pelo menos uma coisa direito em minha primeira comemoração de Ano Novo. Só que, ao dar meu segundo salto, pisei no casco de uma garrafa quebrada de cachaça. Com a dor, tropecei e caí no meio de dezenas de macumbas. Desisti de tudo. Estava tão cansado, que acabei cochilando por lá mesmo. Ao acordar, haviam roubado minha roupa. Para manter um mínimo de dignidade, mudei para minha forma invisível e tropecei em alguns bêbados babando e pisei em um pouco de cocô de cachorro.</p>
<p>Esse foi meu primeiro réveillon. E o último! Definitiamente, prefiro ficar pelo resto da eternidade levando pessoas para sepultamentos onde não há ninguém do que encarar mais uma festa de Ano Novo. Por falar nisso, tenho algo para lhe mostrar&#8230; Por favor, me acompanhe.</p>
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		<title>Um clichê de Natal &#8211; parte 3 (de 3)</title>
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		<pubDate>Sat, 24 Dec 2011 17:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<description><![CDATA[O último capítulo da mais bizarra e insana saga de Natal jamais contada!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><em>Para (tentar) entender a história, leia o <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/17/cronica-um-cliche-de-natal-parte-1/" target="_blank">primeiro capítulo</a> e, depois, o <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/21/cronica-um-cliche-de-natal-parte-2/" target="_blank">segundo capítulo</a>.</em></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/clichedenatal3.jpg" alt="" title="Um clichê de Natal - parte 3 (de 3)" width="300" height="246" class="alignright size-full wp-image-25451" />Natal. Tempo de alegria. Época de celebrar a vida e ter esperança no futuro. O problema é que essa visão otimista não é compartalhida exatamente por aquele que deveria ser o símbolo dessa data festiva: Kris Kringle (ou, para quem nunca viu aqueles especiais de bonequinhos que ensinam o nome verdadeiro do cara, <strong>Papai Noel</strong>).</p>
<p>Dentro de uma enorme fábrica, cheia de elfos que cantam e saltitam alegres enquanto produzem brinquedos, há um pequeno escritório onde fica o outrora otimista Kris. Ele está jogado em sua cadeira com um sanduíche de bacon em uma mão e uma garrafa de cachaça pela metade na outra. Ele observa com ar pesaroso um globo sobre sua mesa com a miniatura de uma cidade no inverno. Está tão compenetrado em seu sofrimento que nem percebe quando uma gorda e um velho entram por sua porta.</p>
<p>- Sua hora chegou, Papai Noel!<br />
- Ei, fantasma, acho que ele nem notou que a gente está aqui.<br />
- Ele parece que está em outro mundo&#8230; Mas isso não importa! Mate ele, Escrúge!<br />
- OK. Eu mato o Papai Noel e você me deixa em paz, correto?<br />
- Isso. Agora, usa logo a arma que a gente roubou daquele elfo de segurança!<br />
- Tudo bem&#8230; Olha, seu Noel, não é nada pessoal. Eu nunca acreditei em você, mesmo.</p>
<p>No exato momento em que Rodolfo Escrúge apontou a arma na direção de Kris, entraram pela porta, esbaforidos, dois homens: um de pijama e outro com uma túnica romana bizarra.</p>
<p>- Pare! Não mate o Papai Noel!<br />
- O que você está fazendo aqui, fantasma do Natal presente?<br />
- Então é verdade&#8230; você estava usando esse humano para matar o senhor Kringle&#8230; Por quê, fantasma dos Natais passados?<br />
- Meus motivos não importam! Mate ele, Escrúge!</p>
<p>Assustado com toda aquela agitação, Roberto começava a duvidar que estava em um sonho. Na verdade, ele já começara a pensar sobre isso quando estava no Expresso Polar e derrubaram chocolate quente em seu colo. Aquele dor incomensurável só poderia ser um indicativo de que estava vivenciando a realidade. Mas isso não importava mais, ele estava diante de seu chefe malvado apontando uma arma na direção do Papai Noel.</p>
<p>- Senhor Escrúge! Nao mate o Papai Noel!<br />
- Essa gorda maluca disse que só ia me deixar em paz se eu matasse esse cara.<br />
- E esse cara doido só vai me deixar em paz se eu te impedir.<br />
- Se esse é o seu argumento, acho que vou continuar com meu plano original.<br />
- Não é só isso. Confesso que, num primeiro momento, meus motivos eram realmente egoístas. Afinal, minha vida era uma m&#038;%#@ e eu não conseguia ver nada de bom no mundo. Mas, aí, eu vi a alegria das crianças que estavam vindo em excursão no Expresso Polar só para ver o Papai Noel e entendi que esse é um momento de compartilhar e festejar. Não devemos nos deixar abater pelas dificuldades da vida e precisamos olhar o lado bom de tudo. Eu finalmente entendi o verdadeiro espírito do Natal. E é para não destruir a chance da humanidade ter esperança em um futuro de amor e paz que você não deve matar&#8230; Ei! podia pelo menos deixar eu termina de falar antes de atirar!<br />
- Seu discurso foi muito chato. Matei logo o cara pra você calar a bola.<br />
- NÃÃÃÃÃÃOOOOO&#8230;</p>
<p>O corpo de Papai Noel jazia no chão de seu escritório. Rodolfo Escrúge estava aliviado por finalmente ter cumprido sua parte no acordo. O fantasma dos Natais passados também cumprira sua missão, mas não estava muito contente com o que fez. Já Rodolfo e o fantasma do Natal presente, choravam com imenso pesar. Porém, todos direcionaram seus olhares para o corpo do Bom Velhinho, que emanava uma luz muito forte e flutuava de forma mágica. De repente, Papai Noel se moveu, o buraco da bala desapareceu, sua roupa se tornou branca e ele parecia estar mais gordo e contente do que antes.</p>
<p>Os quatro visitantes não entendiam o que estava acontecendo. Com um ar bondoso e compreensivo, Papai Noel deu sua clássica risada (&#8220;hohoho&#8221;, caso você não saiba) e olhou com carinho para os estupefatos fantasmas e humanos que estavam diante dele.</p>
<p>- Obrigado, meu filhos. Vocês ajudaram a salvar o Natal. Eu estava deprimido com os rumos que a humanidade vinha tomando e estava a um passo de desistir de tudo. Foi quando assisti Senhor dos Anéis e descobri que precisava passar por um processo de purificação para voltar a ser o verdadeiro símbolo que o Natal precisa. Sim, meus filhos, noto alguns olhares de dúvida. Vou explicar o que aconteceu. Fantasma do Natal passado, obrigado por ter confiado em mim quando eu lhe pedi para que encontrasse uma forma de me matar. Sabendo que só um humano poderia me ferir, você se demonstrou muito inteligente ao escolher e conduzir esse homem até meu escritório. Você tem um grande cérebro.<br />
- Que bom que o senhor voltou à vida. Por um momento, achei que nós havíamos lhe pedido para sempre.<br />
- Eu não posso morrer. Portanto, imaginei que, se um humano me ferisse de forma tão intensa quanto aconteceu, eu chegaria ao limiar da morte mas voltaria com o espírito fortalecido. Por isso também o agradeço, Rodolfo Escrúge. Sua maldade fez com que você fosse capaz de me matar sem dó, fazendo com que eu pudesse continuar minha missão de levar alegria e paz para o mundo. É uma pena que você deteste o Natal a ponto de ter se tornado vegetariano e querer acabar com as ceias tradicionais só porque, aos doze anos, ganhou uma bola ao invés da Barbie que havia me pedido. Porém, não foi culpa minha. Eu coloquei a boneca na árvore, mas seu pai trocou o presente quando viu o que era.<br />
- Então&#8230; Eu tive ódio do Natal por todos esses anos quando deveria odiar apenas o homofóbico do meu pai?<br />
- Isso mesmo. Mas você vai ter a chance de se redimir. Seu xará Rodolfo, a rena do nariz vermelho, nos abandonou para tentar virar ator de TV. Ele foi fazer um teste para se tornar galã na Globo há algumas semanas e nunca mais ouvimos falar nele. Você será, então, transformado magicamente em uma rena com nariz de lanterna e nos guiará nas noites escuras. Eu sei que você consegue. Você tem uma grande coragem.<br />
- Acho que voar por aí livre, leve e solto vai ser melhor do que ficar com um loja que só dá prejuízo. Tudo bem, então. Quanto à rena sumida, acho que tenho uma ideia de onde ele esteja, mas depois te falo pra não cortar o clima&#8230;<br />
- Fantasma do Natal presente, quase você estragou tudo, mas entendo suas boas intenções. Obrigado por ter sido um bom fantasma e tentar me proteger. Que bom que você não conseguiu, mas obrigado assim mesmo. Você tem um grande coração.<br />
- Obrigado, Papai Noel.<br />
- Quanto a você, Roberto, seu discurso foi cheio de clichês, mas foi bonito. Que bom que você descobriu o verdadeiro espírito do Natal. Creio que agora você deseja voltar para casa, certo?<br />
- Sim, mas eu não queria pegar aquele Expresso Polar de novo. As musiquinhas estavam me deixando doido!<br />
- Então receba de presente esses sapatinhos vermelhos. Coloque-os, bata com os calcanhares e você imediatamente estará em casa.<br />
- Ah! Agora eu saquei as referências!</p>
<p>O Natal foi salvo, Papai Noel renovou suas esperanças pela humanidade, as pessoas malvadas se redimiram, as pessoas boazinhas viveram felizes para sempre e por aí vai. Tudo acabou bem e a felicidade emana nessa data festiva. <strong>Feliz Natal para todos!</strong></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><em>Epílogo:</em></p>
<p>Meia-noite e meia. Papai Noel está distribuindo os presentes pelo mundo, enquanto os elfos têm sua merecida noite de sono após trabalharem tão duro em prol da felicidade das crianças. Um anjo sem asas invade o escritório de Kris Kringle na expectativa de obrigar um homem a receber sua ajuda, única forma dele ganhar suas asas. Sua decepção é gigantesca quando percebe que chegou tarde demais.</p>
<p>- Droga! Eu não devia ter pego aquela van polar pirata pra vir pro Polo Norte! Eu sabia que aquele retorno pela Groenlândia pra pegar uns pinguins ia acabar me atrasando! Mais um ano sem minhas asas&#8230; O jeito é esperar pelo meu décimo Natal ano que vem e ver se finalmente consigo ajudar alguém. Bom&#8230; Esse esforço todo me deu uma fome absurda. Acho que vou caçar mais uma rena por aqui pra fazer minha ceia. Aquela que eu encontrei no Rio estava tão deliciosa que quase comi até a cabeça, mas preferi jogar por uma janela qualquer porque dizem que comer cabeça de rena faz mal pra sanidade mental. Ei, estou falando sozinho de novo, que engraçado&#8230; Se eu não soubesse que sou normal ia acabar achando que estou ficando maluco. Melhor ir embora, então. Feliz Natal. Pra você também.</p>
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		<title>Um clichê de Natal &#8211; parte 2 (de 3)</title>
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		<pubDate>Wed, 21 Dec 2011 23:00:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma história de Natal como nenhuma outra jamais foi contada. E que nem deveria ser.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><em>Se ainda não leu o <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/17/cronica-um-cliche-de-natal-parte-1/" target="_blank">capítulo anterior</a>, confira-o imediatamente. Não que seja lá muito necessário&#8230;</em></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/clichedenatal2.jpg" alt="" title="Um clichê de Natal - parte 2 (de 3)" width="300" height="258" class="alignright size-full wp-image-25381" />Natal. Tempo de paz. Época de olhar para a família e sorrir pela dádiva de compartilhar seus momentos com pessoas que você ama. Pena que isso não seja uma realidade para Roberto da Silva, pobre trabalhador de um loja que vende produtos vegetarianos e que é humilhado constantemente por seu patrão, Rodolfo Escrúge.</p>
<p>Roberto estava deprimido. Nem mesmo a lembrança do sorriso inocente de seu filho, o Pequeno Tim, o alegrava. Pelo contrário: saber que não conseguia dinheiro suficiente para pagar os remédios do menino, que andava de muleta por conta de uma unha encravada hereditária, só deixava Roberto mais triste. Tão triste que ele resolveu se jogar da ponte Rio-Niterói.</p>
<p>- Não faça isso!<br />
- Quem é você?<br />
- Um&#8230; amigo. Não se jogue da ponte, por favor.<br />
- Cara, minha vida é uma m#$%@, não quero viver. E você não tem nada com isso. Nem sabe quem sou eu.<br />
- Você é o Roberto.<br />
- Como&#8230; Como você sabe meu nome?<br />
- Eu me chamo Azagrabezalezel, sou um anjo.<br />
- Hein?<br />
- Pode me chamar de Zezé, que fica mais fácil. Sou um anjo e vim te ajudar.<br />
- Se você é um anjo, cadê suas asas?<br />
- Aí que você entra, meu chapa. Eu tenho que convencê-lo de que a vida é boa e vou ganhar minhas asas.<br />
- Hein?<br />
- Então, você vem comigo? Ei, por que está andando de costas pra longe de mim?<br />
- Olha&#8230; Eu não tenho dinheiro&#8230; Fica calminho&#8230; Devagar&#8230; Socorro! Maluco!<br />
- Ei! Volta aqui! Para de correr! Cacete, não é nesse Natal que eu ganho a p*%%@ das minhas asas!</p>
<p>Depois de fugir desesperadamente daquele que considerou um mendigo maluco assassino psicopata, Roberto pegou o primeiro ônibus que apareceu e voltou para sua casa, no subúrbio beeeem distante. Como não queria correr o risco de ser novamente interrompido na tentativa de se jogar da ponte, resolveu que se mataria com gás quando a esposa fosse trabalhar e levasse o filho para a escola. Aí lembrou que era antevéspera de Natal e ninguém ia sair de casa. Ficou mais deprimido ainda.</p>
<p>Naquela noite, depois de engolir uns quatro comprimidos tarja preta para conseguir dormir, Roberto foi acordado por um estranho homem vestindo uma fantasia de senador romano. Ou algo do gênero. Achando que ainda estava dormindo, olhou para o lado e viu que sua esposa parecia estar congelada, como se o tempo tivesse parado.</p>
<p>- Roberto?<br />
- Hoje é o dia de malucos me chamarem pelo nome?<br />
- Você é Roberto da Silva, funcionário de Rodolfo Escrúge, correto?<br />
- Perai&#8230; O velho filho da mãe agora tá invadindo meus sonhos?<br />
- Eu sou o fantasma do Natal presente. Ele não apareceu no horário que eu devia pegá-lo.<br />
- Hein?<br />
- Ele foi levado pelo fantasma dos Natais passados, mas pelo cronograma já deveria ter voltado.<br />
- Hein?<br />
- Como eu o traria aqui para que ele visse seu filho aleijado e ficasse com peninha, resolvi me adiantar e mandei um torpedo pra minha colega, mas ela não respondeu.<br />
- Hein?<br />
- Aí eu liguei pra central e descobriram que ela desviou da sua rota e está indo para o Polo Norte. Meus superiores estão achando que ela quer fazer algo de ruim.<br />
- Um minuto&#8230; Você não notou que estou falando &#8220;hein?&#8221; há um tempão? Isso significa que não estou entendendo porcaria nenhuma! Que droga de sonho é esse? Eu fiquei pensando na Gisele Bündchen antes de dormir e é ela que devia estar aqui!<br />
- Você precisa me acompanhar.<br />
- Do que você está falando?<br />
- Você precisa ir comigo até o Polo Norte! Precisamos salvar o Papai Noel!<br />
- <strong>Hein?</strong></p>
<p>Achando que acompanhar o estranho homem do seu sonho (ou do que acreditava ser um sonho) o ajudaria a chegar logo na parte em que a Gisele Bündchen apareceria cheia de amor para dar, Roberto concordou em seguir o fantasma do Natal presente. De pijama e chinelos, caminhou até a estação de trem e, num rasgo de curiosidade, bom senso e falta de coisa melhor para falar, questionou seu guia de viagens:</p>
<p>- O que estamos fazendo aqui?<br />
- Vamos pegar o Expresso Polar.<br />
- Er&#8230; Aqui só dá pra pegar o Central-Japeri. E os trens nem funcionam a essa hora da madrugada.<br />
- Confie em mim. Agora, me ajude a pular o muro.<br />
- Pular&#8230; o muro?&#8230;<br />
- É que eu esqueci meu vale-transporte mágico na outra túnica. Ajuda aqui, por favor.</p>
<p>Roberto e o fantasma do Natal presente finalmente conseguiram chegar à plataforma, onde ficaram esperando pacientemente. De repente, uma forte luz surgiu ao longe. Roberto ficou maravilhado ao ver um belo trem maria-fumaça se aproximando. Quando finalmente parou, um homem muito parecido com o Tom Hanks, se aproximou e mandou que eles entrassem. Roberto estava extasiado e entrou no veículo mágico, curioso para saber para onde esse sonho o levaria. Com sorte, na última estação estaria a Monique Alfradique nua beijando apaixonadamente a Luana Piovani. Tal pensamento o deixava feliz.</p>
<p>De longe, um homem observava tudo e falava para si mesmo:</p>
<p>- Finalmente achei o filho da p#%@! Agora ele vai me ajudar a ganhar essas asas por bem ou por mal!</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>
<p><strong>No <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/24/cronica-um-cliche-de-natal-parte-3/" target="_blank">próximo capítulo</a>:</strong> As histórias de Rodolfo Escrúge e Roberto da Silva finalmente vão se unir em um final tão surpreendente que nem mesmo eu sei qual será. Ah&#8230; E dessa vez prometo que o Papai Noel realmente aparecerá! Ou não.</p>
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		<title>Um clichê de Natal &#8211; parte 1 (de 3)</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/17/cronica-um-cliche-de-natal-parte-1/</link>
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		<pubDate>Sat, 17 Dec 2011 19:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Cansado das histórias clássicas de Natal? Você vai sentir saudade delas ao ler essa aqui.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/clichedenatal1.jpg" alt="" title="O narrador está doidão!" width="300" height="348" class="alignright size-full wp-image-25358" />Natal. Tempo de confraternização. Época de distribuir presentes e comer peru (ou chester, que tem mais peitão). A alegria emana das ruas e das caixas registradoras. O mundo está alegre, com exceção de Rodolfo Escrúge, sexagenário dono de uma loja que vende produtos vegetarianos. Rodolfo &#8211; ou senhor Escrúge, como prefere ser chamado pelos subordinados &#8211; é uma pessoa amarga e desgostosa da vida, especialmente quando chegam as festas de fim de ano e vê seu faturamento cair vertiginosamente.</p>
<p>- Senhor Escrúge&#8230;<br />
- O que foi, Roberto?<br />
- Er&#8230; Eu já fechei o caixa hoje&#8230; Infelizmente, o peru de soja não foi o sucesso que esperávamos&#8230;<br />
- Raios! Esses carnívoros malditos só pensam em gastar com ceias caras! Por que não gastam com ceias vegetarianas caras?<br />
- Eu&#8230; Queria saber&#8230;<br />
- O quê, energúmeno?<br />
- Eu poderia sair mais cedo amanhã? É que eu preciso comprar o presente do meu filho&#8230;<br />
- Comprar! Comprar! As pessoas só pensam em comprar! Se ao menos pensassem em comprar o que eu vendo! Natal é uma bobagem! Você vai trabalhar no seu horário normal e nem pense em sair mais cedo!</p>
<p>Rodolfo Escrúge é um escroto, deu pra notar. E a coisa até se encaminharia para um óbvio desenrolar, com fantasmas dos Natais passado, presente e futuro e essa pataquada toda. O problema é que o narrador bebeu um suco feito com cogumelos estranhos oferecido por uma cigana de aparência insuspeita e, a partir de agora, tudo pode acontecer.</p>
<p>Naquela noite, Rodolfo Escrúge foi para sua casa, onde morava sozinho desde que seu companheiro, Jacó, falecera alguns anos antes. Ao ouvir estranhos barulhos, Rodolfo ficou apavorado, tomou uns remédios fortes e dormiu. Com isso, acabou não recebendo a visita da alma de Jacó, que chegara arrastando pesadas correntes à beira de sua cama.</p>
<p>- Rodolfo! Rodolfinho! Acorda, meu amor&#8230; <strong>RODOLFO</strong>! Ai, essa bicha velha deve ter tomado aquelas bolinhas que fazem dormir que nem pedra. Bah, e eu que queria avisá-lo da visita dos fantasmas&#8230; Que ele se f#%@, então. Não tinha tempo nem pra colocar umas florezinhas no meu túmulo no aniversário do nosso namoro, né? Então também não vou perder tempo te alertando sobre o que está por vir!</p>
<p>No dia seguinte, após acordar pensando em ter que encarar mais um dia buscando convencer as pessoas de que uma alimentação livre de carne é muito mais saudável e livre de culpas, Rodolfo Escrúge olhou para o lado e viu uma mulher roliça e alegre, com cara de tiazona de novela das seis. Ela aparentava estar ensanguentada. Rodolfo achou muito estranha aquela figura diante de si, mas imaginou que poderia ainda estar sonhando&#8230; até que olhou para sua cama e viu a cabeça decepada de uma rena em seu travesseiro!</p>
<p>- AAAAHHH!!! Que&#8230; que p*##@ é essa!!??<br />
- Oi, Rodolfo Escrúge. Eu vim te buscar.<br />
- Você&#8230; é a Morte?<br />
- Não&#8230; Eu sou o fantasma dos Natais passados e vim para lhe ensinar o verdadeiro espírito dessa tão bela data.<br />
- E essa cabeça de bicho morto na minha cama? Foi você que colocou?<br />
- Não. Isso é um mistério.<br />
- Mas você está cheia de sangue!<br />
- É suco de tomate. Eu peguei da sua geladeira, espero que não se importe. Me sujei porque tomei um susto com essa pobre reninha morta e derramei tudo na minha roupa. Mas não vamos perder tempo. Venha comigo.<br />
- Ir contigo?<br />
- Você nunca viu a história dos fantasmas? O Mickey e até os Muppets já fizeram, caramba. Você tem que me acompanhar, vai descobrir coisas do passado que são incríveis e vai se tornar uma pessoa melhor. Vamos logo que eu estou com o cronograma estourado!</p>
<p>Rodolfo, a contragosto, acompanhou a estranha mulher e entrou em um túnel de luz. De repente, tudo ficou preto e branco e ele reconheceu a antiga rua em que morava. A mulher o conduziu até uma janela e ele pôde ver a si mesmo, aos doze anos, extremamente feliz enquanto comia um peru assado inteiro. E uma picanha mal passada. E um pouco de galinha ao molho pardo. Tudo isso acompanhado por duas garrafas de Coca-Cola.</p>
<p>- Hmmm&#8230; Sua vida até que era boa&#8230;<br />
- Sim&#8230; Meus pais eram ricos e nós tínhamos um Natal maravilhoso todo ano. Qual o problema?<br />
- Então&#8230; Qual foi o trauma que fez você detestar o Natal?<br />
- Não interessa!<br />
- Outra coisa&#8230; Você adorava carne&#8230; Por que resolveu se tornar vegetariano?<br />
- Também não interessa! Podemos ir?<br />
- Tá bom, tá bom. Mas, antes, preciso lhe falar sobre algo.<br />
- Que eu vou ver o fantasma do Natal presente? Tá, grandes coisas.<br />
- Não. É que você precisa me ajudar antes de voltar para sua época.<br />
- Ajudar em quê?<br />
- Você precisa matar o Papai Noel!</p>
<p><em>Continua&#8230;</em></p>
<p><strong>No <a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/21/cronica-um-cliche-de-natal-parte-2/" target="_blank">próximo capítulo</a></strong>: As misteriosas intenções do fantasma do Natal passado, o motivo de Rodolfo Escrúge ter se tornado um vegetariano sem coração e a origem da cabeça decepada da rena&#8230; Nada disso será explicado. Mas pode ser que Papai Noel apareça.</p>
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		<title>Apologia ao açúcar!</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/12/10/cronica-apologia-ao-acucar/</link>
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		<pubDate>Sat, 10 Dec 2011 19:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O ano é 2041. O açúcar é ilegal. O que sairá de um debate sobre isso?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/bobmarleypirulito.jpg" alt="" title="Em 2041, lute pela legalização do açúcar!" width="300" height="257" class="alignright size-full wp-image-25099" />Ano 2041. Véspera da votação no Congresso Nacional pela descriminalização do açúcar. Estúdio de um programa de debates, onde dois especialistas discutem se o açúcar deve ou não voltar a ser liberado.</p>
<p>- Bom dia, telespectadores. Amanhã será votado o Projeto de Lei que pretende tornar legal a venda e o consumo de açúcar. Para discutir esse assunto tão polêmico, trouxemos o professor Gustavo Jacinto, do departamento de filosofia da Universidade de São Paulo do Sul, que é a favor da descriminalização e coordena a Marcha do Açúcar.<br />
- Bom dia.<br />
- Trouxemos também o médico Vinícius Felício, consultor do quadro &#8220;Brasil sem Chinelo de Dedo&#8221;, do Fantástico, no qual o doutor Drauzio Varela incentiva as pessoas a usarem calçados mais saudáveis, como tênis e sapato.<br />
- Bom dia.<br />
- Gustavo, o açúcar se tornou um produto ilegal no Brasil há pouco mais de vinte anos, quando foi comprovado que ele viciava mais que a então droga ilícita maconha. A proibição seguiu uma tendência mundial iniciada nos Estados Unidos, primeiro país a criminalizar a produção e consumo do açúcar. Por que você acha que o Congresso deveria voltar a legalizá-lo?<br />
- Em primeiro lugar, gostaria de parabenizar o Congresso, em especial ao presidente da Câmara, o deputado Tiririca, que teve coragem de levar a votação o Projeto de Lei da deputada Florentina de Jesus. Em segundo lugar, gostaria de deixar claro que nossa luta em defesa do açúcar é voltada à liberdade individual. Ninguém tem o direito de dizer que eu posso ou não consumir essa ou aquela especiaria.<br />
- Contudo, diversos estudos comprovam que o açúcar faz mal para a saúde, gerando diabetes e até a obesidade. Você não se preocupa com o risco de uma nova epidemia de obesidade, doença que foi finalmente extinta há dez anos após a implantação do programa governamental Anorexia Para Todos?<br />
- A humanidade consumiu açúcar por séculos. Essas pesquisas são exageradas. Sem contar que o plantio da cana-de-açúcar foi a mola mestra do desenvolvimento do Brasil, até que a onda revisionista chegou aos livros didáticos e &#8220;descobriram&#8221; que nunca tivemos uma cultura açucareira e cafeeira, mas sim uma forte produção de alface e derivados. Isso é ridículo!<br />
- Mas essa revisão é apoiada por historiadores importantes&#8230;<br />
- Pura propaganda para justificar o ataque ao açúcar! Poxa, com a cana-de-açúcar não produzimos apenas açúcar, mas também combustível e até calçados! Eu sei que a produção de vestimentas hoje é dominada pelo cânhamo, mas a cana-de-açúcar teria espaço! É um absurdo o que estão fazendo!<br />
- Vinícius, qual a sua opinião sobre isso?<br />
- Eu acho que absurdo é o que meu distinto colega de bancada está dizendo. Já foi comprovado que o açúcar abre caminho para drogas mais pesadas, como o sal e até mesmo o café! Há até quem misture café com açúcar, provocando insônia e agitação! Não tem como, racionalmente, defender esse tipo de conduta!<br />
- Então o senhor acredita que o açúcar deva continuar proibido?<br />
- Naturalmente. Os traficantes, como o famoso Faustinho Beira-Mar, não abandonarão a criminalidade se deixarem de vender açúcar. Eles vão simplesmente passar a distribuir outros entorpecentes. Um estudo do maior jornal do país, a Gazeta Tocantinense, mostra que traficantes estão distribuindo pirulitos nas portas das escolas para começar a viciar as crianças desde cedo! Pessoas assim não têm escrúpulos!<br />
- E quanto à acusação de que o açúcar já foi importante para o Brasil?<br />
- Falácia! Isso foi uma falsa informação que existia na época da República. Desde a implantação da Nova Monarquia, com nosso digníssimo imperador Luiz I, os historiadores estão corrigindo equívocos que se perpetuaram por pura ignorância. Por isso, afirmo com clareza: O açúcar não deve jamais ser legalizado! Ele é uma droga e deve ser tratado como tal! Inclusive, se eu fosse o colega, ficaria preocupado em defender tanto o açúcar. Você pode ser acusado de fazer apologia e ser preso. Noto, inclusive, uma pequena barriguinha, que pode ser fruto do uso do entorpecente.<br />
- Não me ofenda! Isso é músculo mal trabalhado!<br />
- Está nervoso? Isso pode ser sinal de açúcar no sangue.<br />
- E se for? O que você tem a ver com quais substâncias eu uso ou deixo de usar?<br />
- Então você confessa que fez uso de açúcar? É com esse tipo de gente que eu tenho que debater? Uma conversa racional não funciona com açuqueiros.<br />
- Do que você me chamou?<br />
- Açuqueiro! É isso que você é! Não passa de um açuqueiro financiador do crime!<br />
- E você, que é um reacionário? Açúcar é um produto natural, não tem como fazer mal! Legalize já!<br />
- Viciado!<br />
- Nazista!<br />
- Pançudo!<br />
- Agora pegou pesado! Vou te matar, seu&#8230;<br />
- Er&#8230; Obrigado, telespectadores, vamos encerrar nosso debate por aqui. Espero que vocês tenham&#8230; aprendido um pouco mais sobre&#8230; ai, meu Deus, eles vão se matar! Alguém separa eles aqui! Er&#8230; Obrigado por sua audiência e nos despedimos. Esse programa tem o patrocínio de Maconha Cinelândia. &#8220;Isto é Cinelândia, o sucesso&#8221;. À venda nas melhores tabacarias. No próximo programa, teremos um debate sobre o banimento da propaganda de livros de receitas do rádio e da TV. Será que isso realmente vai diminiur o consumo de comida? Nos vemos semana que vem.</p>
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		<title>Sobre crianças agitadas e pais sonolentos</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Oct 2011 12:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Ser pai é padecer no paraíso... Não que o paraíso seja tão barulhento quanto uma criança!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/menina.jpg" alt="" title="Sobre crianças agitadas e pais sonolentos" width="250" height="236" class="alignright size-full wp-image-22826" />- Papai! Papai!<br />
- Ãhn&#8230; Quê&#8230;?<br />
- Papai! Acorda, papai!<br />
- Julinha&#8230; São seis horas da manhã! O que você esta fazendo pulando na minha cama?<br />
- Papai! Hoje é dia das crianças!<br />
- Eu sei. É feriado. Por isso não faz sentido acordar <strong>às seis da manhã</strong>!<br />
- Você tá nervoso, papai?<br />
- Não, fofinha do papai&#8230; Só estou com sono&#8230;<br />
- Então?<br />
- Então, o quê?<br />
- O que o senhor vai me dar de presente?<br />
- Como assim?<br />
- O que eu vou ganhar de presente de dia das crianças?<br />
- Filhinha&#8230; Presente é só no Natal e no aniversário. Agora deixa o papai dormir&#8230;<br />
- Papai! Papai!<br />
- Bksfshvkskcs&#8230; um&#8230; dois&#8230; diz, queridinha&#8230;<br />
- Meu presente! Cadê?<br />
- Não tem presente!<br />
- Mas&#8230; mas&#8230; é dia das&#8230; das crianças&#8230; e eu&#8230; snif&#8230; eu&#8230;<br />
- Calma! Não chora que é aí que eu não durmo mesmo! Eu&#8230; Já sei! Vamos lanchar no McDonald&#8217;s e você fica com o brinquedinho do McLanche, que tal?<br />
- Eu queria uma Barbie&#8230;<br />
- Vai ter uma Smurfete. É igual a Barbie, só que azul.<br />
- Mas eu queria a Barbie Caçadora da Floresta Encantada das Sereias Alegres!<br />
- Er&#8230; Vende em camelô?<br />
- Eu quero! Eu quero!<br />
- Olha&#8230; Vou te levar pro shopping pra lanchar o que você quiser e te dou essa Barbie Estivadora da Sereia Deflorada sei lá das quantas. Agora posso dormir?<br />
- Mas eu vou poder brincar no parquinho também? Posso? Posso?<br />
- Tá bom, pode. Volta pra cama que a gente faz isso na hora do almoço.<br />
- Mas eu quero agora!<br />
- O shopping não abre às seis da manhã!<br />
- Então faz chocolate quente com biscoito pra mim?<br />
- Hein?<br />
- Tô com fome, papai!<br />
- A gente vai comer o McLanche Feliz, criatura! Vai dormir que a fome passa até a hora da gente ir!<br />
- E quando a gente vai?<br />
- Quando eu acordar. Lá pras três da tarde. Agora vai pra cama!<br />
- Eu tô com fome e quero agora!<br />
- Mksfhiwhmvsmv&#8230; Tudo bem&#8230; O papai vai fazer seu lanchinho se você prometer que vai ver televisão e me deixar dormir, certo?<br />
- Oba! Eu te amo, papai!<br />
- Também te amo, filhinha.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>- Julinha, aqui está seu chocolate quente com biscoito&#8230; Julinha? Você está dormindo?<br />
- Eu tô com sono, papai. Desliga a luz&#8230;<br />
- E o chocolate&#8230;?<br />
- Não quero mais&#8230; Quero dormir&#8230;<br />
- Mas você estava tão animada&#8230;<br />
- Fiquei acordada direto pensando no presente&#8230; Agora tô com sono&#8230; Boa noite, papai&#8230;<br />
- Se você não levantar agora eu não te dou a Barbie Saltadora da Floresta Esmagada.<br />
- Não quero mais&#8230;<br />
- E o parquinho?<br />
- Tô cansada&#8230;<br />
- Julinha&#8230; Amorzinho&#8230;<br />
- Que é, papai?<br />
- Esqueci de te contar antes: Você é adotada. Foi largada na porta da minha casa por um alienígena assassino comedor de crianças. Ele deixou um bilhete dizendo que ia voltar pra te pegar no dia das crianças. Será que é hoje? Olha, acho que ouvi alguém tocando a campainha. Melhor você ficar embaixo do cobertor o dia todo só por via das dúvidas. Durma bem, amorzinho. Eu sei que <strong>eu</strong> vou dormir. Te amo.</p>
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		<title>Apartormento (ou “Por que os médicos vão para o interior”)</title>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 18:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Seu Dotô!]]></category>
		<category><![CDATA[apartamento]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[médico]]></category>
		<category><![CDATA[moradia]]></category>

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		<description><![CDATA[Confira nesta crônica do Dr. Tapioca todo o sofrimento de quem, depois de um dia de trabalho, vai tentar descansar em seu apartamento...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-20718" title="Apartormento!" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/apartamentospequenos.jpg" alt="" width="275" height="214" /><strong>21h</strong></p>
<p>Final de um dia estressante no hospital. Depois de duas horas de engarrafamento, você entra com seu carro na rua estreita onde mora e descobre que tem um caminhão da empresa telefônica parado na entrada da garagem do seu prédio realizando &#8220;reparos emergenciais&#8221; em um poste. &#8220;Não tem onde parar sem fechar a rua&#8221;, diz o técnico. Você fica então preso no seu carro por mais &#8220;10 a 15 minutinhos&#8221;. Liga pra namorada tentando passar o tempo, mas, pra variar, o telefone toca até cair e quase consegue ouvi-la dizendo: &#8220;O celular estava na bolsa e eu não escutei&#8221;.</p>
<p><strong>21h30</strong></p>
<p>Ao entrar na garagem, você percebe que a vizinha estacionou ocupando um pedaço da sua minúscula vaga. Do outro lado, está a porta do armário de limpeza e, se parar muito próximo dela, é certo receber uma mossa &#8220;acidental&#8221; do zelador. Por causa disso, você é obrigado a estacionar colado no carro da vizinha (rezando pra ela sair sozinha na manhã seguinte). Também tem que se espremer pela porta do carona. Durante o processo, a alavanca de câmbio lhe acerta as &#8220;jóias da família&#8221; e a dor vai até o umbigo.</p>
<p><strong>21h33</strong></p>
<p>Você encontra no <em>hall</em> do elevador aquele vizinho de quem nem imagina o nome, mas que faz questão de cumprimentá-lo sempre que lhe vê. &#8220;Que coincidência encontrá-lo, doutor! Acabei de receber meu periódico, o senhor poderia dar uma olhada?&#8221;. Você sorri gentilmente e começa a olhar aquela maçaroca de resultados imaginando se o cara trabalha numa usina nuclear para precisar fazer tantos &#8220;exames de rotina&#8221;. No meio do processo, o elevador chega a seu andar e o vizinho segura a porta até você terminar a avaliação, que agora tem como música de fundo um irritante &#8220;piiiii&#8230;&#8221;. Ao final, você conclui que tudo está normal e ele agradece desejando uma boa noite (&#8220;tomara&#8221;, você pensa).</p>
<p><strong>21h40</strong></p>
<p>Já em casa, você &#8220;descasca&#8221; a roupa do corpo e vai direto pro chuveiro. Mais uma vez amaldiçoa o decorador que lhe convenceu que &#8220;diminuir um pouco do banheiro para ampliar o quarto, não vai atrapalhar em nada&#8221;. Queria vê-lo lavar as axilas sem conseguir abrir os braços. Se bem que aquele tampinha magricelo teria que abrir os braços pra não descer pelo ralo!</p>
<p><strong>22h</strong></p>
<p>Renovado e com um pijama bem folgado (os testículos ainda doem), você vai à cozinha procurar o que comer, mas a geladeira parece a Patagônia e, com certeza, nem Jamie Oliver conseguiria transformar meia cebola, três ramos murchos de coentro e uma maçã em jantar. Ao fechar a porta, percebe a lista de mercado que a empregada colocou após você já ter saído pela manhã (&#8220;Obrigado, Miralva&#8221;). A lista é tão grande que poderia ser resumida em duas palavras: &#8220;Comprar tudo&#8221;. A salvação é encontrada na despensa: um envelope de sopa instantânea e um pacote de <em>cream cracker</em> (melhor que miojo). Você come a maçã de sobremesa pra se convencer que fez uma refeição saudável.</p>
<p><strong>22h20</strong></p>
<p>Você checa seus e-mails e percebe que, após excluir as propagandas de Viagra, <em>newsletters</em> dos sites de compra e mensagens com anexos cujos títulos são &#8220;Que lindo!&#8221; ou &#8220;Adorei essa&#8221;, só sobram as faturas dos cartões de crédito. Desistindo da web, liga a TV, mas também percebe que não está interessado em saber quantas pessoas morreram por balas perdidas, quantos mísseis a Coreia do Norte lançou, nem quantos reais o combustível vai subir. O jeito é pegar aquele livro de cabeceira que você está enrolando há seis meses pra terminar e lê-lo até adormecer.</p>
<p><strong>23h05</strong></p>
<p>Você acorda assustado com o telefone tocando na maior altura &#8211; nunca descobriu como diminuir o volume (&#8220;Quem mandou comprar chinês&#8221;). Ao atender, reconhece a doce voz do outro lado da linha: &#8220;Mô, você ligou?&#8221;. Meio zonzo e com a voz embolada, tudo que consegue dizer é &#8220;Deixa pra lá, não era nada, não&#8221; e desliga sem dar tchau. Amanhã vai ouvir um &#8220;Você é grosso no telefone, sabia?&#8221;. Ao tentar dormir de novo, a lembrança de sua mãe lhe colocando na cama vem à mente. Ela sempre dizia: &#8220;Filho, estude bem pra ser médico e ter boa vida&#8221;. Boa noite, mãe.</p>
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		<title>MANHÊ!!!</title>
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		<pubDate>Fri, 06 May 2011 18:00:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[dia das mães]]></category>
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		<category><![CDATA[mãe]]></category>

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		<description><![CDATA[Leia uma singela crônica em homenagem (ou quase) ao dia das mães.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/criancamelequenta.jpg" alt="" title="MANHÊ!!!" width="300" height="271" class="alignright size-full wp-image-20281" /><strong>7 horas:</strong><br />
- MANHÊ!!!<br />
- Me chamou, filhinho?<br />
- Tô com fome!<br />
- Você acabou de tomar seu café da manhã, querido.<br />
- Mas eu tô com fome!<br />
- Bom&#8230; Sobrou um pouco de Nescau e bolo. Vou pegar pra você.</p>
<p><strong>8 horas:</strong><br />
- MANHÊ!!!<br />
- Que foi, docinho?<br />
- Tô com fome!<br />
- Lindinho, você já tomou uns três cafés da manhã.<br />
- Mas eu tô com fome!<br />
- Come esse biscoitinho aqui pra enganar o estômago.</p>
<p><strong>9 horas:</strong><br />
- MANHÊ!!!<br />
- Fala, amorzinho.<br />
- Tô com fome!<br />
- Mas, neném, ainda falta muito pro almoço.<br />
- Mas eu tô com fome!<br />
- Olha&#8230; O pudim era pra sobremesa, mas acho que não faz mal te dar um pouquinho agora.</p>
<p><strong>10 horas:</strong><br />
- MANHÊ!!!<br />
- Fala, queridinho da mamãe.<br />
- Tô com fome!<br />
- Não tem mais pudim, fofucho.<br />
- Mas eu tô com fome!<br />
- Acho que podemos dar um pulinho na padaria pra comprar um picolé pra distrair, que tal?</p>
<p><strong>11 horas:</strong><br />
- MANHÊ!!!<br />
- O que o princepezinho da mamãe quer?<br />
- Tô com fome!<br />
- Já comecei a fazer o almoço, coisinha linda. Não vai demorar mais que uma hora.<br />
- Mas eu tô com fome!<br />
- Tudo bem. Vou fazer um sanduichinho de mortadela pra você aliviar a barriguinha enquanto espera, tá bom?</p>
<p><strong>12 horas:</strong><br />
- FILHINHO!!!<br />
- Que foi, mamãe?<br />
- O almoço está na mesa.<br />
- Mas eu não tô com fome!<br />
- Come pelo menos um poquinho. A mamãe fez seu prato favorito: batata frita com bife à milanesa.<br />
- Não quero! Não tô com fome! Vou jogar videogame!<br />
- Ai, meu Deus, esse menino me preocupa muito! Vou marcar médico ainda hoje pra ver se descubro a razão dessa falta de apetite! Isso não pode ser saudável!</p>
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		<title>Um minuto de comercial</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/03/24/cronica-um-minuto-de-comercial/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Mar 2011 00:00:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Humor]]></category>
		<category><![CDATA[propaganda]]></category>
		<category><![CDATA[publicidade]]></category>

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		<description><![CDATA[Entenda porque é difícil ter campanhas publicitárias pró-gordos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-19192" title="Crônica: Um minuto de comercial" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/tvgordo.jpg" alt="" width="250" height="204" /><em>Local: Sede da Associação de Defesa dos Gordos, sala de reuniões.<br />
Pauta: A nova campanha publicitária da instituição.</em></p>
<p>- Boa tarde, senhores. Estou aqui representando a Agência de Publicidade Criativa Pacas. De acordo com o <em>briefing</em> que vocês nos passaram, trouxemos uma ideia para uma propaganda de TV apresentando o trabalho da associação.<br />
- Ótimo. Estamos ansiosos para ajudar a acabar com a discriminação contra os gordos.<br />
- A propaganda começa com uma família de pessoas obesas&#8230;<br />
- Por que todos são obesos?<br />
- Er&#8230; Para mostrar que todos podem ser felizes gordos&#8230;<br />
- Então você acha que gordos não podem conviver com magros? Nós não defendemos segregação, rapaz! Isso seria apologia à obesidade!<br />
- Bom&#8230; Acho que podemos então ter uma família com, sei lá, a esposa magra&#8230;<br />
- Quer dizer que uma mulher gorda não consegue casar? Tem que ser magra pra ser feliz? Isso é preconceito!<br />
- Não&#8230; Não foi isso que eu quis dizer&#8230; A gente muda. O marido magro e a esposa gorda.<br />
- Isso pode dar a entender que ele só consegue ser capaz de sustentar a família por ser magro, que absurdo!<br />
- Então o casal pode ser gordo e os filhos magros&#8230;<br />
- Vai dar a impressão de que o casal tem vergonha de ser gordo e por isso obriga as crianças a fazer regime!<br />
- OK, crianças gordas, então.<br />
- A obesidade infantil é um problema sério, meu filho! Não queremos que as pessoas pensem que não entendemos os riscos de saúde do sobrepeso nas crianças!<br />
- Pode ser um casal sem filhos&#8230;<br />
- Você está querendo dizer que gordo não transa?<br />
- Olha&#8230; Vamos resolver a questão do peso da família depois, tudo bem? Posso continuar a apresentar a proposta?<br />
- Claro. Prossiga.<br />
- Essa família&#8230; que ainda vamos definir como será composta&#8230; está na cozinha&#8230;<br />
- Por que na cozinha? Você quer dizer que gordos só sabem comer?<br />
- Não&#8230; É que comerciais com família normalmente se passam na cozinha para dar familiaridade para quem assiste&#8230;<br />
- Nada de cozinha!<br />
- Tá bom&#8230; Na sala de estar&#8230;<br />
- Até já sei o que você vai dizer: Sentados no sofá comendo salgadinhos! Esteretótipo horrível!<br />
- Pode ser no quintal, então. Pronto. Eles estão no quintal. As crianças estão brincando&#8230;<br />
- As crianças são gordas ou magras, afinal?<br />
- Hein? Qual a diferença?<br />
- Ver crianças felizes brincando dá uma sensação de que tudo ali está certo. Portanto, se elas forem magras, é preconceito contra os gordos. Mas se forem gordas, é apologia à obesidade.<br />
- Er&#8230; Colocamos uma gorda e uma magra. Pode ser?<br />
- Posso conviver com isso. E os pais?<br />
- Certo&#8230; Os pais estão brincando junto com as crianças&#8230;<br />
- O pai está de camisa?<br />
- Como assim? Isso é relevante?<br />
- Gordos costumam suar muito quando fazem exercício, mas se você mostrá-lo cheio de suor será preconceito.<br />
- Então ele pode ficar sem suor nenhum.<br />
- Aí é apologia.<br />
- Como assim?<br />
- Estaríamos falsificando uma característica física para defender os gordos, fazendo então apologia à obesidade.<br />
- Ele pode ficar sem camisa.<br />
- Aí vão fazer piadas por conta do gordo sem camisa reforçando o preconceito.<br />
- Então o pai pode ser magro!<br />
- Quer dizer que só magro pode ficar sem camisa na TV?<br />
- E se colocarmos o gordo sem camisa e a esposa dizendo que ele é lindo?<br />
- Aí é apologia!<br />
- Mas&#8230; Mas&#8230; Sabe de uma coisa? Eu gostava mais quando os gordos eram divertidos e não ficavam cheios de neurose! Desisto! Agora eu só vou aceitar trabalho dos Vigilantes do Peso! Adeus!<br />
- Credo, que sujeito esquentadinho! Bah, vamos esquecer essa propaganda e encher a pança na lanchonete da esquina! Mas sem chamar muita atenção de quem passa na rua pra não parecer que estamos fazendo apologia, OK? Ou será que agir assim seria preconceito? Cacete&#8230; Melhor pedir no delivery!</p>
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		<item>
		<title>Matuto vai ao médico</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/02/12/cronica-matuto-vai-ao-medico/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Feb 2011 17:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Seu Dotô!]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[matuto]]></category>
		<category><![CDATA[médico]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma bela crônica apresentando a visão de um "matuto" indo ao médico de sua cidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-18045" title="Matuto vai ao médico" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/matuto.jpg" alt="" width="250" height="333" />Acordo às 5 da manhã e lembro que hoje é dia de ir ao médico. Tomo banho rapidinho e coloco uma roupa mais arrumada. Tem que colocar calça pra ver o doutor, né? Penso se devo ou não tomar café e decido por sair em jejum. Vai que ele pede algum exame, eu já faço logo pra não ter que voltar lá outro dia.</p>
<p>Ando até o centro do vilarejo para pegar a condução para a cidade. No caminho, a brisa matinal, o cheiro de capim molhado e os primeiros raios de Sol por trás da colina são meus companheiros. Ouço o despertar rotineiro da roça: mugido de bois, galos cacarejando e uma cacofonia de piados de tudo quanto é tipo de passarinho. Consigo identificar cada um deles, mas acho mais divertido ouvi-los todos juntos formando um som novo e diferente.</p>
<p>Através da serração vejo o ônibus parado no centro da vila, próximo à igrejinha. Reencontro meus vizinho e amigos, cada um deles com seu motivo específico para ir à cidade hoje. Muitos vão vender o que produzem (feijão, andu, milho, farinha&#8230;), alguns vão ao comércio fazer compras e outros, como eu, vão ao médico. A viagem é rápida, geralmente não dura mais que 40 minutos, a depender das condições da estrada. Para meu azar, e dos outros também, o motor quebra e ficamos mais de uma hora parados enquanto aguardamos outro meio de continuar a viagem. Todos se decepcionam ao ver que o transporte opcional fornecido se trata de um caminhão e temos que ir amontoados na carreta junto com a carga, que no ônibus iria no bagageiro. Alguém agradece a Deus por ninguém ter trazido galinha ou porco e todos riem, mesmo dentro de um pau-de-arara armengado como aquele.</p>
<p>Depois de muito sacolejo e de dividir o suor com os outros, chegamos ao centro da cidade. Vou até a clínica e, devido ao atraso, pego a última senha, já que o atendimento é por ordem de chegada. A recepcionista explica que tentaram fazer por hora marcada, mas o desentendimento entre hora de chegada e hora da consulta criava um problema para a clínica. Tinha gente que chegava às oito, tinha marcado às onze e queria ser atendida logo, aí não pode, né? Eu prefiro assim, quem chega primeiro é atendido logo e que chega por último tem que esperar. Acho mais fácil e mais justo. Pena que eu vou perder o ônibus de volta, que sai às 11 e meia. Vou ter que dar um jeito de voltar pra casa depois, agora o importante é passar pelo médico.</p>
<p>Após esperar umas duas horas, chega minha vez. Eu adoro esse médico! Mesmo cansado e depois de tanta gente, ele ainda me recebe com um sorriso no rosto e pede desculpas pela demora. Outra coisa, ele explica tudo de forma fácil, sem usar aqueles “palavrões” que os outros médicos adoram como dislipidemia e hiperplasia prostática. Com ele eu sei exatamente o que tenho e se é grave ou não. Após me consultar e examinar ele decide que não há necessidade de realizar exames, pois meu último <em>check-up</em> está recente e o que eu estava sentindo ele resolveria rapidamente com uma medicação. Ele ainda disse que esse negócio de fazer exame toda hora é coisa de gente rica e, se o médico não pede, eles acham ruim. Deus me livre! Pra mim, médico bom é assim, consulta e examina, se precisar tirar sangue, tira, senão, passa o remédio e acabou a história.</p>
<p>Saio satisfeito da clínica e vou para a farmácia, mas antes passo na padaria para levar o pão pra casa e fazer uma boquinha, pois a fome tá apertando demais! Já passa da uma da tarde e não tem mais ônibus para a zona rural. O jeito é fretar um carro de praça, mas o problema é que nem todos gostam de fazer viagem para a roça, dizem que é muito longe, suja o carro todo, demora muito e poderiam fazer viagens mais curtas que valem mais a pena. Tive que pagar mais caro para poder convencer o motorista a me deixar no vilarejo, pois não tem estrada até minha casa, só um caminho estreito.</p>
<p>Chego na vila por volta das duas e, com o Sol de rachar, começo a caminhar de volta para casa vendo a beleza das montanhas verdinhas contrastando com o azul do céu sem nuvens. O gado pastando tranquilamente nas encostas, as crianças brincando no açude para espantar o calor e os cachorros correndo atrás das galinhas para que não fujam. Ouço ao longe o canto de um gavião planando baixo à procura de sua presa. De repente, uma leve brisa traz o cheiro de café sendo torrado e percebo que já estou perto. Muita gente diz que é trabalhoso demais morar na roça e ter que se deslocar pra cidade quando se precisa de alguma coisa, mas eu não saio daqui por nada nesse mundo!</p>
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		<title>Entrevista de emprego</title>
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		<pubDate>Thu, 10 Feb 2011 17:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhe uma entrevista de emprego "diferente" nessa nova crônica da coluna Gordo de Raiz.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/apertodemao.jpg" alt="" title="Entrevista de emprego" width="250" height="288" class="alignright size-full wp-image-18207" />- Por favor, pode sentar.<br />
- Obrigado.<br />
- Seu nome é&#8230; Marcos, correto?<br />
- Sim.<br />
- Então, Marcos, eu vejo pelo seu currículo que você tem bastante experiência em vendas.<br />
- Sim. Eu trabalho há anos como vendedor e, modéstia à parte, sempre fiz ótimos negócios para minha antiga empresa.<br />
- Você vendia máquinas de refrigerante para a Sweet Soda, certo? Por que saiu de lá depois de tantos anos?<br />
- Bem&#8230; Não seria muito ético comentar&#8230;<br />
- Foi porque você é magro, certo?<br />
- O quê?<br />
- Olha, Marcos, aqui na Amazing Donuts, nós prezamos pela sinceridade. E eu vejo que você é excessivamente magro. Deve pesar uns 70 quilos, mais ou menos, acertei?<br />
- Sim, mas&#8230; É que eu tinha que trabalhar andando de um lado para o outro, sabe? Eles não tinham verba de combustível, então eu precisava pegar ônibus. Caminhando muito, no Sol, com uma maleta pesada, acabei emagrecendo&#8230;<br />
- Por favor, seja sincero. Foi por isso que eles o demitiram? Não se ofenda, mas nem sei como chegaram a contratá-lo&#8230;<br />
- Na verdade, quando eu comecei lá, tinha 120 quilos bem concentrados na barriga. Foi assim que construí minha fama, sabe? Os clientes me viam e tinham a certeza de que nossas máquinas eram realmente boas.<br />
- Entendo. Gordos realmente são mais confiáveis na hora de avaliar a qualidade de um refrigerante de máquina.<br />
- Isso mesmo. Eu era considerado a imagem perfeita da companhia. Conseguia vender para 90% dos clientes que eu visitava. Mas fiquei querendo vender cada vez mais e acabei descuidando da minha alimentação. Passei a comer pouco para conseguir visitar mais clientes. Não tinha mais tempo de ficar em casa, morgado no sofá comendo Doritos com guaraná. Eu acabei ficando uma pessoa muito ativa, mas juro que foi por força das circunstâncias!<br />
- Aí acabou emagrecendo.<br />
- Sim. Minhas roupas foram ficando cada vez mais largas. Eu comecei a ter que procurar lojas especializadas para magros, mas só encontava modelos que pareciam roupa de criança, sabe? Sem contar os clientes, que passaram a me olhar torto. Meu supervisor, que era um grande amigo, já nem me convidava mais para os churrascos que fazia e começou a vir com piadinhas pra cima de mim. Falava que eu não ia aguentar nem um quilinho de picanha e saía rindo. Se não fosse tanto trabalho eu teria estômago pra cinco quilos e ainda sobrava pra cerveja, pombas! Isso me humilhava!<br />
- Foi aí que te demitiram?<br />
- Não. Na verdade, eu que pedi demissão. Eu tinha dez anos de casa e, mesmo tendo emagrecido tanto, acho que merecia ser respeitado. Mas eles contrataram um rapaz mais novo. Ele não tinha nem um décimo da minha experiência, mas impressionou os diretores pelo visual. Devia ter uns 150 quilos, sabe? Uma gordura abdominal perfeita, com várias dobras. Os diretores chamaram ele no mesmo dia para um almoço de negócios no McDonald&#8217;s e ouvi por trás da porta que eu não seria convidado porque ia acabar pedindo um McSalad com suco, deixando todo mundo enjoado. Isso foi a gota d&#8217;água! Não é porque estou magro que comeria salada! Isso é um estereótipo ridículo! Pedi as contas no mesmo dia!<br />
- Entendo&#8230;<br />
- Desculpe se me exaltei. Sei que não é de bom tom falar mal da empresa anterior, mas eu realmente me senti discriminado. Você não tem ideia de como é ser julgado por seu peso.<br />
- Eu entendo, mas preciso ser sincero. Infelizmente, fica complicado para uma pessoa magra vender nossos produtos. Sabe como é&#8230; temos uma imagem a zelar. Ninguém confiaria num vendedor de <em>donuts</em> magro. Ia parecer que nem nossos próprios funcionários comem as rosquinhas.<br />
- Mas eu posso engordar! É só me dar uma chance!<br />
- Marcos, eu tenho outros candidatos para entrevistar. Alguns já são rechonchudos e também têm experiência. Mesmo que você entrasse em uma dieta de engorda, isso exigiria muito tempo e dedicação para atingir o peso ideal. E nem todo mundo consegue passar dos 100 quilos com facilidade. Me desculpe, de verdade, mas não podemos contratá-lo.<br />
- Isso não é justo! Não é porque sou magro que me torno incompetente pro cargo! Peso não tem nada a ver com a capacidade de vender refrigerante ou rosquinhas!<br />
- Por favor, não se exalte.<br />
- Isso não vai ficar assim! Vou processá-los por discriminação! Vou denunciá-los na TV!<br />
- Segurança! Por favor, tire esse rapaz daqui! Aff&#8230; Esses magrelos hoje em dia acham que podem tudo. Eles tinham é que ter vergonha de sair de casa e obrigar as pessoas normais a ficar vendo esses ossos quase rasgando a pele, que nojo. Custava ser um pouquinho sedentário e se empanturrar com salgadinhos pra chegar pelo menos nos 100 quilos? Por isso eu odeio magros, eles não têm força de vontade. Bom, deixa pra lá. Próximo!</p>
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		<title>Desconfraternização de Natal</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Dec 2010 17:00:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhe o martírio de um funcionário de escritório ao ter que suportar a estafante confraternização de Natal de sua empresa nesta crônica depressiva.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/natal_agostini.jpg" alt="" title="Facadas do Natal (desenho de Angelo Agostini)" width="300" height="206" class="alignright size-full wp-image-16998" />- A pessoa que eu tirei sempre chega atrasada no escritório e coloca a culpa no trem! Quem será, quem será?</p>
<p>Confraternizações de Natal no trabalho sempre começam mais ou menos assim. Frases engraçadinhas pra demonstrar uma intimidade que, na maioria das vezes, nunca existiu. Na prática, as pessoas querem mais é se livrar logo da obrigação dos presentinhos de 20 reais e partir para os salgados e docinhos de procedência duvidosa. Ao menos, essa era a intenção de Pereira.</p>
<p>Funcionário mais antigo do escritório, com dez anos de casa, Pereira suava que nem um porco no cio mesmo estando localizado de forma estratégica na direção dos poucos ventiladores. Até havia um ar condicionado split, mas o chefe quis economizar um pouco durante a confraternização, justamente quando todos os funcionários estariam juntos. Pelo menos ninguém queria ficar se esfregando no gordo suado, o que garantia um pequeno espaço livre em torno de Pereira.</p>
<p>- Quem eu tirei&#8230; é&#8230; um funcionário do escritório, hehe&#8230;.</p>
<p>Sempre tinha um engraçadinho que fazia a clássica piada de dar dicas nas quais todos se enquadravam. Como ninguém prestava atenção no que os outros diziam, a piada do &#8220;é um funcionário do escritório&#8221; se repetia pelo menos três vezes a cada ano. E olha que eram apenas 15 funcionários, o que, segundo os cálculos de Pereira, sugnificava que a piada era usada por 20% das pessoas presentes.</p>
<p>Matemática sempre ajudava Pereira a se distrair do calor e da vontade de cair de boca no chester que parecia estar iniciando o processo de putrefação e nas rabanadas que provavelmente foram feitas com pão bolorento da semana anterior. Mas a fome era tanta que bastava engolir uma porção generosa de Coca-Cola sem gás pra disfarçar o gosto dos petiscos menos saborosos.</p>
<p>- Eu tirei uma pessoa inteligente, criativa e, que me perdoem, merecia muito mais do que um presente de apenas 20 reais! Nosso amado chefe!</p>
<p>Aquela rotina era cansativa. Todo ano, quem tirava o chefe dava um presente muito melhor do que um CD em promoção (80% dos casos, segundo as estatísticas de Pereira). Esse ano era a vez do rapaz recém-formado, que havia chegado no escritório no início do ano cheio de planos e projetos, querendo crescer por seu talento e criticava os puxa-sacos de maneira veemente. Hoje, dava um vinho chileno pro chefe.</p>
<p>Pereira já tinha dado o azar de tirar o chefe. Claro que só para ele era azar. Afinal, quando isso aconteceu, três anos atrás, foi a primeira vez que o chefe recebeu um presente dentro do limite de valor: um CD com uma coletânea do Jorge Vercillo. Curiosamente, a promoção que Pereira já dava como certa para o inicio do ano seguinte jamais veio. Ele nunca teve certeza se o problema foi não ter dado um presente caro ao chefe ou se foi culpa do gosto musical do patrão. Mas, poxa, ele adorava Djavan, não fazia sentido.</p>
<p>- Eu tirei um rapaz forte&#8230; bem fortinho&#8230;</p>
<p>A ironia era clássica. Quando era a vez de Pereira ser o presentado, a pessoa que o sorteara, no tradicional rasgo de intimidade suposta, fazia pequenas brincadeiras sobre seu peso. Pereira dava sempre uma risadinha, mas no fundo queria quebrar os dentes do amigo que poderia ter permanecido oculto para sempre. Mas, tudo bem, o que importava era que o suplício estava perto de terminar e ele poderia pegar um pouco das trufas paraguaias que estavam dispostas na ponta da mesa da comida.</p>
<p>Felizmente, esse seria o fim. Como Pereira era a penúltima pessoa a ser chamada, seu amigo oculto era o último. E, ser o último a ter que falar trazia a vantagem extra de que não seria necessário fazer nenhuma gracinha além do tradicional &#8220;Quem será?&#8221;, naturalmente desnecessário, mas que era esperado ansiosamente pelas pessoas que gostam de rir de piadas do nível &#8220;é um funcionário do escritório&#8221;.</p>
<p>- Quem será? Hehe&#8230; É a dona Mercedes.</p>
<p>Pereira fez a piadinha que todos esperavam, por mais ridícula que ele a considerasse. Abraçou a dona Mercedes, que, apesar do epíteto &#8220;dona&#8221; e do nome de velha era uma estagiária formosinha de 18 anos. Sorriu mais uma vez para as pessoas que aplaudiam o final do amigo oculto e se posicionou rapidamente em localização estratégica próximo à mesa da pretensa ceia.</p>
<p>Comeu, bebeu e, já satisfeito e empanturrado, se despediu de todos, aliviado por ter sobrevivido a mais uma confraternização de Natal. Porém, Pereira estava decepcionado. Ele novamente não teve coragem de fazer o que desejava há dez anos e que, se reunisse <em>cojones</em> suficientes, faria finalmente no ano que vem: mataria cada colega de trabalho de maneira cruel e desumana, empalaria seu chefe diante da porta de entrada do escritório, serraria com vida o FDP que deu pra ele o CD do Bonde do Tigrão e se refestelaria com a carne macia da dona Mercedes devidamente assada como se fosse um chester gigante. Papai Noel ficaria orgulhoso.</p>
<p>Ah, sim&#8230; Feliz Natal para todos!</p>
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		<title>Um bate-papinho infantil</title>
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		<pubDate>Mon, 11 Oct 2010 18:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Será que as crianças se importam se os pais são gordos ou sarados?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-14359" title="&quot;Le Méchant garçon&quot;, de Vilhelm Pedersen (domínio público)" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/criancas1.jpg" alt="" width="250" height="262" />- Filho de elefante! Filho de elefante!<br />
- Ei! Meu pai não é elefante, ele é gente!<br />
- Meu pai que disse que seu pai é elefante porque é mais gordo que um porco.<br />
- É porco ou elefante?<br />
- Sei lá, não entendi direito.<br />
- Vou mandar meu pai bater no seu pai!<br />
- Vai nada! Vai nada! Meu pai bate no seu pai porque meu pai é mais forte que seu pai!<br />
- Meu pai é o mais forte do mundo, tá?<br />
- É nada! Ele é gordão!<br />
- Gordão é você, seu chato!<br />
- A barriga do seu pai é grande! Meu pai não tem barriga grande, ele é forte!<br />
- Ah, é? Ah, é?<br />
- É.<br />
- Tá. É grande. Mas eu gosto da barriga do meu pai, tá?<br />
- Meu pai é mais forte que o seu, que só tem barriga!<br />
- E você por acaso consegue dormir na barriga do seu pai? Consegue? Hein?<br />
- Não&#8230;<br />
- Então! Meu pai tem barriga fofa que dá pra dormir.<br />
- Mas meu pai vai na academia e é o cara mais forte do mundo todo lá da academia! Seu pai vai na academia? Vai?<br />
- Não. Ele fica em casa brincando comigo.<br />
- Brincando com você? Pai pode brincar?<br />
- Seu pai não brinca?<br />
- Sei lá. Ele fica fazendo evêr&#8230; essêr&#8230; ejercício, eu acho&#8230;<br />
- É exercício, seu burro!<br />
- Sei lá. Só sei que ele fica fazendo isso lá em casa e é o mais forte de todos os pais porque fica fazendo isso!<br />
- O meu brinca comigo. Eu gosto. Gosto também quando ele me leva no McDonald&#8217;s.<br />
- Isso faz mal! Meu pai só me dá legume porque eu vou ficar forte que nem que ele é!<br />
- Legume? Credo! A mamãe manda eu comer, mas eu não gosto. Meu pai que é legal e me dá chocolate e hambúrguer. Só que ele diz que eu tenho que comer mode&#8230; moderadicamente, eu acho.<br />
- O que é moderadica&#8230; isso aí?<br />
- É pra eu comer o que é gostoso mas também comer o que a mamãe manda pra ficar com saúde.<br />
- Meu pai que nem deixa eu chegar perto de chocolate&#8230; Eu fico triste, mas nem posso chorar porque já sou homem!<br />
- Você tem cinco anos que nem que eu, tá? Pode comer chocolate e pode chorar!<br />
- Posso nada. Meu pai me bate se eu chorar e meu pai diz que não posso ficar gordão se não ninguém vai gostar de mim. Nem ele, tá?<br />
- Todo mundo gosta do meu pai. Ele sempre tá cheião de amigo assim de montão quando faz churrasco, tá?<br />
- Churrasco? Meu pai nunca que fez isso lá em casa. Ele tem amigos lá na academia dele, mas eles só falam de enzercíço&#8230; exercíço&#8230; ah, disso aí!<br />
- Mas ele não faz festa em casa?<br />
- Não.<br />
- Nem tem festa no seu aniversário?<br />
- Quando tem aniversário ele leva eu e a mamãe pra ir no parque a a gente fica correndo e fazendo errercício.<br />
- Meu pai leva eu e mamãe no cinema e a gente come um baldão de pipoca e fica rindo vendo desenho. É legal.<br />
- Meu pai não me deixa comer pipoca. E é só a mamãe que me leva no cinema porque o papai diz que só gosta de filme de po&#8230; porraida, eu acho. E eu sou muito pequeno pra ver.<br />
- Meu pai é mais legal que o seu pai! Nhenhenhéé!<br />
- Mas meu pai&#8230;<br />
- O quê?<br />
- Será que meu pai fica com raiva se eu pedir pra ele virar elefante?</p>
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		<title>9 1/2 horas de horror</title>
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		<pubDate>Mon, 19 Jul 2010 18:00:50 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhe as desventuras de um gordo castigado com o que de pior pode acontecer com alguém em um avião: sentar ao lado de um gordo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-11813" title="Não, esse não sou eu quando pequeno!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordinhovoando.jpg" alt="" width="250" height="137" />Essa crônica também poderia se chamar &#8220;A vingança dos magros&#8221;. De qualquer forma, eu não mereço, pois sempre fui um gordo legal em aviões. Buscava me limitar ao meu espaço, mesmo exíguo, para não incomodar os magros que sentavam a meu lado, mas tudo bem, a roda cármica não olha histórico de bom comportamento.</p>
<p>Tudo começou sexta-feira, quando embarquei em um voo para Portugal. Seriam 9 horas e meia até Porto. Já havia viajado na TAP duas vezes até hoje e sempre tive a sorte de conseguir viajar sem ninguém do meu lado, o que me permitia levantar o braço do banco e ficar um pouquinho mais confortável. Dessa vez não tive sorte, o voo estava lotado. As chances de conseguir viajar sem ninguém a meu lado eram ínfimas. Restava-me torcer para que o companheiro forçado de viagem fosse um magrelo mudo.</p>
<p>Ajeitar-me no banco foi uma tarefa relativamente fácil para um gordo acostumado com o design cruel dos assentos de avião. O primeiro passo é deixar o cinto de segurança sobre os braços da cadeira antes de sentar. Depois, ir já de costas na direção de sua poltrona para, com todo cuidado do mundo, ajeitar-se no pequeno espaço. Em seguida, o cinto deve ser estendido até o limite máximo, a barriga deve ser &#8220;puxada&#8221; e, com sorte, o cinto entra de primeira. Depois, é só ajeitar o tamanho correto e verificar se continua sendo possível respirar.</p>
<p>Enquanto lia sobre a missa de sétima semana do senhor Pica e Pica (sério!) no jornal português oferecido gratuitamente para os passageiros, vejo um gordo bigodudo um tanto esbaforido caminhando pelo corredor. Num rasgo de hipocrisia, comecei a pensar &#8220;Do meu lado não, do meu lado não!&#8221;. Ele sentou do meu lado, claro. E foi aí que cometi meu primeiro erro: Como sempre sou educado e deixo o magrelo ao meu lado se ajeitar, costumo ficar torto para que a pessoa se organize e depois, com a força imposta por meu tamanho horizontal, uso os dois braços. No reflexo, fiz o mesmo com ele, e o maldito gordo tomou conta dos dois braços! Fiquei torto até o fim da viagem.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-11812" title="A obrigatória (e inútil) foto da janela do avião" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/vistadoaviao.jpg" alt="" width="250" height="188" />Na hora de levantar voo, vem o clássico aviso de colocar os assentos na posição vertical. Só que meu banco não levantava de jeito nenhum (acho, inclusive, que posso ter danificado o joelho da passageira de trás quando o encosto de minha poltrona caiu velozmente contra minha vontade). Eu puxava o encosto, mas ele sempre voltava. Depois de uma bronca da comissária de bordo, descobri o que acontecia: como o botão para abaixar o banco ficava do lado de dentro do braço direito da cadeira e eu esmagava ambos os braços com minhas pernas, o botão estava condenado a ficar eternamente pressionado. Tive que ficar torto, quase em pé no limite do cinto de segurança até os avisos de apertem os cintos se apagarem.</p>
<p>O avião finalmente estava corretamente posicionado no ar e as horas começam a passar cada vez mais devagar. A TVzinha diante de mim mostrava o avião praticamente sem se mover. Achei que levaria três horas só para sair do Rio. Para diminuir essa situação, procurei o &#8220;controle remoto&#8221; (um negócio que mistura telefone, seletor de canais e controle de videogame). Olhei para tudo quanto é lado, mas não o encontrava. Finalmente descobri: colocaram o troço na parte de dentro do braço esquerdo. Tive que tirar o cinto e quase sentar no colo do gordo bigodudo (sem querer!) para conseguir pegar o controle. Quase desloquei o braço no processo, só para descobrir que todos os filmes eram grandes porcarias.</p>
<p>Claro que o gordo bigodudo também fez sua manobra para pegar o controle. E quase deslocou o <strong>meu</strong> braço ao fazê-lo. Depois de sobreviver a esse desespero e, com dificuldade, me ajeitar novamente no assento, os comissários entregaram os fones de ouvido. Mais uma vez, procurei o encaixe dos fones nos braços e descobri que, ao invés de colocarem na frente ou em cima, escolheram colocar (adivinhou!) no lado interno do braço. Além dos filmes serem ruins, eu ainda precisaria criar um hematoma em minha coxa para vê-los. Desisti de vez e fiquei ouvindo podcasts.</p>
<p>Estava quase sem espaço para as pernas, mas até conseguia movê-las levemente para os lados. Porém, algum corno que sentou na minha frente, abaixou o banco a toda velocidade e, além de quase perder meus joelhos, minhas pernas ficaram imobilizadas. Achei que teriam que me tirar com uma espátula daquele avião depois que as nove horas e meia de viagem terminassem.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-11810" title="Hora da janta. Muita comida pra pouco espaço de manobra." src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/comidadoaviao1.jpg" alt="" width="250" height="168" />Aí chegou a hora da janta. Depois de lutar por vários minutos contra o encosto do banco que teimava em ficar abaixado, puxei a mesinha, que teve um encontro emocionante com minha barriga. Em resumo, a mesinha não ficava reta. Tive que posicionar a comida de forma que não caísse, já que parecia que eu fazia um piquenique na encosta de um morro bem íngreme.</p>
<p>Não tenho do que reclamar da comida. Foi um franguinho com um molho estranho e pedaços de algo que parece cenoura, arroz, pãezinhos e uma sobremesa que podia passar por pudim. Já na hora das bebidas, pedi um refrigerante e recebi um copinho minúsculo. Conformado, sabendo que as bebidas sempre são assim, vi o gordo bigodudo pedir uma cerveja e receber uma lata inteira geladinha. Pô! Custava me dar uma lata inteira de Coca-Cola também?</p>
<p>Como estava só com o movimento de um braço e meio, comi de uma maneira que não posso explicar porque todas as comparações que me vieram à mente são politicamente incorretas demais e não quero ser processado. Basta dizer que eu tinha que abaixar a cabeça com a boca aberta enquanto invertia meu braço que segurava o garfo de uma maneira bastante rápida para a comida não cair nesses poucos segundos. Se caísse, só a veria novamente quando o avião pousasse.</p>
<p>O gordo bigodudo comia com mais tranquilidade, já que conseguira ocupar o &#8220;espaço gordo&#8221; antes de mim. E, sem nenhum cuidado, cortava seu pão na minha direção, me cobrindo de farelos. Ele ainda pediu uma segunda cerveja, no que foi atendido! Revoltado, pedi uma segunda Coca. O comissário, bastante solícito, me deu um outro copo. Com refrigerante quente e sem gelo! Enquanto o gordo bigodudo tossia cerveja em cima de mim!</p>
<p>Aí vem a hora de dormir. Não para mim, claro, já que raramente consigo dormir em aviões. O gordo bigodudo ainda lia atentamente seu livro nessa hora, usando meu antebraço como um anteparo não-autorizado para seu livro. Depois, ele resolveu dormir. Colocou um tapa-olhos e caiu num sono profundo rapidamente&#8230; deixando a porcaria da luz de leitura ligada em cima de mim! E a luz só podia ser apagada com o &#8220;controle remoto&#8221; dele, que estava no braço interno. Qualquer tentativa minha de apertar o botão para apagar a luz fatalmente seria entendida como assédio sexual, já que a perna dele cobria todo o aparelho.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-11811" title="Café da manhã (ou pequeno-almoço). Última refeição dos condenados." src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/comidadoaviao2.jpg" alt="" width="250" height="180" />Sem dormir, sem me mover e mal conseguindo respirar, fiquei a madrugada inteira me protegendo dos movimentos do gordo bigodudo durante seu sono (muito medo dele jogar sua cabeça em meu ombro &#8211; felizmente não aconteceu) e olhando o aviãozinho na TVzinha movendo-se milímetros sobre o Oceano Atlântico. Minha maior diversão era calcular mentalmente quantos quilômetros faltavam a cada minuto, comparando minhas apostas com o que aparecia na tela. Não preciso dizer que as horas se arrastaram mais lentas do que uma tartaruga hippie.</p>
<p>Chegou uma hora, porém, que eu precisava ir ao banheiro. Tive que acordar o gordo bigodudo para ele me dar passagem. Levei um tempo enorme para conseguir. Felizmente, ele era espaçoso, mas era relativamente educado e me deu passagem. Estava com tanta dor nas pernas que caminhava de maneira mais bizarra que meu sobrinho, que acabou de aprender a andar. A emoção foi tanta que quase chorei. Depois de fazer xixi, ainda fiquei um tempão no banheiro lavando as mãos só para adiar o momento em que voltaria para meu assento.</p>
<p>Depois de mais um pouco de sofrimento, faltando mais uma excruciante hora para o pouso, resolveram servir o café da manhã (ou pequeno-almoço, já que era um avião português). Mais uns pãezinhos, um salgado com recheio de ricota bem aceitável e uma xícara de café aguado. Novamente, muito farelo de pão jogado em mim pelo gordo bigodudo, mas era o último sacrifício antes de finalmente chegar à prometida terra lusitana.</p>
<p>O avião pousou, várias pessoas levantaram antes mesmo dele parar como se precisassem sair desesperadas quando a porta abrisse (provavelmente eram brasileiros). Esperei o gordo bigodudo sair, peguei minha mochila e saí feliz do avião. Cheio de dor nas pernas a ponto de ter cogitado pedir a cadeira de rodas emprestada, mas fui caminhando pra não correr o risco de empenar o veículo com meu peso. Até encarar a enorme fila do passaporte e a incrível demora na esteira de malas foram alentos diante da visão do gordo bigodudo tornando minha viagem um verdadeiro tormento!</p>
<p>Depois dessa experiência aprendi uma lição para a vida toda. Tanto que torço para que no voo de volta sente um magro ao meu lado, pois assim terei a oportunidade de pôr em prática o que agora sei: Ser a pessoa que incomoda é muito mais relaxante. Só não vou jogar farelo de pão no sujeito porque não desperdiço comida.</p>
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		<title>O gordo, a loura e a seleção</title>
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		<pubDate>Tue, 29 Jun 2010 01:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
		<category><![CDATA[África do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo]]></category>
		<category><![CDATA[Copa do Mundo de 2010]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>
		<category><![CDATA[Seleção Brasileira]]></category>

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		<description><![CDATA[O que aconteceria se um gordo sentasse ao lado de uma gostosa no meio da torcida brasileira na Copa do Mundo da África do Sul?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-10808" title="A gostosa e o gordo" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gostosagordo.jpg" alt="" width="281" height="130" />Johannesburgo. África do Sul. 17 horas e 30 minutos pelo horário de Brasília (pense globalmente, veja as horas localmente). Arquibancada do Ellis Park. No meio da imensa torcida de brasileiros sem nada melhor pra fazer e com muito dinheiro no bolso (menos, depois de pagar pra viajar isso tudo só pra ver futebol), um típico gordo senta ao lado de uma típica gostosa.</p>
<p>Crônicas trabalham com estereótipos, tá bom?</p>
<p>- Olá, lindeza!<br />
- Hmpf&#8230;<br />
- Meu nome é Jorjão. E o seu, princesa?<br />
- Aninha, mas não vem com intimidade não, mané.<br />
- Poxa, só estou puxando conversa. Afinal, somos dois brasileiros num país distante, né?<br />
- Se você quer brasileiro, por que não conversa com esses malucos sem camisa do seu lado? Ou com aquelas velhas de cabelo verde e amarelo ali atrás?<br />
- Sinceramente, prefiro bater papo com uma gatinha de top e shortinho. Você é da torcida organizada?<br />
- Cara, sai pra lá. Eu quero ser filmada pra dar partida na minha carreira de modelo. Ou atriz, depende do que pintar primeiro. Mas ao lado de um gordo com chapéu de chifres e&#8230; isso é uma toalha?<br />
- É minha capa mágica do amor. Eu sou um super-herói, sabia?<br />
- Supernojento, tá? Olha, cala a boca que o jogo está começando! Vai, Elano!<br />
- Er&#8230; O Elano não joga hoje&#8230;<br />
- Sim&#8230; hehe&#8230; me confundi&#8230; Mas aquele ali é o Robinho, né?<br />
- É o Kaká&#8230; mas eles são parecidos, não se esquenta, qualquer um poderia confundir.</p>
<p>&#8230;</p>
<p>- Gatinha, já faz mais de meia hora que a gente tá aqui, juntinho&#8230; Que tal a gente se confraternizar?<br />
- Sai pra lá, Senhor Barriga!<br />
- Ei, o que é isso na sua bochecha?<br />
- O quê?<br />
- Caramba&#8230; Acho que caiu uma coisa esquisita aí.<br />
- Tira! Tira! Não posso aparecer na TV com sujeira na cara! Tira!<br />
- Já vou tirar&#8230; SMACK!<br />
- Seu porco! Você me beijou&#8230; ei&#8230; por que o povo tá gritando?<br />
- É gol! Goool! Goooooool!!!<br />
- Gooooooool!!!<br />
- Vem cá dar um abraço!<br />
- Diz tchau pras tuas bolas, neném!<br />
- AAAAAAAAAAAAIIIIIIIII!!!!!!<br />
- Gostou, palhaço?<br />
- mmm&#8230;<br />
- Hein?<br />
- mmmmm&#8230;<br />
- Fala mais alto que eu não escuto com essas vuvuzelas do inferno!<br />
- Chega perto&#8230;<br />
- Machuquei muito?<br />
- SMACK!<br />
- PORCO!<br />
- AAAAIIII!<br />
- GOOOOOOLLLL!!!</p>
<p>&#8230;</p>
<p>- Er&#8230; Aninha&#8230;?<br />
- Você de novo? Quer mais um chute?<br />
- Não&#8230; eu&#8230; queria pedir desculpas&#8230;<br />
- Tá desculpado, agora sai da reta.<br />
- Mas&#8230; Você notou que das duas vezes que te beijei o Brasil fez gol?<br />
- E o que você quer dizer com isso?<br />
- Será que isso não deu sorte?<br />
- Tá bom. Pra cima de mim&#8230;<br />
- Pensa bem&#8230; Vamos fazer um combinado? Eu te dou um beijo&#8230; selinho, juro, de levinho&#8230; Se o Brasil fizer outro gol tá comprovada a teoria e você ainda pode ser a heroína do jogo&#8230;<br />
- Hmmm&#8230; Estou confusa&#8230;<br />
- Deixa as ideias comigo, fofa. Aposto que até o Robinho desencanta com uma bitoquinha.<br />
- Bom&#8230; De leve, tá?<br />
- Claro. Smack&#8230;<br />
- Gol? Gool!? GOOOOOOLLLL!!!!!<br />
- GOOOOOOOLLLLLLL!!!!!!!!!! Agora vem cá pra goleada!<br />
- Três a zero tá bom demais! Sai pra lá!</p>
<p>&#8230;</p>
<p>- Droga! O jogo acabou e eu não apareci na TV! Acho que vou usar um top menorzinho no próximo jogo! Será que é muita apelação eu ficar sem camisa?&#8230;<br />
- Bom, Aninha. Apesar dos seus chutes em meus acessórios, valeu pelos gols do Brasil&#8230; se é que você me entende&#8230;<br />
- Nem o pentacampeonato me faz te beijar de novo!<br />
- O Brasil tá em busca do hexa&#8230;<br />
- Que seja! Se você acha que eu vou beijar um gordo melecudo só pro Brasil fazer uns golzinhos, tá muito enganado!<br />
- Você que sabe. Pena que, se Brasil perder pra Holanda, ninguém vai querer mais saber das torcedoras brasileiras, já que o Brasil vai voltar pra casa e as holandesas vão dominar!<br />
- As&#8230; holandesas&#8230;?<br />
- Pois é. As holandesas. Loironas, gostosonas, enormes, peitudas&#8230; Ô, loucura&#8230;<br />
- Elas vão aparecer&#8230; e as brasileiras vão sumir&#8230;?<br />
- Já teve até holandesa presa por usar minissaia&#8230; Foram notícia no mundo todo&#8230; Não tem pra ninguém&#8230; Boa sorte, então!<br />
- Ei, Jorjão&#8230;<br />
- Opa! Fala, coração?<br />
- Olhando bem, você não é tão gordo nem tão melecudo assim. Não quer dar um pulinho no meu hotel pra garantir uma goleada brasileira por antecipação?</p>
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		<title>Parada do Orgulho Gordo</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Jun 2010 20:00:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[fat pride]]></category>
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		<description><![CDATA[Uma crônica sobre a tentativa de criação de uma "Parada do Orgulho Gordo". Será que os gordinhos conseguem fazer um evento tão grandioso quanto a Parada do Orgulho Gay?]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/paradadoorgulhogordo.jpg" alt="" title="Parada do Orgulho Gordo" width="250" height="156" class="alignright size-full wp-image-9782" />- Marcão! Marcão!<br />
- Credo, Cléber, você tá todo esbaforido. Senta aí no sofá e pega uns salgadinhos pra tomar fôlego.<br />
- Sim&#8230; Ufa&#8230; É que eu estava na internet e li sobre a Parada do Orgulho Gay! Aí tive uma ideia que tinha que compartilhar contigo!<br />
- Er&#8230; Bom, cara, a gente é amigo e eu&#8230; bem&#8230; te apoio em qualquer decisão sua. Bem que eu desconfiava mesmo&#8230;<br />
- Do que você tá falando, mané?<br />
- De você querer virar uma bicha gorda, oras.<br />
- Ei! Eu sou espada, tá bom?<br />
- Ficou com medinho de assumir, é?<br />
- Para de palhaçada. Eu estou falando de uma ideia pra divulgar nosso clube!<br />
- Clube, não! Associação dos Gordos de Raiz! Criamos essa instituição para defendermos o direito dos gordos perante a sociedade! É muito mais que um reles clube!<br />
- Tá&#8230; Mas ao invés de brigarmos por maiores cadeiras no transporte público ou uma legislação antipreconceito, a gente fica só jogando sinuca&#8230;<br />
- Ei! Eu fico batalhando por isso tudo, sim!<br />
- Escrever piadas de magros no Twitter não conta.<br />
- Mas, diz aí, qual a sua ideia, afinal?<br />
- É o seguinte: A Parada do Orgulho Gordo!<br />
- E&#8230;<br />
- Como &#8220;e&#8230;&#8221;? A gente podia criar a Parada do Orgulho Gordo! Convocar os gordinhos do Brasil todo para desfilar na avenida Paulista, com carros alegóricos, celebridades gordas e tudo o mais!<br />
- Avenida Paulista&#8230; Ela é muito comprida. Metade do povo ia morrer do coração no meio do caminho e o resto ia desmaiar pouco depois. Aí, o orgulho ia pro saco.<br />
- Hmmm&#8230; Podemos fazer a parada em um trecho menor&#8230; Talvez com um show lá pelo meio da avenida pra justificar&#8230;<br />
- Um show vazio porque o público ia correr para as lanchonetes lá de perto ao invés de ficar de pé embaixo do Sol.<br />
- Você está generalizando&#8230;<br />
- Estou? Então me responde: Se você estivesse em pé, suando que nem um porco depois de ter caminhado vários quilômetros num calor ferrado e ainda esmagado no meio de uma porção de gordos na mesma situação, o que você faria?<br />
- Eu&#8230; Bem&#8230; Tá bom, tá bom. Ia correr pro primeiro ar condicionado que encontrasse.<br />
- Viu?<br />
- Mas é só marcar para a noite&#8230; Ou no inverno! Taí! São Paulo fica bem fria no inverno e ninguém ia suar tanto!<br />
- E a imprensa?<br />
- Como assim?<br />
- Um evento desses só atinge seu objetivo se a imprensa comparecer.<br />
- Claro que a imprensa vai aparecer.<br />
- Marcão&#8230; Não seja ingênuo. A imprensa não valoriza os movimentos antipreconceito. Tirando eventos já consagrados, tipo o próprio Orgulho Gay, ela só aparece em dois casos: Mulher gostosa com pouca roupa ou bizarrice!<br />
- Mas tem muita gordinha gostosa!<br />
- Sim. Mas você quer fazer no inverno, aí elas vão ficar com muita roupa. O ideal seria que elas mostrassem decotões generosos.<br />
- Que coisa machista!<br />
- Estou sendo realista. Sem gostosas de pouca roupa sobra o bizarro. E o que você acha que a imprensa vai falar de um bando de gordo andando ofegante na avenida Paulista à noite com churros e pipocas comprados nas centenas de barraquinhas que vão aparecer por lá?<br />
- Você é muito pessimista! E preconceituoso! Quem disse que os gordos vão estar carregando comida?<br />
- O que tem no seu bolso?<br />
- Er&#8230; Umas barrinhas de cereal&#8230; pra matar a fome&#8230; no caminho da minha casa até aqui&#8230; mas&#8230; Tá, desisto.<br />
- Onde você vai?<br />
- Vou entrar no Twitter para contar piadas de magros&#8230;<br />
- Agora, sim! Uma batalha sólida por nossa causa! Estou orgulhoso!</p>
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		<title>Salta uma luz com nada no capricho!</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/05/31/alimentar-se-de-luz-pessoas-que-nao-comem/</link>
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		<pubDate>Mon, 31 May 2010 20:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<description><![CDATA[Comer luz (ou nem comer nada) é uma mania que está ganhando cada vez mais adeptos. Claro que isso não é levado a sério na coluna "Gordo de Raiz".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-9532" title="Apetitoso, não?" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/luz.jpg" alt="" width="250" height="134" />Comer luz. Ou cuspe seco do céu da boca. Ou talvez simplesmente&#8230; nada! Não estou falando de anoréxicos tarja preta, mas de pessoas relativamente&#8230; bom&#8230; não dá pra usar o termo &#8220;normais&#8221;, até porquê pessoas normais não conseguem ficar mais do que 30 dias sem comer (meu limite são 30 minutos).</p>
<p>Só que tem gente por aí que garante que não come nada faz tempo. Um indiano maluco ganhou destaque na mídia há algumas semanas porque <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/04/100430_india_comida_storypage_dg.shtml?s" target="_blank">não come nem bebe nada há anos</a>!</p>
<p>Ele se chama <strong>Prahlad Jani</strong> e é um líder religioso da tradição jainista, que garante que não precisa comer graças à meditação. Um grupo de médicos vem monitorando o sujeito 24 horas por dia e, claro, o exército inidiano já está de olho pra descobrir a &#8220;técnica&#8221; e criar soldados que não precisam comer (embora eu não consiga imaginar um batalhão parando pra meditar antes de sair fuzilando os inimigos por aí).</p>
<p>O tal Jani não é o único caso! Tem gente que vive por aí jurando que se alimenta de luz! E não é a <a href="http://letras.terra.com.br/chico-buarque/45117/" target="_blank">criançada de Brejo da Cruz</a>, mas uma galera que jura ter abandonado o materialismo para se unir à consciência coletiva de não sei das quantas parando de comer pra contemplar uma vida de espiritualidade e aversão ao ego dos seres humanos defeituosos. Ou algo assim.</p>
<p>Outra técnica é usar uma tal secreção natural que seria produzida pela glândula pineal e cuja descrição lembra um cuspe seco acumulado no céu da boca. Não me pareceu muito apetitoso.</p>
<p>O curioso é que tem muita gente na internet que se orgulha de não comer. São menos xiitas que alguns vegetarianos, já que não querem obrigar ninguém a abandonar a alimentação. Tudo bem que só eles são seres elevados, ao contrário de todos nós, comedores compulsivos de um grão de arroz por dia ou de um hambúrguer por hora, que somos criaturas pouco evoluídas. Mas posso conviver com isso.</p>
<p>Tudo bem que os mesmos sites que defendem que comer luz é saudável também dizem que <a href="http://www.vivendodaluz.com/PT/articles/bra.html" target="_blank">sutiãs causam câncer</a> e que a <a href="http://www.vivendodaluz.com/PT/articles/water_article/index.html" target="_blank">água tem sentimentos</a>.</p>
<p>- Por que você está jogando a água pelo ralo, Cristina?<br />
- A água estava sofrendo nessas garrafas de plástico, Júlio! Ela precisa se libertar!<br />
- Hein?<br />
- A água tem sentimentos!<br />
- Er&#8230; Tá&#8230; Mas ainda precisamos beber água, criatura. Sentimental ou não.<br />
- Não precisamos!<br />
- Tá maluca?<br />
- Que nada! Nunca estive tão racional! Queimei meus sutiãs, estou salvando a irmã água e vou tirar toda a comida da geladeira!<br />
- Que viagem é essa?<br />
- É uma viagem transcedental e evoluída! Galguei mais um passo rumo à evolução e você vem comigo! Vamos parar de comer esses objetos sólidos inferiores e materialistas!<br />
- Mas&#8230; Como a gente vai sobreviver, mulher?<br />
- Vamos comer luz!<br />
- Comer&#8230; luz&#8230;?<br />
- Andei pesquisando na internet e descobri que comer luz é o <em>must</em> da hora! Todo mundo faz isso, Júlio! Até umas atrizes globais, pelo que andei sabendo, mas elas não podem confessar porque a indústria dos alimentos está ameaçando suas famílias!<br />
- Sei&#8230;<br />
- Sim! A mesma indústria que não deixa divulgarem que sutiã dá câncer pra continuar vendendo <em>lingerie</em>!<br />
- Claro&#8230; Assim como celular broxa e papel A4 é um simbolismo satânico&#8230;<br />
- Bom saber que você também andou pesquisando!<br />
- Ironia, por que morreste?<br />
- Quê?<br />
- Esquece. Mas, diga aí, a gente vai viver só de luz agora, é isso? Nem um pãozinho com leite?<br />
- Nem pensar! Pão estraga os ossos e leite gera eritroblastose fetal!<br />
- Ai ai&#8230; Bom&#8230; Já que não tem jeito, posso pelo menos te pedir uma coisinha?<br />
- Claro, querido.<br />
- Posso comer minha luz com catchup e mostarda?</p>
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		<title>Gordo Kid: reminiscências de uma infância farta de alegria</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/04/18/gordo-kid-reminiscencias-de-uma-infancia-farta-de-alegria/</link>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 18:00:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Convidado</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo Convidado]]></category>
		<category><![CDATA[circo]]></category>
		<category><![CDATA[Circo Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[infância]]></category>
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		<description><![CDATA[Acompanhe o relato de Marcelo Salgado sobre um episódio marcante de sua infância envolvendo o saudoso Circo Garcia e o McDonald's.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1733" title="Gordo Convidado" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordo_convidado.jpg" alt="Gordo Convidado" /></p>
<p><em>Episódio I – Hambúrguer et circences</em></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8474" title="Circo Garcia" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/circogarcia.jpg" alt="" width="250" height="266" />O Circo Garcia faliu e desarmou sua última tenda no final de 2002. Um fim melancólico, embora anunciado, de um dos mais tradicionais grupos de espetáculos circenses do mundo, que teve seu auge entre as décadas de 1950 e 1960, importando artistas e exportando shows. No final da década de 1980 as coisas já não andavam tão bem, mas foi com olhos deslumbrados que aquele menino boquiaberto via uma enorme tenda azul e vermelha armada próximo ao terminal da Barra Funda, em São Paulo. Esse menino surpreso e ansioso, caminhando de mãos dadas com sua mãe e seus dois irmãos igualmente ansiosos em direção ao circo, era eu.</p>
<p>Aquela tarde foi mágica. Foi também engraçada e surpreendente. Nunca havíamos visto animais tão enormes e selvagens. O fato de estarem totalmente domesticados e inofensivos só seria revelado anos mais tarde, o que conferia àquela visão infantil certa aura de perigo e aventura. Os palhaços faziam rir com uma facilidade tamanha que jamais conseguiriam hoje. O picadeiro nem era tão grande, mas era infinito aos nossos olhos. Guardo até hoje uma pequena foto – que foi caríssima à época – colada no fundo de um pequenino cone de plástico, cuja extremidade mais fina possui uma lente, para que se aproxime do olho e a foto se amplie.</p>
<p>Terminado o espetáculo, era chegada a hora de comer. Era a primeira vez que minha mãe nos levava para um passeio e para comer fora. Nunca passamos fome, mas nossa infância foi marcada por dificuldades financeiras e por vontades não saciadas, o que sempre machucou muito minha mãe. Era, portanto, uma questão de orgulho pessoal para ela e tudo estava correndo bem até ali. Fizemos mais uma caminhada até o McDonald’s da Avenida Pompéia, um dos mais antigos da cidade, onde atualmente também está o imponente Shopping Bourbon, mas que há época abrigava o parco e falecido Shopping Boulevard. Hoje, acredito que isso tenha se perdido um pouco, mas naquela época, o McDonald’s era dotado de uma aura ainda mais mágica que a do circo. Comer lá era praticamente um evento. E tinha tudo para ser a tarde mais perfeita de nossas curtas vidas até ali e a realização de minha mãe, não fossem os inesperados e altos preços dos lanches que ficaram ainda mais impraticáveis depois que compramos aquela foto caríssima no circo.</p>
<p>Eu sou o irmão mais velho e já àquela altura compreendia algumas coisas e sofria com minha mãe. Meu irmão do meio ainda não tinha essa consciência e, influenciado que estava pela acachapante e massiva inserção comercial do novo Quarteirão com Queijo, não abriu mão de pedi-lo. A única forma de fechar essa equação era mamãe deixar de comer e eu e meu irmão caçula comermos o hambúrguer simples. Aquilo teve um peso tão grande e frustrante para minha mãe e para mim, que ficou marcado em nossas memórias e, durante um bom tempo, muito mais do que as apresentações no circo.</p>
<p>Quase tudo na vida é cíclico. Uma velha estória oriental conta que um rei abastado certa vez pediu a um sábio uma frase que resumisse a vida. O sábio escreveu a frase, mas o rei não teve tempo de ler e guardou-a. Esse mesmo rei, pouco tempo depois, perdeu seu posto para um opositor e perdeu também suas riquezas, foi expulso de sua terra e virou um mendigo. Foi então que ele teve tempo de ler a frase escrita pelo sábio, que dizia “Não será sempre assim”. O antigo rei juntou suas últimas forças, reuniu amigos, planejou suas ações e, árduos anos depois, retomou seu reino e suas riquezas. Quando finalmente pôde descansar, sentado em sua antiga poltrona de ouro e pedras preciosas, segurando uma taça do melhor vinho daquelas terras, abriu um velho pergaminho e leu: “Não será sempre assim”.</p>
<p>E não foi. Passados alguns anos, aproveitando todo o esforço de minha mãe pela minha educação, entrei numa universidade pública, arrumei um bom emprego e pude satisfazer vontades antigas e melhorar um pouco as nossas condições de vida. Há pouco tempo, quando almoçava na mesma lanchonete citada acima, desta vez sem restrições, comecei a prestar atenção à mesa ao lado, onde uma mulher lanchava com duas crianças. O menino, mais velho dos dois, estava eufórico e em dado momento agradeceu a sua tia – a mulher que acompanhava as crianças – por trazê-los ao McDonald’s, pois sua mãe não tinha dinheiro para isso. A cena me emocionou instantaneamente. Eu me vi ali, na voz do menino.</p>
<p>Foi naquele momento que entendi que pequenas coisas como comer numa lanchonete podem carregar um significado tão grande para uma criança, e percebi que momentos difíceis serão superados e seguidos por momentos melhores e que o que temos de fazer é aproveitar, pois momentos melhores talvez não durem para sempre. Antolim Garcia era filho de imigrantes espanhóis e provavelmente passou por dificuldades quando criança, no início do século passado. No entanto, fundou em 1927, em Campinas, São Paulo, uma companhia circense que chegou a figurar entre as quatro maiores do mundo na década de 1970. Foram mais de 60 anos de sucesso, para poucos anos de dificuldade dos Circos Garcia. Aquele menino gordinho, no final dos anos 1980, poucas horas antes de lanchar com sua mãe e seus irmãos, viu com olhos cheios um de seus espetáculos e aquele foi um momento mágico. Nunca mais deixe de aproveitar os seus.</p>
<table id="gordos" style="border-width: 0px;" border="0" width="100%">
<tbody>
<tr>
<td style="border-style: none; border-width: medium;"><a href="http://twitter.com/marcelosalgado" target="_blank"><strong>Marcelo Salgado</strong></a> é bancário, profissional de mídias sociais, redator, formado em Letras e, com toda essa salada, só poderia mesmo virar &#8220;blogueiro-barra-podcaster&#8221;. Aliás, por falar em salada, sempre foi gordo e nerd, mas só admitiu isso quando virou moda. É o dono do <a href="http://cumecamao.com.br/" target="_blank">Cumêcamão</a>, blog de variedades sobre cultura pop e repositório do <a href="http://cumecamao.com.br/category/podcume/" target="_blank">PodCumê</a>, o podcast que é a segunda casa dos podcasters. Lá se fala de todos os assuntos com muito humor, convidados especiais e vinhetas engraçaralhas que o <a href="http://twitter.com/neto" target="_blank">@neto</a> chamou brilhantemente de &#8220;hiperlinks&#8221;. Marcelo sonha com um mundo onde as pessoas serão julgadas não por sua forma física, mas pelo conteúdo de seu caráter. E se o caráter for proporcional à forma, melhor ainda.</td>
<td style="border-style: none; border-width: medium;"><img class="alignnone size-full wp-image-8471" title="Marcelo Salgado" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/marcelosalgado.jpg" alt="" width="120" height="122" /></td>
</tr>
</tbody>
</table>
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		<title>O tio gordo</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/04/14/tio-gordo/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 01:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
		<category><![CDATA[bebê]]></category>
		<category><![CDATA[criança]]></category>
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		<category><![CDATA[família]]></category>

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		<description><![CDATA[Veja o relato emocionado (e um tanto babão) de Lucio Luiz em homenagem ao primeiro aninho de seu sobrinho e entenda como funciona a mente de um tio gordo.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8384" title="Lucio Luiz, babando seu sobrinho" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tioesobrinho.jpg" alt="" width="275" height="209" />Uma das instituições mais clássicas da família brasileira é o &#8220;tio gordo&#8221;. Comparado com figuras como a &#8220;sogra malvada&#8221; e o &#8220;cunhado chato&#8221;, o tio gordo é praticamente um alento. É aquele boa-praça do qual a gente sempre se lembra quando surge a ameaça das festinhas de família.</p>
<p>O tio gordo é aquele membro da família que, quando a gente é pequeno, ensina os meninos a fazer porcarias gosmentas a as meninas a&#8230; bem&#8230; a fazer porcarias gosmentas também, já que o repertório de ensinamentos não é tão vasto assim e toda criança gosta de guerrinha da catarro, cuspe vai-e-volta, arroto falso e essas coisas saudáveis.</p>
<p>O tio gordo também é aquele que sempre está disponível (embora nem sempre disposto, já que é gordo, pô) para brincar. Não tem cama elástica melhor que a barriga do tio gordo. Nem colo mais aconchegante (talvez o da mãe, mas shopping com praça de alimentação é concorrência desleal).</p>
<p>Pois bem. Eu sou um tio gordo. Hoje, 14 de abril, meu primeiro sobrinho está completando um ano de vida. E eu, como tio babão que sou, precisava falar do moleque.</p>
<p>Antes do Luiz Henrique nascer, meu conhecimento sobre &#8220;ser tio&#8221; se resumia às dezenas de crianças que estudam na escola em que trabalho. Praticamente sou &#8220;tio&#8221; desde que terminei o Ensino Médio (o que faz muito tempo e isso não vem ao caso). Mas ainda faltava ser tio &#8220;pra valer&#8221;, com uma criatura que compartilhasse 25% da minha carga genética (sim, ele está levando meus DNAs adiante, quer queira quer não).</p>
<p>Foi uma alegria quando minha irmã mais velha engravidou. Todos nós ficávamos babando em cima de sua barriga por aquele pequeno feto. Ela precisava usar guardanapo toda hora, era nojento, mas não tinha jeito. Primeiro filho, primeiro sobrinho e primeiro neto, tudo no mesmo pacote.</p>
<p>Daí, o moleque nasceu. Na madrugada de 14 de abril de 2009. Foi a primeira vez que eu pulei da cama morrendo de sono e não xinguei todo mundo. Na verdade, nem deu tempo. Minha irmã me ligou (meu cunhado ainda estava em estado de choque desde o rompimento da bolsa e ela que teve que organizar tudo) e eu pulei da cama direto para o carro. Acordei meus pais, liguei pra minha noiva, avisei até a cachorrinha. Meu sobrinho ia nascer.</p>
<p>E lá vem o garoto. Cara de joelho, pra variar. Mas era uma gracinha. As outras crianças eram todas horrorosas, mas a cara de joelho caía bem nele. Foram alguns meses com medo de segurá-lo e desmaiar, caindo em cima dele. Minha irmã não aceitaria um papelão de volta. Na dúvida, eu ficava sentado no sofá e alguém me entregava o bebezinho. Eu nem me movia.</p>
<p>Lá pelos três meses tudo ficou mais fácil. Ele ficou mais &#8220;durinho&#8221; e já dava pra segurar até pelo pé se fosse o caso. E aí começou a árdua tarefa do tio gordo. Não era trocar fralda (um orgulho do titio, por sinal, é que ele come um quilo e caga três em média), não era dar banho (na prática, ele que dá banho em todo mundo quando está na banheira) nem muito menos dar brinquedo (mesmo sendo o padrinho, criei em todo mundo o hábito de não esperar presentes de mim, embora eu não resista quando vejo algo pro moleque).</p>
<p>Minha maior tarefa era ensinar porcarias gosmentas! E venho cumprindo minhas obrigações com maestria. De cara, ensinei o Luiz a fazer barulhinho de pum com a boca. Para meu orgulho, ele evoluiu o procedimento por conta própria e só faz o barulhinho quando está cheio de baba, encharcando todo mundo. Só tenho que lembrar de orientá-lo que a validade para todos acharem isso bonito é até os dois anos, mais ou menos. Depois, é tapa na orelha.</p>
<p>E um novo gordinho ameaça surgir (já dizem que ele parece comigo, mas sei que é porque ele está uma &#8220;bolinha&#8221;). À medida em que ele vem crescendo, sua alimentação já passou da papinha e chegou ao biscoito Maizena e à sopinha (eca!). Já tentei dar cachorro-quente ao garoto, mas minha irmã faz marcação cerrada e garante que ele perde o tio se eu insistir em alimentá-lo com pedacinhos de Ruffles ou hambúrguer.</p>
<p>Mas minha tarefa não está finda. Ele tem apenas um ano de idade, afinal. Pretendo estar presente em seu primeiro Big Whooper. Faço questão de fotografar sua primeira pizza brotinho de calabresa com mostarda e catchup. Vou chorar quando ele virar pra mim e falar &#8220;Tio, faz pra mim um <a href="http://www.inutiologia.com.br/index.php/2006/02/20/culinaria-inutil-milk-shake-de-alpino/" target="_blank">milk shake de Alpino</a>&#8220;. Não tem como não ser um tio babão de uma criaturinha fofa assim, né?</p>
<p>E a vantagem dele ser meu sobrinho é que posso ficar só ensinando bobagem. Educá-lo é problema da mãe. Ah&#8230; O doce sabor da vingança fraterna&#8230;</p>
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		<title>Um gordo de raiz no spa: o fim!</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/03/24/um-gordo-de-raiz-no-spa-o-fim/</link>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 20:00:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
				<category><![CDATA[Gordo de Raiz]]></category>
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		<category><![CDATA[Um Gordo de Raiz no Spa]]></category>

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		<description><![CDATA[Chegou ao fim a semana de sofrimento e emagrecimento de Lucio Luiz no spa. Confira o relatório final e saiba se valeu a pena.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1422" title="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiz_vinheta.jpg" alt="Gordo de Raiz, por Lucio Luiz" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-7792" title="Salada" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/salada.jpg" alt="" width="275" height="226" />Acabooooooou, acabou! Zéfini! Voltei, agora pra ficar! Game over! E por aí vai.</p>
<p>Minha estadia de uma semana no spa chegou ao fim. Escrevo essas linhas já de volta ao conforto do lar. Ainda resisto bravamente a abrir a geladeira e até peço para que outras pessoas peguem água pra mim só pra não correr riscos, mas estou feliz.</p>
<p>Agradeço aos leitores que deram uma força, torcendo por mim e dando apoio. Agradeço especialmente o carinho incomensurável de todos os filhos de uma cadela vesga cheia de sarna que ficaram enviando fotos de guloseimas para mim. Vocês vivem no meu coração, lá pertinho das artérias entupidas.</p>
<p>O sofrimento não foi totalmente em vão. Perdi oito quilos. Tudo bem que, proporcionalmente, isso não chega a 6% do meu peso, mas já é alguma coisa para eu me convencer de que não perdi apenas sete dias.</p>
<p>Essa última manhã no spa foi relativamente tranquila. Depois de me pesar e receber a tabelinha de quantos centímetros perdi nas cinturas (no plural porque refiro-me à cintura real e à &#8220;cintura de gordo&#8221;, que fica um pouco abaixo do umbigo), tomei meu último café da manhã sofrido.</p>
<p>Como disse ontem, fui convidado a almoçar lá uma última vez antes de ir embora. Apesar de eu querer muito ser indelicado, infelizmente minha mãe me deu educação e eu aceitei. Por falar em mãe, dessa vez consegui fugir da psicóloga, <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2009/07/22/gordo-de-raiz-no-spa-epilogo/" target="_blank">que fatalmente falaria de novo dos meus problemas de depressão congênita</a> (como se psicólogos dessem outra justificativa para tudo que acham que é um problema nos outros).</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-7791" title="Alguma coisa feita com legumes" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/algumacoisacomlegumes.jpg" alt="" width="250" height="214" />Na hora de ir embora, enquanto o portão do spa abria lentamente, lembrei da sugestão dada pelo <a href="http://twitter.com/MauBirochi" target="_blank">Maurício Birochi</a> e gritei &#8220;FREEEEEEEDOM!!!&#8221;. Depois lembrei que isso se seguia a um machado no pescoço, então zarpei na hora antes que quisessem cortar minha cabeça ou, pior, me obrigar a usar saiote de escocês.</p>
<p>A única dificuldade na volta foi ter que acelerar o carro a cada McDonald&#8217;s ou equivalente no caminho. Nos 90 km até minha casa foram umas quarenta lanchonetes, além de dois shoppings. Tinha que dirigir com a barriga implorando por uma batatinha frita e os olhos marejados d&#8217;água.</p>
<p>Mas consegui! Aqui estou, oito quilos mais magro e com a lembrança de todo o sofrimento do spa para me ajudar a segurar a boca e continuar emagrecendo, mesmo que aos pouquinhos. Não vou seguir a mesma dieta do spa porque, em ambientes não isolados, eu desistiria em cinco minutos.</p>
<p>Agora tenho mais certeza que o maior erro de quem quer emagrecer é exatamente esse: abrir mão de tudo o que gosta. Fazendo isso, é impossível seguir a dieta. E, quando se consegue seguir a dieta, a felicidade some (e não me refiro à alegria de comer, mas à felicidade como um todo). A solução é encontrar um equilíbrio entre comer o que se gosta e o que é necessário para perder peso.</p>
<p>Na verdade, isso tudo é pra nunca mais ter que ir ao spa. Meu medo é da próxima vez não me deixarem sair.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-7790" title="Alfafa" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/alfafa.jpg" alt="" width="500" height="187" /></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/tag/gordo-de-raiz-no-spa/" target="_blank">Clique aqui para ler todos os textos da &#8220;série&#8221;.</a></p>
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		<title>Um gordo de raiz no spa &#8211; dia 6: fome até debaixo d&#039;água</title>
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		<pubDate>Wed, 24 Mar 2010 00:15:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No último dia de Lucio Luiz no spa, descubra o que é hidroterapia, saiba como estragar uma piscina e entenda como alguém pode arrotar alface]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-3119" title="Um gordo de raiz no spa" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiznospa.jpg" alt="Um gordo de raiz no spa" />Estou há praticamente uma semana dentro desse spa. Quando saio, é apenas para caminhar, o que não é lá muito agradável. Não que aqui dentro não se caminhe. São caminhadas constantes, seja na esteira, seja no trajeto de 300 metros que circunda o spa, seja na piscina especial para caminhadas com correnteza artificial.</p>
<p>Uma piscina dessas só deveria existir em parque aquático, onde você deita numa boia gigante e pode tirar um cochilo enquanto a falsa correnteza te leva para um relaxamento real. Já aqui, você tem que lutar contra a água a pé, tal qual um boi atravessando um rio bravo&#8230; tá, a comparação não foi das melhores. De qualquer forma, piscina deveria ser algo destinado apenas ao lazer. Mas nada é simples nesse mundo de sádicos onde até inventaram bicicletas ergométricas para usar dentro da piscina. Pois é, <em>hidrospinning</em>. Quando vi a cena pela primeira vez, quase chorei. De medo. Como me estragam uma piscina aquecida colocando o povo pra pedalar lá dentro?</p>
<p>Foi com essa sensação de medo e preocupação que fui fazer hidroterapia. Não tinha ideia do que poderia ser. Uma “terapia na água” não faz muito sentido, já que não consigo imaginar Freud de sunga perguntando para um paciente se ele afogou a mãe. Mas não era nada disso. Essencialmente, hidroterapia se resume a assoprar bolhinhas na água usando um canudinho e a ficar boiando. Pois é. Fiquei fazendo bolhinha na piscina e boiando por meia hora. Ou seja, desde criança eu faço hidroterapia e nem sabia. Tudo bem que eu fazia bolhinhas na água de outro jeito, mas o princípio está presente.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-7763" title="Bolhas d'água feitas na piscina durante hidroterapia" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/bolhas.jpg" alt="" width="265" height="337" />Esse relaxamento inesperado na piscina não foi a única boa notícia do dia. No almoço foi servido rocambole de carne. Tudo bem que era minúsculo (pra variar), mas estava bom. Na verdade, depois desse tempo, minha barriga ronca um pouco menos escandalosamente e esse prato, que me deixaria deprimido no primeiro dia, já me deixa alegre. Contudo, antes que alguém pense que eu estou ficando curado da “gordice crônica”, vale informar um fato que contradiz essa percepção: acordei com azia. Não uma azia normal, comum, ordinária. Uma azia provocada por alface.</p>
<p>Explicando melhor: Desde o primeiro dia venho lutando contra meus princípios e me esforço pra comer salada. Normalmente pego duas ou três folhas de alface e um ou dois tomates, o que é bem menos que todo mundo, mas muito mais do que eu costumava fazer. Além disso, costumo misturar gelatina à salada, como já comentei anteriormente. Mas, ainda assim, é um esforço incrível. O problema é que, nesses seis dias, comi tanta salada (ao menos para meus padrões) que ontem já estava quase botando tudo pra fora. Nem a gelatina ajudava. Eu tentava fazer uma maçaroca de alface na boca e engolir tudo de uma vez dando uma golada no suco pra ajudar a descer, mas isso só me fazia quase botar tudo pra fora. Ainda assim, num esforço hercúleo, consegui comer a famigerada folhagem.</p>
<p>Só que passei mal a noite toda e fiquei arrotando alface por horas. Isso me fez acordar hoje com uma azia desgraçada que persiste, embora mais leve, até agora. Como bem disse <a href="http://twitter.com/msoares" target="_blank">Marcelo Soares</a>, pessoas normais passam mal com feijoada ou bebida e só eu mesmo pra passar mal com alface. Como eu não gosto de feijão e detesto álcool, o Universo deve ter escolhido salada para minha sina alimentar. Menos mal, podia ter sido chocolate.</p>
<p>Mas nada disso importa mais. Amanhã vou embora. Meu <em>check-out</em> é de manhã e, logo depois estarei livre do spa. Quer dizer&#8230; Não imediatamente livre, já que disseram que eu posso ficar para o almoço sem nenhum custo, já que vou estar mesmo por aqui e não tem tanta gente esses dias. Ou seja, não adiantou ter pesquisado no <a href="http://maps.google.com.br" target="_blank">Google Maps</a> as churrascarias mais próximas para fazer a &#8220;reintoxicação&#8221;. Vou ter que voltar pra casa arrotando alface.</p>
<p><a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/rocamboledecarne.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-7765" title="Rocambole de carne com algo verde junto dele no prato" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/rocamboledecarne.jpg" alt="" width="500" height="271" /></a></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/tag/gordo-de-raiz-no-spa/" target="_blank">Clique aqui para ler todos os textos da &#8220;série&#8221;.</a></p>
<p><a href="http://twitter.com/lucioluiz" target="_blank">Clique aqui para acompanhar meu sofrimento em tempo real no Twitter.</a></p>
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		<title>Um gordo de raiz no spa &#8211; dia 5: cebolinha e acelga</title>
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		<pubDate>Tue, 23 Mar 2010 00:00:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Essa coluna não é sobre a piada infame do Cebolinha e da acelga. Na verdade, essa é apenas uma desculpa pra reclamar das verduras que são servidas no spa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-3119" title="Um gordo de raiz no spa" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiznospa.jpg" alt="Um gordo de raiz no spa" />Até hoje eu achava que cebolinha e acelga só coexistiam em piadas infames (não sabe qual é? <a href="http://www.google.com.br/#hl=pt-BR&amp;source=hp&amp;q=cebolinha+acelga&amp;meta=&amp;aq=f&amp;aqi=&amp;aql=&amp;oq=&amp;gs_rfai=&amp;fp=1884744ec2fefca6" target="_blank">vai pesquisar</a>). Só que, finalmente, vi lado a lado as duas verduras. E, inspirado pelo clássico chiste, tentei comer ambas. Muito ruins! Sinceramente, não sei como o Cebolinha pode gostar tanto de acelga.</p>
<p>Os dias estão ficando cada vez mais monótonos. A rotina nunca muda: comer meia maçã, caminhada, comer verduras bizarras, exercícios, comer coisas ruins em porções pequenas, cama. Aqui está praticamente um &#8220;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Feiti%C3%A7o_do_Tempo" target="_blank">Feitiço do Tempo</a>&#8220;, faltando só a marmota. Pra piorar, hoje ainda por cima é uma segunda-feira! Ou seja: Eu deveria estar começando apenas <strong>hoje</strong> essa minha dieta.</p>
<p>Inspirado pela lembrança da cebolinha e da acelga (a piada, apesar de horrível, ficou martelando na minha cabeça por horas) e pela monotonia dos dias, acabei notando que eu estava igual ao Xaveco, o personagem secundário dos quadrinhos que sabe que é secundário e aceita sua sina de ser humilhado até pelos outros secundários. Por coincidência, a camiseta que coloquei hoje era amarela, igual à dele. Tudo bem que não sou louro, mas a outra opção de personagem deprimido que se veste amarelo seria o <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Charlie_Brown" target="_blank">Charlie Brown</a> e eu quero esquecer que meus cabelos estão ameaçando cair.</p>
<p><a href="http://www.monica.com.br" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-7709" title="Cebolinha e Xaveco" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/xaveco.jpg" alt="" width="275" height="205" /></a>Pra completar meu clima xavequiano, o Twitter ainda trouxe a seguinte novidade: Hoje era o <a href="http://search.twitter.com/search?q=%23xavecoday" target="_blank">#xavecoday</a>! Apesar de algumas pessoas acreditarem que a tag era pra dar cantadas sem graça (o que prova que o personagem é realmente um <em>loser</em>), o dia do Xaveco foi criado pelo blog &#8220;<a href="http://porramauricio.tumblr.com/" target="_blank">Porra, Mauricio</a>&#8221; pra homenagear todo mundo que é secundário na vida. E esse marasmo do spa me faz ter essa sensação.</p>
<p>Meu dia só ficou feliz por um momento quando me avisaram que a aula de pilates de hoje seria cancelada. Eu, sinceramente, não gostei da experiência da aula anterior. Pilates é um tipo de exercício muito bizarro, que faz com que a gente se canse absurdamente sem levantar nenhum peso. Se bem que, como o <a href="http://twitter.com/FabricioVaz" target="_blank">Fabricio Vaz</a> me disse no Twitter, a física explica que, quanto mais massa num corpo, mais força é necessária para a aceleração. E o que não me falta é massa.</p>
<p>Além da acelga, também conheci várias outras coisas novas: creme de beterraba, creme de brócolis, creme de espinafre com pedacinhos de espinafre&#8230; Esses cremes parecem monstros disformes que vão crescer no meu estômago e me explodir por dentro depois de se alimentarem de minhas tripas. Mas depois de pensar nessas coisas, volto à realidade e lembro que não sou tão sortudo assim. É uma profusão de sabores imensa passando por minhas papilas gustativas. O problema é que sou um rapaz de gostos simples. Posso comer bife à milanesa com batata frita todo dia que não enjoo. Já creme de couve-flor com pedacinhos de endívia me enjoa. Mais simples que isso não existe.</p>
<p>Por fim, nesse meu quinto dia de spa estou contando os minutos para ir embora. Estou perdendo peso e admito que esse é um lado positivo muito importante, mas quando olho pra minha barriga, tão molinha e tão sem &#8220;sustança&#8221;, fico com medo dela não sobreviver&#8230; Somos tão chegados&#8230; Será o fim de uma era? Acho que não, já que milagres não existem (apesar de muito gordo preferir acreditar em fadas mágicas do emagrecimento ao invés de esforço árduo pra perder peso).</p>
<p>Não me resta muita opção a não ser esperar a hora da janta e comer um pouco mais de acelga. E lá vem a piada de novo me atormentar&#8230; Será que é assim que o cérebro dos vegetarianos funciona? Ai&#8230; Agora, sim, fiquei deprimido&#8230; Que puxa&#8230;</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-7707" title="Acelga" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/acelga.jpg" alt="" width="500" height="181" /></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/tag/gordo-de-raiz-no-spa/" target="_blank">Clique aqui para ler todos os textos da &#8220;série&#8221;.</a></p>
<p><a href="http://twitter.com/lucioluiz" target="_blank">Clique aqui para acompanhar meu sofrimento em tempo real no Twitter.</a></p>
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		<title>Um gordo de raiz no spa &#8211; dia 4: caminhando e andando</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/03/21/um-gordo-de-raiz-no-spa-dia-4-caminhando-e-andando/</link>
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		<pubDate>Mon, 22 Mar 2010 00:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mudando um pouco de assunto (que sempre pende para "comida"), Lucio Luiz relata o outro lado do spa: A queima de calorias via caminhadas e quetais!]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiznospa.jpg" alt="Um gordo de raiz no spa" title="Um gordo de raiz no spa" class="alignright size-full wp-image-3119" />Não aguento mais falar de comida nessa coluna. Tudo bem que estou falando de comida de spa, mas ainda assim é comida. Como estou morrendo de fome e mal cheguei à metade da minha permanência no spa (ainda&#8230;), vou mudar de assunto pelo menos dessa vez. O que não significa que falarei de coisas agradáveis, claro.</p>
<p>Já que comer é ganhar calorias (mesmo que tão <em>pouquinhozinhas</em>), vamos ao outro lado do spa: a <strong>queima</strong> de calorias (eu avisei que não seria agradável). Há diversas formas de queimar calorias por aqui. Temos uma academia de ginástica, piscinas (sendo uma especial pra caminhadas contra a correnteza, mais uma invenção sádica e cruel) e um enorme espaço que nos obriga a caminhar nem que seja um pouquinho (o restaurante fica a quase cinquenta metros do meu quarto, um desespero!).</p>
<p>Mas também temos as caminhadas &#8220;pra valer&#8221; (as que ocorrem <strong>fora</strong> do spa). Como precisava curar o trauma de ter <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2009/07/20/gordo-de-raiz-no-spa-dia-2/" target="_blank">quebrado o braço</a> ano passado durante uma caminhada no <em>Parque Municipal de Petrópolis</em> (na verdade, <strong>antes</strong> mesmo de começar), resolvi encarar a caminhada novamente para ao menos poder dizer que aquilo foi apenas azar (juro que não estava tentando quebrar o braço de novo (e também juro que vou parar de usar parênteses nessa coluna)).</p>
<p>Acordei cedinho nesse domingo. Um tremendo contrasenso, claro, já que domingo é dia de dormir até mais tarde, mas eu não tinha muita escolha já que a caminhada era de manhãzinha e eu precisava comer minha meia maçã no desjejum antes de partir. Pensei comigo: &#8220;Eu não cheguei a entrar na área de caminhada no Parque daquela vez, mas deu pra notar que o trajeto é circular, então posso ir devagar e enrolar o professor de educação física dando menos voltas que todo mundo&#8221;. Ledo engano: Como hoje é domingo, o Parque estava fechado. A caminhada foi na rua. Seria meia hora indo e meia hora voltando. Não dava pra enrolar. Lasquei-me bonito.</p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/teniscommeiadopapodegordo.jpg" alt="" title="O tênis jogado, depois da caminhada" width="270" height="250" class="alignright size-full wp-image-7672" />Como não queria a sensação de ter acordado cedo à toa, fui caminhar com o grupo assim mesmo. De cara, notei duas coisas: Primeiro, os velhinhos têm muito mais energia que eu, já que depois de apenas dez minutos eles já estavam vários passos à minha frente, tendo sumido do meu campo de visão pouco tempo depois. Segundo, apesar de estar com um iPod em pleno volume, me distanciar do grupo e ficar em silêncio, as pessoas não percebiam que esses são claros indicativos de que eu não queria bater papo.</p>
<p>Conversar durante uma caminhada detonaria meu fôlego mais do que já estava detonado. Pra ter uma ideia, depois do primeiro quilômetro meu café da manhã já tinha virado suor e evaporado. Além disso, as poucas conversas que tive com outros &#8220;internos&#8221; se resumiram a temas como &#8220;Quantos quilos você perdeu?&#8221;, &#8220;Qual o grau da sua obesidade?&#8221;, &#8220;Será que consigo manter a dieta fora daqui?&#8221; e coisas do gênero. Falar sobre o terremoto do Chile ou o lançamento de <a href="http://www.submarino.com.br/portal/hotsite-games-godofwar3?franq=277072" target="_blank">God of War III</a>, nem pensar&#8230;</p>
<p>Pra piorar, um pedaço da caminhada foi às margens da rodovia Washington Luiz. Durante esse trecho eu não parava de pensar que era só caminhar mais 30 quiômetros, mais ou menos, e eu estaria no centro gastronômico de Petrópolis, onde existe um restaurante italiano maravilhoso. Nem as pinturas da estrada dizendo &#8220;Devagar&#8221; me ajudavam a parar de pensar nisso, já que eu as entendia como &#8220;Divagar&#8221;. Tá, foi infame, vamos pro último parágrafo.</p>
<p>Ao fim da caminhada, minhas pernas já não me obedeciam, a respiração estava mais difícil do que em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Avatar_%28filme%29" target="_blank">Pandora</a> e eu já havia preparado minha consciência para encontrar o Infinito. Sobrevivi. Meu tênis ficou em um estado lastimável, mas não mais que eu. Da próxima vez, antes de me inscrever para a caminhada vou ter certeza de que ela vai acontecer no Parque mesmo. E vou ter que resistir à tentação de quebrar o braço de novo pra escapar.</p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/estrada_devagar.jpg" alt="" title="Na estrada, caminhe devagar" width="500" height="201" class="aligncenter size-full wp-image-7670" /></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/tag/gordo-de-raiz-no-spa/" target="_blank">Clique aqui para ler todos os textos da &#8220;série&#8221;.</a></p>
<p><a href="http://twitter.com/lucioluiz" target="_blank">Clique aqui para acompanhar meu sofrimento em tempo real no Twitter.</a></p>
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		<title>Um gordo de raiz no spa &#8211; dia 3: santa gelatina</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/03/20/um-gordo-de-raiz-no-spa-dia-3-santa-gelatina/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 00:15:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Lucio Luiz</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Um spa não é feito apenas de coisas ruins. Há acontecimentos agradáveis, como comer gelatina de morango misturada na salada. Sim, isso é agradável. Entenda lendo o texto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordoderaiznospa.jpg" alt="Um gordo de raiz no spa" title="Um gordo de raiz no spa" class="alignright size-full wp-image-3119" />Estou pegando fama de reclamão no <a href="http://twitter.com/lucioluiz" target="_blank">Twitter</a>. Até que eu mereço, já que o que mais tenho feito é reclamar de tudo o que acontece por aqui.</p>
<p>Mas hoje vou me redimir (até porquê o mimizento do <strong>Papo de Gordo</strong> é o <a href="http://twitter.com/eduardo_sales" target="_blank">Dudu</a> e não pretendo tirar o cargo dele). Vou me esforçar pra só falar das coisas boas. Gelatina, por exemplo. A santa gelatina, protetora de todos os enjoados. É a coisa que mais me deixa feliz por aqui.</p>
<p>Explicando melhor: Ando mal-humorado e com sensação de fome por causa das porções pequenas de comida, e isso não é culpa minha. Mas tem algo que pode ser comido à vontade e que todos usam para compensar o vazio no estômago: salada. Só que, pra mim, comer salada à vontade é a mesma coisa que pular de avião sem paraquedas à vontade. Não dá. Impossível. <em>No way</em>.</p>
<p>Em compensação, tem uma coisa que é quase à vontade: gelatina. &#8220;Quase&#8221; porque estamos limitados a cinco potes por dia. Só que é o suficiente para me ajudar a enganar o estômago e, pelo que andei testando hoje, também bastante útil para me ajudar a comer salada. Essa não é a <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/categoria/colunas/pra-cozinha/" target="_blank">coluna do Flavio</a>, mas lá vai a dica culinária: Pegue um pote de gelatina. Pegue um prato de salada. Jogue a gelatina na salada. Coma sem respirar.</p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gelatinaealface.jpg" alt="" title="Gelatina e alface" width="270" height="317" class="alignright size-full wp-image-7650" />Antes que o pessoal duvide ou ache que é um <em>déjà vu</em> do <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2009/02/28/papo-de-gordo-12-assaltando-a-geladeira-receitas-bizarras/" target="_blank">podcast sobre receitas bizarras</a>, a foto ao lado pode comprovar. Um suave alface americano coberto por um pedaço generoso de gelatina de morango. É o que vem me mantendo vivo por esses dias.</p>
<p>De qualquer forma, não tenho muito do que reclamar. Algumas pessoas por aqui estão fazendo exclusivamente dieta líquida. Eu já teria quebrado a clavícula de propósito se estivesse só à base de suquinhos e sopinhas. Pra ter uma ideia do desespero das pessoas, no almoço de hoje uma velhinha da dieta líquida quase roubou meu frango quando me distraí. Sério.</p>
<p>Também não posso reclamar das pessoas que trabalham aqui. A nutricionista, por exemplo, apesar de fazer restrições em relação à quantidade de calorias diárias, é flexível quando eu imploro por alguma alteração. Caso contrário, nessa janta eu teria comido feijão (ou melhor, não teria comido, já que vomitaria na mesma hora) ao invés do franguinho. Todos funcionários são simpáticos e mesmo os sádicos professores de educação física são gente boa fora da academia. Além disso há vários lugares para relaxar, como a piscina (desde que se tome cuidado para não confundir os horários e ir pra lá na hora da hidroginástica, do <em>hidrorunning</em> e do <em>hidrowhatever</em>).</p>
<p>A única coisa triste é que hoje foi o primeiro Dia Mundial Sem Carne que eu não pude comemorar numa churrascaria. Ao menos posso afogar minhas mágoas num pote de gelatina zero. Não é a mesma coisa, mas posso fechar os olhos e fingir que estou comendo uma picanha mal passada ao molho de morango enquanto uma trupe de vegetarianos faz protesto do outro lado da janela&#8230; aiai&#8230; bons tempos&#8230;</p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gelatina.jpg" alt="" title="Gelatina" width="500" height="243" class="aligncenter size-full wp-image-7648" /></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
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