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	<title>Papo de Gordo &#187; Seu Dotô!</title>
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		<title>Papo de Gordo &#187; Seu Dotô!</title>
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		<title>Nerdofilia</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/05/26/nerdofilia-o-dilema-de-quem-nao-sabe-se-e-nerd/</link>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 19:30:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Você é chamado de nerd, mas não se sente 100% integrado à "cultura nérdica"? Leia a opinião de alguém que passa pela mesma situação e aprenda a "relaxar".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><a href="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/tag/semana-nerd/" target="_blank"><img class="alignright size-full wp-image-20819" style="float: right; margin: 10px 10px 10px 10px; cursor: hand;" title="Semana Nerd - Papo de Gordo" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/semananerd.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a>Durante anos, vivi um dilema horroroso: As pessoas “comuns” sempre me chamaram de nerd, mas, vendo meus amigos <em>nerds de raiz</em>, eu sentia que não seguia muito o estilo de vida deles e muitas vezes ficava boiando na conversa quando o assunto era estritamente “nérdico”. Daí, veio a questão: A qual grupo, afinal, eu pertenço? Sou uma cara comum, sem nenhuma característica nerd? Certamente que não! Sou um fanático seguidor de George Lucas que assina no final do e-mail “Que a força esteja com você” e tira foto fazendo a saudação vulcana “Vida longa e próspera”? Não&#8230; não mesmo! Então, <strong>O QUE EU SOU</strong>???</p>
<p>A necessidade de me &#8220;autorrotular&#8221;, fez que eu analisasse com muito critério minha situação “geonérdica” (ou seja, em que parte do mundo nerd eu me encaixo). Isso me levou a criar o termo “nerdófilo”, que seria aquela pessoa que tem admiração por certas condutas nérdicas, como assistir filmes de ficção científica (muitas vezes, repetitivamente), gostar de quadrinhos (embora não leia um há mais de 15 anos) e assistir (e entender) <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/6/23602242/colecao+completa+big+bang+theory++-+as+3+temporadas-+10+dvds/?franq=277072" target="_blank">The Big Bang Theory</a></em>, mas que, no entanto, não vive a &#8220;paixão nerd&#8221; de colecionar <em>action figures</em>, usar uma <em>dogtag</em> de padawan com o seu nome, ter carteirinha de sócio da Liga da Justiça e exibir orgulhoso um uniforme original de <em><a href="http://www.submarino.com.br/produto/6/21507684/dvd+jornada+nas+estrelas+-+a+serie+classica+-+1%C2%AA+temporada-+8+dvds/?franq=277072" target="_blank">Star Trek</a></em> ou um <a href="http://www.submarino.com.br/produto/3/23779264/sabre+de+luz+basico+star+wars+azul+-+hasbro/?franq=277072" target="_blank">sabre de luz jedi</a>.</p>
<p>O nerdófilo está para o nerd como o metrossexual está para o gay. Não é porque o cara raspa o peito e corrige a sobrancelha que será necessariamente homossexual.<img class="alignleft size-full wp-image-20923" title="Sou nerd ou não?" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/nerd.jpg" alt="" width="250" height="263" /> Com esse pensamento, me sinto mais à vontade quando me chamam de nerd ou até mesmo quando os próprios nerds se irritam por precisarem me explicar certas piadas (principalmente as referências a <a href="http://www.submarino.com.br/produto/6/21400047/box:+dvd+lost+-+a+1%C2%AA+temporada+completa-+7+dvds/?franq=277072" target="_blank">Lost</a> ou a histórias em quadrinhos recentes). Eu sou o elo perdido, aquele que entende os (ainda) discriminados nerds e consegue conviver tranquilamente entre as pessoas que se consideram “normais”.</p>
<p>Sei que muitos de vocês podem achar que eu preciso “sair do armário”, vestir minha camisa do Hulk e o boné de Star Wars, andar por aí falando klingon e mandando e-mails para os governantes dizendo que “com grandes poderes vêm grandes responsabilidades”. Outros podem querer que eu largue esse negócio de &#8220;nerdice&#8221; e vista uma gravata e um paletó, me limitando a discutir apenas assuntos do cotidiano como inflação, corrupção, novela das oito e Pânico na TV. Na verdade, nenhuma das duas coisas sozinha teria a ver comigo, mas juntando ambas posso até me sentir à vontade. Por isso mesmo, penso que não pertenço a nenhum dos dois grupos exclusivamente, mas sim “passeio” por eles a depender do humor, da situação e do contexto.</p>
<p>Se você também se sente como eu, nem tanto à água, nem tanto ao fogo, talvez também seja um <em>nerdófilo</em>: Um apreciador da cultura nerd que não se sente obrigado a ser um fiel seguidor dos “dogmas” de Kevin Smith, mas que também respeita e aceita numa boa quem estampa na testa com orgulho essas quatro letrinhas que tanto incomodam os engravatados em sua vidinha cinzenta: N E R D!</p>
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		<title>Apartormento (ou “Por que os médicos vão para o interior”)</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/05/20/cronica-apartormento-ou-por-que-os-medicos-vao-para-o-interior/</link>
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		<pubDate>Fri, 20 May 2011 18:00:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Seu Dotô!]]></category>
		<category><![CDATA[apartamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Confira nesta crônica do Dr. Tapioca todo o sofrimento de quem, depois de um dia de trabalho, vai tentar descansar em seu apartamento...]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-20718" title="Apartormento!" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/apartamentospequenos.jpg" alt="" width="275" height="214" /><strong>21h</strong></p>
<p>Final de um dia estressante no hospital. Depois de duas horas de engarrafamento, você entra com seu carro na rua estreita onde mora e descobre que tem um caminhão da empresa telefônica parado na entrada da garagem do seu prédio realizando &#8220;reparos emergenciais&#8221; em um poste. &#8220;Não tem onde parar sem fechar a rua&#8221;, diz o técnico. Você fica então preso no seu carro por mais &#8220;10 a 15 minutinhos&#8221;. Liga pra namorada tentando passar o tempo, mas, pra variar, o telefone toca até cair e quase consegue ouvi-la dizendo: &#8220;O celular estava na bolsa e eu não escutei&#8221;.</p>
<p><strong>21h30</strong></p>
<p>Ao entrar na garagem, você percebe que a vizinha estacionou ocupando um pedaço da sua minúscula vaga. Do outro lado, está a porta do armário de limpeza e, se parar muito próximo dela, é certo receber uma mossa &#8220;acidental&#8221; do zelador. Por causa disso, você é obrigado a estacionar colado no carro da vizinha (rezando pra ela sair sozinha na manhã seguinte). Também tem que se espremer pela porta do carona. Durante o processo, a alavanca de câmbio lhe acerta as &#8220;jóias da família&#8221; e a dor vai até o umbigo.</p>
<p><strong>21h33</strong></p>
<p>Você encontra no <em>hall</em> do elevador aquele vizinho de quem nem imagina o nome, mas que faz questão de cumprimentá-lo sempre que lhe vê. &#8220;Que coincidência encontrá-lo, doutor! Acabei de receber meu periódico, o senhor poderia dar uma olhada?&#8221;. Você sorri gentilmente e começa a olhar aquela maçaroca de resultados imaginando se o cara trabalha numa usina nuclear para precisar fazer tantos &#8220;exames de rotina&#8221;. No meio do processo, o elevador chega a seu andar e o vizinho segura a porta até você terminar a avaliação, que agora tem como música de fundo um irritante &#8220;piiiii&#8230;&#8221;. Ao final, você conclui que tudo está normal e ele agradece desejando uma boa noite (&#8220;tomara&#8221;, você pensa).</p>
<p><strong>21h40</strong></p>
<p>Já em casa, você &#8220;descasca&#8221; a roupa do corpo e vai direto pro chuveiro. Mais uma vez amaldiçoa o decorador que lhe convenceu que &#8220;diminuir um pouco do banheiro para ampliar o quarto, não vai atrapalhar em nada&#8221;. Queria vê-lo lavar as axilas sem conseguir abrir os braços. Se bem que aquele tampinha magricelo teria que abrir os braços pra não descer pelo ralo!</p>
<p><strong>22h</strong></p>
<p>Renovado e com um pijama bem folgado (os testículos ainda doem), você vai à cozinha procurar o que comer, mas a geladeira parece a Patagônia e, com certeza, nem Jamie Oliver conseguiria transformar meia cebola, três ramos murchos de coentro e uma maçã em jantar. Ao fechar a porta, percebe a lista de mercado que a empregada colocou após você já ter saído pela manhã (&#8220;Obrigado, Miralva&#8221;). A lista é tão grande que poderia ser resumida em duas palavras: &#8220;Comprar tudo&#8221;. A salvação é encontrada na despensa: um envelope de sopa instantânea e um pacote de <em>cream cracker</em> (melhor que miojo). Você come a maçã de sobremesa pra se convencer que fez uma refeição saudável.</p>
<p><strong>22h20</strong></p>
<p>Você checa seus e-mails e percebe que, após excluir as propagandas de Viagra, <em>newsletters</em> dos sites de compra e mensagens com anexos cujos títulos são &#8220;Que lindo!&#8221; ou &#8220;Adorei essa&#8221;, só sobram as faturas dos cartões de crédito. Desistindo da web, liga a TV, mas também percebe que não está interessado em saber quantas pessoas morreram por balas perdidas, quantos mísseis a Coreia do Norte lançou, nem quantos reais o combustível vai subir. O jeito é pegar aquele livro de cabeceira que você está enrolando há seis meses pra terminar e lê-lo até adormecer.</p>
<p><strong>23h05</strong></p>
<p>Você acorda assustado com o telefone tocando na maior altura &#8211; nunca descobriu como diminuir o volume (&#8220;Quem mandou comprar chinês&#8221;). Ao atender, reconhece a doce voz do outro lado da linha: &#8220;Mô, você ligou?&#8221;. Meio zonzo e com a voz embolada, tudo que consegue dizer é &#8220;Deixa pra lá, não era nada, não&#8221; e desliga sem dar tchau. Amanhã vai ouvir um &#8220;Você é grosso no telefone, sabia?&#8221;. Ao tentar dormir de novo, a lembrança de sua mãe lhe colocando na cama vem à mente. Ela sempre dizia: &#8220;Filho, estude bem pra ser médico e ter boa vida&#8221;. Boa noite, mãe.</p>
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		<title>Matuto vai ao médico</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2011/02/12/cronica-matuto-vai-ao-medico/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Feb 2011 17:00:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Uma bela crônica apresentando a visão de um "matuto" indo ao médico de sua cidade.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-18045" title="Matuto vai ao médico" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/matuto.jpg" alt="" width="250" height="333" />Acordo às 5 da manhã e lembro que hoje é dia de ir ao médico. Tomo banho rapidinho e coloco uma roupa mais arrumada. Tem que colocar calça pra ver o doutor, né? Penso se devo ou não tomar café e decido por sair em jejum. Vai que ele pede algum exame, eu já faço logo pra não ter que voltar lá outro dia.</p>
<p>Ando até o centro do vilarejo para pegar a condução para a cidade. No caminho, a brisa matinal, o cheiro de capim molhado e os primeiros raios de Sol por trás da colina são meus companheiros. Ouço o despertar rotineiro da roça: mugido de bois, galos cacarejando e uma cacofonia de piados de tudo quanto é tipo de passarinho. Consigo identificar cada um deles, mas acho mais divertido ouvi-los todos juntos formando um som novo e diferente.</p>
<p>Através da serração vejo o ônibus parado no centro da vila, próximo à igrejinha. Reencontro meus vizinho e amigos, cada um deles com seu motivo específico para ir à cidade hoje. Muitos vão vender o que produzem (feijão, andu, milho, farinha&#8230;), alguns vão ao comércio fazer compras e outros, como eu, vão ao médico. A viagem é rápida, geralmente não dura mais que 40 minutos, a depender das condições da estrada. Para meu azar, e dos outros também, o motor quebra e ficamos mais de uma hora parados enquanto aguardamos outro meio de continuar a viagem. Todos se decepcionam ao ver que o transporte opcional fornecido se trata de um caminhão e temos que ir amontoados na carreta junto com a carga, que no ônibus iria no bagageiro. Alguém agradece a Deus por ninguém ter trazido galinha ou porco e todos riem, mesmo dentro de um pau-de-arara armengado como aquele.</p>
<p>Depois de muito sacolejo e de dividir o suor com os outros, chegamos ao centro da cidade. Vou até a clínica e, devido ao atraso, pego a última senha, já que o atendimento é por ordem de chegada. A recepcionista explica que tentaram fazer por hora marcada, mas o desentendimento entre hora de chegada e hora da consulta criava um problema para a clínica. Tinha gente que chegava às oito, tinha marcado às onze e queria ser atendida logo, aí não pode, né? Eu prefiro assim, quem chega primeiro é atendido logo e que chega por último tem que esperar. Acho mais fácil e mais justo. Pena que eu vou perder o ônibus de volta, que sai às 11 e meia. Vou ter que dar um jeito de voltar pra casa depois, agora o importante é passar pelo médico.</p>
<p>Após esperar umas duas horas, chega minha vez. Eu adoro esse médico! Mesmo cansado e depois de tanta gente, ele ainda me recebe com um sorriso no rosto e pede desculpas pela demora. Outra coisa, ele explica tudo de forma fácil, sem usar aqueles “palavrões” que os outros médicos adoram como dislipidemia e hiperplasia prostática. Com ele eu sei exatamente o que tenho e se é grave ou não. Após me consultar e examinar ele decide que não há necessidade de realizar exames, pois meu último <em>check-up</em> está recente e o que eu estava sentindo ele resolveria rapidamente com uma medicação. Ele ainda disse que esse negócio de fazer exame toda hora é coisa de gente rica e, se o médico não pede, eles acham ruim. Deus me livre! Pra mim, médico bom é assim, consulta e examina, se precisar tirar sangue, tira, senão, passa o remédio e acabou a história.</p>
<p>Saio satisfeito da clínica e vou para a farmácia, mas antes passo na padaria para levar o pão pra casa e fazer uma boquinha, pois a fome tá apertando demais! Já passa da uma da tarde e não tem mais ônibus para a zona rural. O jeito é fretar um carro de praça, mas o problema é que nem todos gostam de fazer viagem para a roça, dizem que é muito longe, suja o carro todo, demora muito e poderiam fazer viagens mais curtas que valem mais a pena. Tive que pagar mais caro para poder convencer o motorista a me deixar no vilarejo, pois não tem estrada até minha casa, só um caminho estreito.</p>
<p>Chego na vila por volta das duas e, com o Sol de rachar, começo a caminhar de volta para casa vendo a beleza das montanhas verdinhas contrastando com o azul do céu sem nuvens. O gado pastando tranquilamente nas encostas, as crianças brincando no açude para espantar o calor e os cachorros correndo atrás das galinhas para que não fujam. Ouço ao longe o canto de um gavião planando baixo à procura de sua presa. De repente, uma leve brisa traz o cheiro de café sendo torrado e percebo que já estou perto. Muita gente diz que é trabalhoso demais morar na roça e ter que se deslocar pra cidade quando se precisa de alguma coisa, mas eu não saio daqui por nada nesse mundo!</p>
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		<title>Fígado gorduroso (não é de comer, seu gordo)</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/12/29/figado-gorduroso-esteatose-hepatica/</link>
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		<pubDate>Wed, 29 Dec 2010 17:00:11 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[esteatose hepática]]></category>
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		<category><![CDATA[Saúde]]></category>

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		<description><![CDATA[Conheça um pouco mais sobre a esteatose hepática, doença também conhecida como "fígado gorduroso".]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-16907" title="Esteatose" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/esteatose1.jpg" alt="" width="250" height="192" />Doença hepática crônica mais prevalente em nosso meio, a <em>esteatose</em>, também chamada de degeneração gordurosa do fígado, tem sido cada vez mais diagnosticada em clínicas e hospitais de todo o mundo. Vários fatores se associam para esse resultado, entre eles o aumento da realização de exames complementares (laboratório e ultrassom) e o avanço das dislipidemias (aumento do colesterol e principalmente triglicerídeos).</p>
<p>O <em>fatty liver</em> (fígado gorduroso), como os americanos costumam chamar, é provocado pelo acúmulo de gordura entre os hepatócitos (células funcionais do fígado) fazendo com que o parênquima hepático fique com aspecto amarelado e todo o órgão cresça em volume, chegando a ficar 1,5 a 4,9 kg mais pesado. Ao ultrassom, o fígado se apresenta mais “brilhante”, com atenuação do feixe sonoro, o que dá um aspecto de <em>dégradé</em> da superfície para as camadas mais profundas. Já ao exame histológico (biópsia) o parênquima hepático demonstra vários círculos brancos, sugerindo depósito de lipídios.</p>
<p>As principais causas da esteatose hepática são obesidade (70% dos pacientes), diabetes tipo 2 e resistência insulínica, dislipidemias (principalmente hipertrigliceridemia, mas também VLDL colesterol aumentado), uso de medicações (quimioterápicos, corticóides, estrogênio, entre outras), alcoolismo crônico e desnutrição (ou dietas com perda rápida de peso).<img class="alignright size-full wp-image-16908" title="Esteatose" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/esteatose2.jpg" alt="" width="250" height="209" /> Todos esses fatores (isoladamente ou associados) promovem um grande depósito de lipídios no fígado, podendo causar inflamação (esteato-hepatite), fibrose e consequentemente cirrose hepática. Achava que só alcoólatra tinha cirrose? Você precisa rever seus valores. Fatores genéticos também têm sido associados à propensão de alguns indivíduos a desenvolver a esteatose, acredita-se que já exista nestas pessoas algum grau de resistência insulínica, o que favoreceria o acúmulo de gordura no parênquima hepático.</p>
<p>Uma grande preocupação dessa doença é o fato de ser praticamente assintomática, apenas sendo percebida pelo paciente quando está muito avançada e já há lesão hepática. Muitas vezes o diagnóstico é feito em exames de rotina ou em ultrassonografias com objetivos diferentes da esteatose (colelitíase, por exemplo).</p>
<p>O combate a essa enfermidade é principalmente direcionado aos fatores de risco, então se deve perder peso, diminuir a circunferência abdominal, reduzir o consumo de álcool e gorduras saturadas, praticar exercícios físicos e controlar os níveis de colesterol, triglicerídeos e glicemia. Em obesos mórbidos, a cirurgia bariátrica contribui para a redução da esteatose. Algumas medicações como a metformina (Glifage®) e o orlistat (Xenical®) têm sido avaliadas como boas opções na diminuição do depósito gorduroso hepático, mas ainda existem controvérsias sobre sua eficácia.</p>
<p>Fique sempre de olho em seus níveis lipídicos, controle o peso (e a gula), pratique esportes, beba com moderação e chute pra longe o sedentarismo, assim você evita que seu fígado se transforme num <em>foie gras</em>.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-16909" title="Esteatose" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/esteatose3.jpg" alt="" width="600" height="224" /></p>
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		<title>KPC e os antibióticos</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Dec 2010 17:00:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Aprenda um pouco mais sobre a bactéria Klebsiella pneumoniae e os antibióticos.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-16912" title="KPC" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/kpc1.jpg" alt="" width="250" height="233" />Nos últimos meses os hospitais brasileiros têm sofrido com o “ataque” da superbactéria <em>Klebsiella pneumoniae</em>, produtora de <em>Carbapenemase</em> (KPC), o que assustou muito a população. Embora o Ministro da Saúde tenha tranquilizado a todos (ou pelo menos tentado) informando que se trata de uma infecção exclusivamente nosocomial que tem atingido “apenas pacientes debilitados” e que com as medidas da Anivsa “a situação vai ficar sob controle” ficam as perguntas: como surgiu essa bactéria, como combatê-la e como impedir que novas superbactérias surjam?</p>
<p>Aula chata de biologia: Bactérias são seres unicelulares microscópicos que podem viver livres ou em colônias na presença de ar (aeróbias) ou na ausência deste (anaeróbias). São muito úteis ao nosso organismo no auxílio à digestão e no controle do pH vaginal,  por exemplo, mas também podem causar grandes infecções e até nos levar à morte. Elas possuem a capacidade de compartilhar informações genéticas através de plasmídeos (estruturas de DNA circulares que são transmitidas de uma bactéria para outra) e essas informações podem conter, por exemplo, a fórmula para resistir a certos tipos de antimicrobianos. É como se uma bactéria mandasse para a outra um e-mail com o <em>cheat code</em> para que ela possa ativar o <em>god mode</em> (galera gamer, um beijo no coração). Daí a preocupação do gene da superbactéria se espalhar e criar uma grande população de microorganismos multirresistentes.</p>
<p>A principal causa da resistência bacteriana é o uso indevido e abusivo de antibióticos. Isso ocorre porque durante muitos anos a venda de antibióticos no Brasil (e em muitos países) não era controlada pelos órgãos de fiscalização e isso estimulava a automedicação e a indicação desses fármacos por profissionais não habilitados. Quando se usa um antimicrobiano por tempo menor que o indicado ou com dose menor que a recomendada isso promove uma seleção dos germes mais resistentes, matando apenas os mais fracos. As bactérias sobreviventes, então, acabam aprendendo a resistir àquele tipo de medicamento e se tornam imunes a ele, necessitando, da próxima vez, lançar mão de uma droga mais potente. Repetindo-se o processo com a nova medicação as bactérias vão ficando cada vez mais resistentes a vários antibióticos e começamos a ficar sem armas para combatê-las, mais ou menos como um Borg de Jornada nas Estrelas (galera trekkie, um beijo no coração).</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-16913" title="KPC" src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/kpc2.jpg" alt="" width="350" height="238" />Recentemente a Anvisa publicou uma nova norma de venda e prescrição de antibióticos no território nacional. Agora, todos os antimicrobianos deverão ser prescritos de forma legível (o mais difícil é isso) em receita de controle especial (branca com um número de controle em cima) em duas vias (1ª via para a farmácia e 2ª via para o paciente) e o responsável pela farmácia terá que registrar a venda no SNGPC (Sistema Nacional de Gerenciamento de Produtos Controlados). Com isso espera-se que diminua a automedicação e o uso indevido desse tipo de fármaco, que no Brasil corresponde a mais de 90 substâncias dividas em várias marcas e laboratórios diferentes. Essas medidas entraram em vigor em 28 de novembro e os fabricantes terão seis meses para incluírem na bula e nas caixas a seguinte informação: &#8220;Venda sob prescrição médica &#8211; só pode ser vendido com retenção da receita&#8221;.</p>
<p>Outra medida imposta pela Anvisa é o uso de álcool gel em todos os hospitais do país (públicos ou privados), mais ou menos como se recomendou na época da Influenza A H1N1, mas dessa vez parece que é definitivo. Desde que eu fiz o curso de controle de infecção hospitalar (tem tanto tempo que nem lembro quando foi) já se falava da necessidade de usar álcool gel em todas as enfermarias, apartamentos, ambulatórios e salas de procedimentos do hospital, mas nunca se exigiu realmente o uso, só se “recomendava”. Infelizmente, o ser humano só obedece quando é obrigado ou multado (vide o cinto de segurança e as cadeirinhas de criança nos automóveis).</p>
<p>Acredito que com essas medidas e com o uso de novas drogas possamos limitar a prevalência da KPC aos pacientes hospitalizados e com doenças debilitantes (câncer e transplantados, por exemplo) e prevenir a transmissão comunitária dela, o que provocaria uma epidemia devastadora para a população. Você também pode fazer sua parte: Sempre que visitar um paciente em um hospital, independente do motivo do internamento (doença, cirurgia, parto etc.) sempre lave as mãos com água e sabão ou álcool gel. Outra coisa que se pode fazer é seguir rigorosamente a prescrição médica em relação aos antibióticos, evite “esquecer” a hora das tomadas e não interrompa o tratamento antes do previsto, se são 7 dias, são 7 dias e não 5. Seja responsável!</p>
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		<title>Caça aos anorexígenos</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Nov 2010 18:00:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Órgãos internacionais continuam proibindo remédios para emagrecimento, como sibutramina e iorcaserin. Saiba como está a situação no Brasil.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img src="http://papodegordo.mtv.uol.com.br/wp-content/uploads/2010/anorexigeno.jpg" alt="" title="Caça aos anorexígenos" width="200" height="240" class="alignright size-full wp-image-15901" />Está cada vez mais difícil tratar a obesidade. Mais três países proibiram o uso da sibutramina (EUA, Canadá e Austrália) e, das três novas drogas em avaliação pelo FDA, duas já foram rejeitadas pelo comitê consultivo da agência (lorcaserin, da <em>Arena</em>, e Qnexa, da <em>Vivus</em>). O Contrave, do Orexigen, ainda deverá ser avaliado em dezembro, mas confesso que não estou otimista.</p>
<p>A <strong>Anvisa</strong> já informou que está acompanhando as agências reguladoras internacionais e suas decisões quanto ao uso e venda da sibutramina, mas até o momento mantém a decisão de &#8220;uso controlado&#8221; do fármaco, que hoje só pode ser adquirido com receita especial B2 (receita azul). O medo é que eles entrem na onda e acabem proibindo a droga aqui também.</p>
<p>A comunidade médica brasileira se posiciona contra essa proibição. A presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), <strong>Rosana Radominski</strong>, afirma que &#8220;se trata de um medicamento eficaz e seguro no tratamento da obesidade, quando bem indicado, respeitando-se as contraindicações. Estão prestando um desserviço&#8221;. <strong>Márcio Mancini</strong>, presidente do Departamento de Obesidade da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, concorda e acredita que a medida é &#8220;absurda&#8221; e tem base meramente política e não científica.</p>
<p>Com tanto entra e sai de medicamentos contra a obesidade, só o Orlistat (Xenical ou Lipblock) ainda não sofre muitas restrições, graças a sua segurança cardiovascular, no entanto os efeitos colaterais diarréicos não são muito agradáveis. No âmbito dos fitoterápicos a novidade do verão é a Caralluma (<em>Caralluma fimbriata</em>), um cacto indiano que dizem reduzir o apetite, acelerar o metabolismo (queimando gordura) e definir a cintura. Acho meio difícil de acreditar. Na verdade, me parece ser mais um modismo de verão para emagrecimento rápido, como foi a porangaba e tantos outros. Como não tem nenhuma comprovação científica, me parece que esse cacto vai ser mais um &#8220;placebão&#8221; vendido a preço de ouro na internet e nas farmácias de manipulação, prometendo emagrecer se &#8220;associado a uma dieta balanceada e exercícios&#8221;.</p>
<p>A sibutramina continua sendo o melhor risco/benefício entre os anorexígenos, desde que bem prescrito e <strong>acompanhado por médico</strong> conhecedor da droga e da patologia tratada. Seguimos na esperança de que novos estudos levem a tratamentos com eficácia comprovada e mínimos riscos e efeitos adversos.</p>
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		<title>Dr. Tapioca responde</title>
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		<pubDate>Fri, 01 Oct 2010 18:00:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Confira a estreia da coluna "Dr. Tapioca responde", na qual nosso médico de plantão vai tirar todas as dúvidas dos leitores sobre saúde.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Volta e meia chegam perguntas interessantes enviadas para o <a href="mailto:dr.tapioca@papodegordo.com.br">meu e-mail</a>. Resolvi selecionar algumas e lançar uma nova coluna chamada &#8220;Dr. Tapioca responde&#8221;. Agora, os leitores do <strong>Papo de Gordo</strong> terão um espaço para esclarecer suas dúvidas sobre saúde.</em></p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-13978" title="Dr. Tapioca responde, por Vinícius Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/drtapiocaresponde_vinheta.jpg" alt="" width="500" height="187" /></p>
<p><strong>Sibutramina afeta a libido? O efeito é reversível?</strong></p>
<p>Sim, a sibutramina pode afetar a libido e até provocar a anorgasmia (ausência ou retardo do orgasmo). Porém, isso é transitório e desaparece após a suspenção da medicação. Se o efeito persistir, informe ao seu médico. Na maioria desses casos, o problema costuma ser psicológico, pois o paciente acaba achando que vai ficar assim pra vida toda e precisa ser convencido que não.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Cáscara sagrada emagrece? Quais são seu efeitos?</strong></p>
<p>Cáscara sagrada (<em>Rhamnus purshiana</em>) é uma planta medicinal com propriedades laxativas. Dizem que, por facilitar a eliminação das fezes, ela diminuiria a absorção de nutrientes e, por conta disso, emagreceria. Contudo, não há comprovação desse segundo efeito.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><strong>Será que existe algum tratamento para engordar? Ouvi dizer que existe um hormônio que faz com que o apetite aumente ou diminua.</strong></p>
<p>Antes de qualquer coisa, você precisa ter certeza que realmente está abaixo do peso (IMC menor que 18,5 Kg/m²). Além disso, caso realmente esteja abaixo do peso, é necessário identificar a causa da magreza (hormonal ou genética).</p>
<p>Existem hormônios tanto que engordam como emagrecem de acordo com as quantidades encontradas no sangue (hormônios tireoidianos, por exemplo). Suas alterações são devidas a hiper ou hipofunção de suas glândulas produtoras (hipófise, tireóide etc.) ou do centro regulador no sistema nervoso central (hipotálamo).</p>
<p>O tratamento da magreza (hormonal ou genética) deve ser sempre acompanhado por um médico, de preferência endocrinologista, pois existem dietas hipercalóricas mal formuladas que podem fazê-lo não só permanecer magro, como ainda podem aumentar seus índices de colesterol e triglicérides, agregando mais um problema ao invés de resolver a queixa inicial.</p>
<p>Usar hormônio, seja lá qual for, só com prescrição médica e na dosagem especificada na receita. O uso incorreto pode causar efeitos desastrosos.</p>
<p>É preciso muita atenção nos tratamentos para engordar, já que, segundo um colega meu, o endocrinologista Macos Túlio, &#8220;é muito mais fácil emagrecer um gordo do que engordar um magro&#8221;.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p><em>Se você tem alguma dúvida sobre saúde, escreva para <a href="mailto:dr.tapioca@papodegordo.com.br">dr.tapioca@papodegordo.com.br</a>. Na medida do possível, responderei seu e-mail e, se sua pergunta for interessante para os demais leitores, será incluída numa futura coluna &#8220;Dr. Tapioca responde&#8221; (os autores das dúvidas não serão identificados).</em></p>
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		<title>A Morte</title>
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		<pubDate>Sat, 21 Aug 2010 18:00:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conheça um lado um pouco mais sério do Dr. Tapioca nessa singela homenagem aos pacientes que ele, infelizmente, já perdeu.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p>Na vida, nem sempre vencemos. Volta e meia sofremos duras derrotas que precisamos aceitar para que possamos aprender com elas. Embora nós, médicos, sejamos muitas vezes vistos como “sacerdotes”, estamos muito longe de sermos deuses e muito menos de possuirmos o poder de controlar a vida e a morte.</p>
<p>Para quem luta diariamente pela vida, aceitar a morte é dureza. Entender que ela faz parte do “jogo” não é fácil e, por isso, peço licença aos leitores para fugir um pouco do estilo usual dessa coluna e desabafar através desse singelo poema que escrevi após perder um paciente muito querido.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>A MORTE</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-12611" title="A Morte" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/morte.jpg" alt="" width="275" height="295" />Todo mundo morre. Eu, você,<br />
A criança que acabou de nascer,<br />
O idoso que está a perecer,<br />
O fumante que se mata sem saber.</p>
<p>Óbito para os estudiosos,<br />
Passagem para os religiosos,<br />
Mau agouro para os supersticiosos,<br />
Só a desejam os desesperançosos.</p>
<p>A morte faz parte do ciclo da vida<br />
Às vezes adiada, jamais impedida<br />
Nos espreita ao longe, escondida<br />
Esperando o momento da partida.</p>
<p>Os medicamentos mudam, a ciência avança<br />
O homem evolui e esbanja sua arrogância<br />
Acha-se deus, mas é apenas uma criança<br />
A morte o destrói, deixando só a lembrança.</p>
<p>A dor que ela causa é insuportável<br />
Deixa a família triste, fraca, vulnerável<br />
Sua mão é firme e sua frieza inabalável<br />
Arranca-nos a alma com destreza invejável.</p>
<p>Perdoemos este anjo, pobre ceifador<br />
Que com seu trabalho causa tanta dor<br />
Mas na verdade é somente um condutor<br />
Que nos leva a um reino de paz e amor.</p>
<p><em>P.S.: Dedico este poema a todos os pacientes a quem não me foi dado o direito de salvar.</em></p>
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		<title>Esse é pra você, seu neurótico!</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/06/05/esse-e-pra-voce-seu-neurotico-estresse/</link>
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		<pubDate>Sat, 05 Jun 2010 20:00:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O mundo de hoje faz com que as pessoas fiquem estressadas com muita facilidade. Veja a opinião de Dr. Tapioca sobre o assunto.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-9684" title="Workaholic" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/workaholic.jpg" alt="" width="250" height="343" />Em minha opinião, a doença do milênio não é a <em>Aids</em>, nem a <em>Influenza A H1N1</em>, e muito menos a <em>obesidade</em>. A doença do milênio é o <em>estresse</em>! O corre-corre, a pressa eterna, o excesso de trabalho com pouco tempo para realizá-lo, o aumento das obrigações e responsabilidades, tudo isso junto tem levado a humanidade a um estado de <em>nervosismo</em> perene. Temos carregado muita coisa nas costas (lá ele) e o peso se faz sentir com as enxaquecas, insônia, palpitações, taquicardias, dores musculares, hipertensão, falta de paciência, agressividade e por aí vai.</p>
<p>Vivemos num mundo de <em>alta velocidade</em>, internet banda larga, correio eletrônico, barbeador elétrico, forno micro-ondas&#8230; Tudo para nos dar mais tempo para nós mesmos. Só que, ao invés de desfrutarmos desse &#8220;tempo extra&#8221;, preferimos vendê-lo ao nosso empregador/contratante acumulando mais funções. O pior é que, se não o fizermos, alguém faz no nosso lugar e perdemos o <em>emprego</em>, sobrando muito mais tempo e bem menos dinheiro. O monstro do <em>capitalismo</em> é insaciável e, por isso, temos que produzir riquezas desenfreadamente, caso contrário vem outra crise mundial e o <em>estresse</em> aumenta ainda mais. Ou seja, nos transformamos em escravos de nós mesmos (nos cobrando cada vez mais) e do mercado duas vezes, pois somos escravizados pela <em>produção</em> (no trabalho) e pelo <em>consumo</em> (quem nunca se apertou pelo menos uma vez para comprar um produto ou equipamento “de marca boa” que tanto almejava?).</p>
<p>A carga horária excessiva por causa da necessidade de aumentar a renda ou pelo crescimento <em>profissional</em> (trabalho + estudo) tem nos levado a apresentar sintomas típicos dos <em>neuróticos</em>, como fobias e paranoia. Vivemos achando que o colega de trabalho quer passar a perna na gente, que o patrão está insatisfeito com o trabalho, que a mulher/marido está “lavando roupa pra fora” e que os vizinhos implicam com a gente. Como mecanismo de defesa, usamos a transferência: dizemos que o colega é um <em>workaholic</em> filho da mãe e não deve ter vida social, pois só pensa no trabalho, que o patrão é um carrasco que deixaria Hitler no chinelo, que a esposa é uma ingrata que não valoriza nosso esforço para botar comida na mesa e que o vizinho é invejoso, gentinha, sem classe, mal-educado, viado e corno (quem é que está implicando agora?). Fazendo-os parecer piores, nos sentimos melhores, mas será que o problema é com eles ou conosco? Quando perdemos a <em>paciência</em> e agredimos verbalmente quem está do nosso lado será que fomos realmente provocados ou não temos mais nem um grãozinho de tolerância?</p>
<p>Outra forma muito comum de demonstrar que o <em>estresse</em> está realmente afetando alguém é a <em>somatização</em> (manifestar um problema psíquico através de sintomas físicos). Queixas como (no popular) dor no peito, falta de ar, “aperto no coração”, tremores nas mãos, secura na boca e “coração disparado” são muito frequentes em pacientes com estafa. Alguns sintomas <em>neurológicos</em>, como amnésia (não aquela de desenho animado que faz o cara esquecer o próprio nome, mas sim esquecer compromissos, obrigações, abrir o armário e esquecer o que ia pegar, etc.), paralisia facial (a boca entorta para o lado) e até perda da fala também ocorrem. E esses pacientes são quem mais se angustiam, pois não aceitam que se trata de um problema puramente psicossocial e acabam realizando inúmeros exames, todos negativos. Inconformados, reclamam do <em>médico</em>, da clínica, do laboratório, dizem que todo mundo é incompetente, já que “não descobre o que é que ele tem”. O problema é que o <em>diagnóstico</em> já está feito, ele que não aceita.</p>
<p>Além de causar problemas, o <em>estresse</em> pode agravar doenças preexistentes como hipertensão, obesidade, diabete, transtornos menstruais, entre outros. Isso dificulta muito o controle dessas mazelas, pois quando o paciente está sobrecarregado no trabalho o <em>médico</em> se vê obrigado a aumentar as doses da medicação para diminuir os sintomas e os riscos de infarto ou AVC. Porém, quando o cara está relaxado, a dose do fármaco torna-se relativamente alta, levando a efeitos indesejáveis e temos que corrigir a prescrição novamente. Isso é péssimo tanto pro médico quanto para o paciente, muitas vezes levando a uma relação difícil entre os dois.</p>
<p>O <em>mundo moderno</em> é um verdadeiro vampiro que nos suga até secarmos, mas para que ele não nos destrua precisamos rever prioridades e moderar nossas tarefas. Temos que avaliar a real necessidade de viver em grandes centros com um trânsito caótico, grades, assaltos e violência. Que tal mudar-se para uma cidade um pouco menor com melhor qualidade de vida? Precisa-se pesar se vale a pena aumentar a renda com uma carga horária incompatível com a vida. Não seria melhor rever os gastos e se adaptar ao seu salário? Saúde é muito cara e paz não tem preço. Reveja seus princípio e pense em você um pouco, só pra variar.</p>
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		<title>Tratamento da obesidade</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 20:15:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Entenda um pouco mais sobre os tratamentos da obesidade e suas indicações para cada tipo de pessoa.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8401" title="Tratamento da obesidade" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/obeso.jpg" alt="" width="240" height="222" />Falamos muito sobre <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/tag/remedios-para-emagrecer" target="_blank">medicações contra obesidade essa semana</a>, tanto que gerou até um <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2010/04/15/papo-de-gordo-39-remedios-para-emagrecer-sibutramina-xenical-metanfetamina" target="_blank">episódio do podcast</a> (que vai ao ar daqui a pouco, às 21h). Para fechar o assunto, gostaria de fazer alguns esclarecimentos.</p>
<p>Em primeiro lugar, é bom lembrar que nem todo mundo precisa usar medicações moderadoras do apetite para emagrecer. Algumas pessoas que só querem tirar gordura localizada podem fazer uso apenas de dieta e exercícios e, às vezes, de alimentos ou suplementos <a href="http://www.corpoperfeito.com.br/ce/termogenicos" target="_blank">termogênicos</a>, que aumentam o metabolismo “queimando” mais rapidamente a gordura. Esses suplementos são mais utilizados por nutricionistas associados à reeducação alimentar.</p>
<p>Cada grupo de medicamento é indicado para cada tipo de pessoa e sua forma de obesidade. A grosso modo, poderíamos dizer que os compulsivos alimentares se beneficiariam com inibidores e moderadores de apetite; para os que já fazem uma dieta regular, querendo diminuir a absorção das gorduras ocultas (aquelas presentes nos alimentos mas que a gente não vê), recomenda-se o orlistate; no caso dos pacientes obesos mórbidos (IMC ≥ 40 kg/m² ou ≥ 35 kg/m² com com morbidades associadas à obesidade), geralmente o tratamento é cirúrgico para evitar os riscos de complicações, principalmente cardiovasculares.</p>
<p>É necessário lembrar que a obesidade geralmente é consequência de fatores genéticos, psicossociais e/ou endócrinos (hipotireoidismo, por exemplo), sendo necessário tratar a causa para não cair no chamado “efeito sanfona”. Por isso se fala tanto em acompanhamento multidisciplinar, que consiste em tratamento médico, reeducação alimentar indicada por nutricionista, terapia com psicólogo e treinamento físico supervisionado por educador físico.</p>
<p>Sempre tenha em mente que cada caso é um caso. O que é bom pro seu vizinho pode ser ineficaz pra você. Se quiser perder peso procure um profissional especializado no assunto e siga corretamente as orientações para emagrecer com saúde e manter o peso ideal, pois obesidade é, em geral, uma doença crônica e seu tratamento deve ser de longo prazo.</p>
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		<title>Usar sibutramina é bom ou ruim?</title>
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		<pubDate>Wed, 14 Apr 2010 00:00:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Saiba o posicionamento oficial de vários órgãos de saúde do mundo todo sobre os prós e contras da sibutramina.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8358" title="Usar sibutramina é bom ou ruim?" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/sibutramina2.jpg" alt="" width="300" height="300" />O interesse sobre a sibutramina vem crescendo muito desde que a EMEA (European Medicines Agency) <a href="http://www.ema.europa.eu/pdfs/human/referral/sibutramine/3940810en.pdf" target="_blank">proibiu o uso, prescrição e comercialização desta substância em toda a União Europeia</a> em 21 de janeiro de 2010. Tudo isso devido aos resultados do estudo SCOUT (Sibutramine Cardiovascular Outcome Trial), que revelou um aumento do risco cardiovascular associado ao uso desta medicação nos pacientes estudados. A FDA (<a href="http://www.fda.gov/Safety/MedWatch/SafetyInformation/SafetyAlertsforHumanMedicalProducts/ucm198221.htm" target="_blank">Food and Drug Admnistration</a>) e a ANVISA (<a href="http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/informetecnico/!ut/p/c5/hY2xCsIwGISfSP5TTDLXik2qJoqDbRZJpYRC2jiI0Lc33UQs3o3fHR9ZSh3cq_Pu2cXBBarI8lteZHItDgD4JocqmObsbFAwlng9y2FWf94lWR9ikzzXyfyxNVIDyojjvjxtAbn84j9ME8dMMpCWsW-pJivmLZzq0Hp3H-nRV-NFLXZvuxU_9A!!/dl3/d3/L0lDU0lKSWdra0EhIS9JTlJBQUlpQ2dBek15cUEhL1lCSlAxTkMxTktfMjd3ISEvN19DR0FINDdMMDBHMTg3MEk4RzVGQlVDMzBWMQ!!/?WCM_PORTLET=PC_7_CGAH47L00G1870I8G5FBUC30V1_WCM&amp;WCM_GLOBAL_CONTEXT=/wps/wcm/connect/anvisa/anvisa/informes+tecnicos/alertas+de+farmacovigilancia/20100128+0001" target="_blank">Agência Nacional de Vigilância Sanitária</a>) também se manifestaram contraindicando a droga para pacientes com história de doenças cardio e cerebrovasculares (infarto, angina, coronariopatias, AVC, insuficiência cardíaca, arritmia, hipertensão descontrolada, doença arterial periférica) ou pacientes diabéticos com sobrepeso ou obesidade com mais algum fator de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia, etc).</p>
<p>Antes de decidir quem está certo e quem está errado, vamos primeiro avaliar o tal do SCOUT. Esse estudo avaliou durante 6 anos cerca de 10 mil pessoas com 55 anos ou mais e história de doença cardiovascular ou diabetes tipo 2 com um fator de risco cardiovascular adicional, ou seja, gente para quem eu (e provavelmente nenhum médico conhecedor dos riscos da droga) prescreveria sibutramina. O risco desses pacientes já era tão alto que 10% dos usuários de placebo apresentaram eventos cardiovasculares graves como infarto, AVC, parada cardíaca e morte. Ainda assim, o estudo comprovou que os pacientes que usaram sibutramina tiveram um aumento de 16% no risco de complicações cardiovasculares em comparação ao grupo controle. Na minha opinião, o SCOUT &#8220;choveu no molhado&#8221;, já que só colocou em números o que já se sabia. Existem outros estudos anteriores que comprovaram a eficácia e segurança da sibutramina, salvo as contraindicações, mas como o SCOUT foi um ensaio clínico maior e mais longo, chamou mais atenção. O ideal era um estudo das mesmas proporções com pacientes obesos sem história de doenças cardiovasculares.</p>
<p>Sabe o que os médicos acham disso? A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM) é <a href="http://www.endocrino.org.br/posicionamento-oficial-sibutramina-obesidade/" target="_blank">a favor do uso racional da sibutramina</a> por médicos com experiência no tratamento da obesidade e convoca os órgãos regulatórios a reforçar a advertência de não utilizar essa substância em pessoas com problemas cardiovasculares graves. A Sociedade Brasileira de Diabetes <a href="http://www.diabetes.org.br/component/content/article/45-noticias-em-destaque/1141-comunicado-sociedade-brasileira-de-diabetes-sibutramina" target="_blank">concorda com a FDA</a> em contraindicar a medicação para pacientes com história de doença cardio e cerebrovasculares, mas acha desnecessária a proibição do uso. A presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Dra. Manuela Carvalheiro, em entrevista à TSF, <a href="http://tsf.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=1476520" target="_blank">afirmou que o estudo SCOUT é contraditório</a>, pois incluiu apenas pacientes que a priori não deveriam utilizar o fármaco e lamentou que a partir de agora os médicos deixem de ter uma ferramenta realmente eficaz no tratamento da obesidade. No site da SBEM há uma enquete para médicos onde mais de 76% admitem que prescreveriam a medicação, pois ela é segura.</p>
<p>Ai vem as dúvidas: A final de contas, sibutramina faz bem ou faz mal? Posso tomar ou não? São perguntas que precisam ser analisadas individualmente e só seu médico pode respondê-las. A minha posição oficial é igual ao da SBEM: pode-se usar sim, mas com manejo clínico de um profissional experiente que conheça a droga, seu mecanismo de ação, seus riscos e benefícios. O importante é nunca se automedicar e <strong>sempre</strong> procurar um médico.</p>
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		<title>Pílulas para emagrecer</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Apr 2010 18:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Conheça os prós e contras dos mais conhecidos remédios para emagrecer, como anfetaminas, sibutramina e orlistate, entre outros.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8274" title="Pílulas para emagrecer" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/pilulas.jpg" alt="" width="275" height="178" />O tratamento farmacológico da obesidade avançou muito nos últimos anos e se popularizou rapidamente. Afinal, quem não quer emagrecer sem fazer esforço? Só que, à medida em que as drogas vão sendo lançadas, vão também surgindo polêmicas sobre seus efeitos colaterais. Algumas são tarjadas como psicotrópicos, outras são tiradas do mercado e há aquelas que são rejeitadas socialmente.</p>
<p>As primeiras substâncias usadas como anorexígenos foram as anfetaminas. Sintetizadas pela primeira vez em 1887, eram utilizadas inicialmente como descongestionante nasal. Elas agem no sistema nervoso central aumentando a produção de noradrenalina e dopamina, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Neurotransmissor" target="_blank">neurotransmissores</a> que agem no centro da fome, localizado no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hipot%C3%A1lamo" target="_blank">hipotálamo</a>. Com isso, inibem o apetite e aumentam a sensação de saciedade. No entanto, também provocam constipação intestinal, insônia, agitação psicomotora, irritabilidade, ansiedade, dor de cabeça, secura na boca, taquicardia, hipertensão e diminuição da libido. Por serem psicotrópicos, podem causar dependência, tolerância (necessidade de doses mais altas com o tempo para manter o mesmo efeito) e crise de abstinência quando interrompido abruptamente. Devido a isso, são medicamentos tarja preta e só podem ser comprados com receita azul, sendo ilegal o uso sem acompanhamento médico adequado.</p>
<p>As anfetaminas mais conhecidas no mercado são a anfepramona (Dualid® e Inibex®) e o femproporex (Desobesi® e Lipomax®). A metanfetamina não é utilizada no tratamento da obesidade devido ao seu grande efeito de excitação e sensação de poder e o alto grau de dependência. As anfetaminas são muito utilizadas (ilicitamente) por caminhoneiros para dirigir durante a noite, chamadas de rebite ou arrebite (a depender da região) e foram usadas durante a 2ª Guerra Mundial pelo exército alemão e na Guerra da Coreia pelas tropas americanas para combater a fadiga da batalha.</p>
<p>Outra droga de ação menos agressiva é o orlistate (Xenical® e Lipiblock®). Ele praticamente não é absorvido e age somente no tubo digestivo inibindo as lipases, enzimas responsáveis pela digestão e absorção das gorduras. Dessa forma, diminui em 30% a assimilação da gordura ingerida, eliminando-a nas fezes. Os efeitos colaterais limitam-se a diarreia, esteatorreia (fezes gordurosas), flatulência com gotículas de gordura (um verdadeiro &#8220;<em>spray</em>&#8221; borrifando a roupa íntima) e cólicas intestinais. Obviamente, esses efeitos variam de intensidade a depender da quantidade de gordura ingerida pelo usuário, obrigando o cidadão a fazer uma dieta hipolipídica rigorosa.</p>
<p>O orlistate ainda beneficia os pacientes com propensão a desenvolver diabete tipo 2, diminuem o risco cardiovascular e reduzem os níveis de LDL-Colesterol (“colesterol ruim”), mas, mesmo sendo uma droga clinicamente segura e confiável, socialmente é rejeitada devido aos efeitos colaterais relatados acima, que embora sejam pouco agressivos à saúde, incomodam muito o dia-a-dia da pessoa.</p>
<p>Atualmente, o fármaco mais utilizado no combate à obesidade é a sibutramina (Plenty®, Reductil®, Sibus®, entre muitos outros, inclusive genéricos). Ela age inibindo a recaptação da serotonina e noradrenalina. Diferentemente das anfetaminas, ela não aumenta a síntese dos neurotransmissores, apenas diminui sua reabsorção. Inicialmente, se pensava que ela fosse ter um efeito antidepressivo como outros inibidores da recaptação da serotonina (fluoxetina, paroxetina, sertralina, etc), no entanto, os estudos não comprovaram sua eficácia nos transtornos do humor, mas sim uma diminuição da ingestão calórica devido a um aumento da saciedade (ação sobre o centro hipotalâmico da fome).</p>
<p>Como efeitos colaterais, apresenta dor de cabeça, secura da boca, insônia, lombalgia (dor nas costas), vasodilatação, taquicardia, palpitações, hipertensão, constipação intestinal, náuseas, dispepsia (queimação no estômago), vertigem, parestesia (dormências), dispnéia, sudorese, alteração do paladar e dismenorréia (transtornos menstruais). Um dado interessante apresentado em alguns estudos foi um número significativamente maior de casos de infecção de ouvido, sinusite e resfriado entre pacientes usuários do medicamento em relação a usuários de placebo, porém esses eventos foram de intensidade leve ou moderada, com duração limitada e sem relação com baixa de defesa do organismo.</p>
<p>A real preocupação da sibutramina são seus riscos cardiovasculares, aumentando em 16% a possibilidade de episódios graves em pacientes com história de doença cardio e cerebrovasculares e em obesos diabéticos com mais um fator de risco cardiovascular (hipertensão, dislipidemia, história familiar). Por esse motivo, foi <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2010/01/27/sibutramina-proibida-ou-nao/" target="_blank">suspenso o uso deste fármaco na Europa</a> e houve um aumento da preocupação dos órgãos regulatórios nos EUA e no Brasil, <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2010/03/30/anvisa-exigira-mais-controle-de-venda-da-sibutramina-jornal-hoje/" target="_blank">ampliando as contraindicações desta droga</a>, sendo que aqui ela só pode ser vendida com receita de controle especial (“receita azul”).</p>
<p>Pra não dizer que eu não falei de Acomplia® (rimonabanto), medicação proibida no Brasil desde outubro de 2008, quero apenas informar que se tratava de uma droga que teve um grande impacto no seu lançamento, mas foi rapidamente tirada do mercado mundial devido a estudos que revelaram que os usuários apresentavam o dobro de risco de desenvolver problemas psiquiátricos, como ansiedade e depressão, comparado àqueles que não utilizaram o produto.</p>
<p>A medicação antiobesidade perfeita, aquela que permite comer tudo e faz emagrecer sem esforço e sem efeitos adversos, não existe. O tratamento ideal deve ser multidisciplinar (com médico, nutricionista, psicólogo e educador físico), individualizado (decide-se o que é melhora para cada paciente) e o uso de medicações deve ser acompanhado de perto por um profissional experiente. Nunca se automedique, os riscos à saúde não compensam os quilos a menos.</p>
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		<title>O post que virou fórum (FAQ sobre sibutramina)</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/04/07/tudo-sobre-sibutramina-perguntas-e-respostas-faq/</link>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 20:30:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tire suas dúvidas sobre a sibutramina, suas vatanges e desvantagens, com o FAQ (perguntas e respostas) especial do Dr. Tapioca.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!, por Dr. Tapioca" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-8233" title="Perguntas e respostas sobre a sibutramina" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/sibutramina_duvidas.jpg" alt="" width="270" height="201" />O excelente <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2009/07/25/sibutramina-os-pros-e-os-contras/" target="_blank">texto do Bruno Mendonça sobre a sibutramina</a>, publicado em 25 de julho de 2009, gera comentários até hoje e se transformou praticamente em um &#8220;fórum&#8221; sobre o uso dessa substância.</p>
<p>Lendo os diversos comentários, Dudu Sales (proprietário deste pardieiro) percebeu que muitas pessoas apresentavam dúvidas que deveriam ser respondidas por uma pessoa altamente capacitada e com vasto conhecimento técnico sobre o assunto. Como não encontrou ninguém com essas qualidades, apelou pra mim mesmo.</p>
<p>Respondi na seção de comentários várias dessas perguntas e como acredito que se tratem de dúvidas comuns a muita gente, resolvi transformá-las em um texto no estilo FAQ (perguntas e respostas).</p>
<p><em>1 &#8211; Se eu parar de tomar sibutramina, volto a engordar (“efeito sanfona”)?</em><br />
R: Se está usando sem orientação, sim. É preciso ter acompanhamento especializado para reeducar a alimentação. Só remédio não resolve.</p>
<p><em>2 &#8211; Sibutramina é tarja preta? Posso comprar sem receita?</em><br />
R: Até 30 de março não era tarja preta, mas só podia ser vendida com retenção da receita. Recentemente, <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2010/03/30/anvisa-exigira-mais-controle-de-venda-da-sibutramina-jornal-hoje/" target="_blank">tornou-se medicação de controle especial (tarja preta)</a> e só pode ser vendida com receita azul.</p>
<p><em>3 &#8211; Sibutramina aumenta a pressão?</em><br />
R: Sim, em alguns pacientes pode haver aumento pressórico. Se você é hipertenso, só pode usar se estiver bem controlado e sob orientação de um médico. É preciso vigiar a pressão e a frequência cardíaca sempre que usar a droga.</p>
<p><em>4 &#8211; Posso comprar sibutramina pra mim com a receita da minha amiga?</em><br />
R: De jeito nenhum! Ao prescrever a medicação para sua amiga o médico fez uma avaliação risco/benefício para o tratamento <strong>dela e só dela</strong>, inclusive com a dosagem ideal <strong>para ela</strong>. Não dá para extrapolar essa avaliação para todos do círculo de amizade dessa pessoa.</p>
<p><em>5 &#8211; Tomando sibutramina, eu preciso fazer ginástica e dieta pra emagrecer?</em><br />
R: Sim, claro. A medicação é um adjuvante do tratamento. É preciso exercícios, dieta e tratamento psicológico para alcançar o objetivo, que é manter o peso ideal sem a necessidade de comprimidos. Ou você quer tomar remédio para o resto da vida?</p>
<p><em>6 &#8211; Quais os efeitos colaterais mais comuns da sibutramina?</em><br />
R: Além da pressão alta (já referida acima), no início do tratamento os pacientes geralmente referem-se cefaleia (dor de cabeça), náusea, tontura, boca seca, sudorese, taquicardia (coração acelerado), constipação intestinal, alterações de humor e insônia. Em geral, esses sintomas desaparecem em torno de 15 dias após o início do tratamento, mas, se persistirem, o médico deve ser informado.</p>
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<p><em>7 &#8211; Qual a dosagem que deve ser usada?</em><br />
R: A depender de cada caso, usa-se de 10mg a 15mg. Estudos mostram que doses superiores a essas só aumentam os efeitos adversos, sem incremento da eficácia. Então, nada de tomar dois ou três comprimidos de uma vez. Você só vai estar se prejudicando. Como sempre, o correto é seguir precisamente a orientação de seu médico.</p>
<p><em>8 &#8211; Quais as contraindicações da sibutramina?</em><br />
R: Hipersensibilidade (alergia ao medicamento), usuário de IMAO (inibidor da monoaminooxidase), passado de bulimia ou anorexia nervosa, gravidez, lactação, hipertensão não controlada, história de doenças cardio e cerebrovasculares e diabete tipo 2, com sobrepeso ou obesidade e ligada a mais um fator de risco para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.</p>
<p><em>9 &#8211; Tem idade certa pra usar sibutramina?</em><br />
R: Sim. A substância ainda não foi devidamente estudada em pessoas com menos de 18 anos e mais de 65 anos. Portanto, deve ser evitada nessas faixas etárias.</p>
<p><em>10 &#8211; Posso beber álcool usando sibutramina?</em><br />
R: É contraditório. As bulas dizem que pequenas quantidades de álcool não afetam o desempenho psicomotor ou funções cognitivas, no entanto deve-se evitar abusos. Eu não recomendo a associação, pois não há estudos que garantam a segurança neste aspecto.</p>
<p><em>11 &#8211; Qual a diferença da sibutramina “de marca”, a genérica e a manipulada?</em><br />
R: Em teoria não há diferença alguma, já que utilizam a mesma substância. No entanto, sabemos que a fiscalização em nosso país é precária e ninguém garante que certas medicações realmente apresentem o princípio ativo na dosagem que informam. Recomendo usar uma boa marca (mesmo no caso de medicação genérica) ou procurar uma farmácia de manipulação de confiança.</p>
<p><em>12 &#8211; Sibutramina causa infarto e derrame?</em><br />
R: Ela aumenta o risco de complicações cardio e cerebrovasculares e em pacientes suscetíveis pode, sim, causar tanto infarto quanto derrame.</p>
<p>Para encerrar, gostaria de dizer que fiquei preocupado com alguns depoimentos de pessoas que não se preocupam de forma alguma com os riscos e que conseguem a medicação de forma ilícita (comprando sem receita em outros países e até mesmo aqui no Brasil), usando sem nenhuma supervisão profissional e baseadas em informações de origem duvidosa. Não só estão colocando em risco a própria vida como estão estimulando outras pessoas a seguirem o mesmo caminho. Tenha responsabilidade e <strong>só use medicação sob orientação médica</strong>.</p>
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		<title>Medicina ortomolecular: verdade ou charlatanismo?</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/03/26/medicina-ortomolecular-verdade-ou-charlatanismo/</link>
		<comments>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/03/26/medicina-ortomolecular-verdade-ou-charlatanismo/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 26 Mar 2010 18:00:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Seu Dotô!]]></category>
		<category><![CDATA[Conselho Federal de Medicina]]></category>
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		<category><![CDATA[terapia biomolecular]]></category>
		<category><![CDATA[terapia ortomolecular]]></category>

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		<description><![CDATA[Entenda o que é medicina ortomolecular, desde sua origem até a maneira como ela é desenvolvida hoje em dia.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-7807" title="Medicina ortomolecular" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/ortomolecular.jpg" alt="" width="250" height="343" />Há vários anos a busca por terapias alternativas (que não envolvam drogas ou procedimentos invasivos) e os chamados “tratamentos naturais” têm crescido e se variado bastante. Uma dessas terapias recentemente voltou ao foco devido a uma reportagem no Fantástico exibida em 21 de março de 2010. Mas o que realmente é <strong>medicina ortomolecular</strong> e o que ela prega?</p>
<p>A história da medicina ortomolecular vem desde a década de 1960, quando <a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u622.jhtm" target="_blank">Linus Pauling</a> avaliou os dados de um trabalho científico do psiquiatra Abraham Hoffer, que conseguiu diminuir o tempo de internação de esquizofrênicos com o uso de doses elevadas de vitamina B3. Daí, iniciou-se uma série de especulações sobre a ação de megadoses de vitamina nas doenças e sobre a saúde do indivíduo. Em 1968, baseado nos estudos de Hoffer, Pauling (graças a seu prestígio) publicou na revista <em>Science</em> um artigo chamado “Psiquiatria Ortomolecular”, surgindo assim o nome ainda utilizado até hoje e que significa, segundo o próprio Pauling, “molécula certa no lugar certo” (ORTO = certo).</p>
<p>Linus Pauling foi um gênio, um dos maiores químicos do último século. Ele ganhou dois prêmios Nobel, um de Química, pelo seu trabalho explicando a natureza das ligações químicas, e outro da Paz, pela sua luta contra o uso da energia nuclear para fins bélicos. Nenhum deles foi dado pela sua fixação por vitaminas ou por trabalhos no campo da medicina ortomolecular, então, que me desculpe o presidente da <a href="http://www.medicinacomplementar.com.br/" target="_blank">Associação Brasileira de Medicina Complementar (ABMC)</a>, dr. José de Felippe Jr., quando citou em entrevista ao Fantástico os dois Nobel de Pauling como forma de aprovação da terapia alternativa. Não é porque o cara soube explicar como os átomos se ligavam para formar moléculas que ele vai me dizer que megadoses de vitaminas podem curar Aids e câncer e eu tenho que aceitar isso assim numa boa.</p>
<p>Atualmente o termo &#8220;ortomolecular&#8221; tem sido substituído por &#8220;biomolecular&#8221;, segundo a ABMC. Este último é mais justo e sincero, pois significa “a bioquímica aplicada à clínica”. Essa prática se baseia na luta contra os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Radical_livre" target="_blank">radicais livres</a>, que são basicamente pedaços de moléculas altamente reativos que aceleram o envelhecimento celular e são produzidos em maior quantidade em certas circunstâncias (estresse, por exemplo). Já se sabe que o uso regular de antioxidantes (vitaminas C e E, principalmente) pode diminuir os danos causados pelos radicais livres. O que se questiona é o excesso dessas vitaminas e outros minerais prescritos pelos profissionais adeptos da prática biomolecular. Prega-se também o combate à intoxicação por minerais tóxicos (chumbo, mercúrio, alumínio, etc.), que também provocariam desequilíbrio bioquímico, deteriorando a saúde do indivíduo. A identificação desses minerais, seus excessos e suas carências são diagnosticados pelo contraditório Mineralograma Capilar (tiram alguns fios do seu cabelo e mandam para os EUA pra examinar). Outro exame questionável é a avaliação da gota de sangue, onde se “veria” o radical livre e sua ação maléfica nas células sanguíneas.</p>
<p>O Conselho Federal de Medicina (CFM), em sua <a href="http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/cfm/2010/1938_2010.htm" target="_blank">resolução 1938/2010</a>, regulariza a prática da terapia ortomolecular/biomolecular, com várias ressalvas: não aprova o uso do mineralograma capilar (estudo do fio de cabelo) nem a análise de gota espessa (teste da “gota de sangue”) como forma de diagnóstico de carência nutricional ou desequilíbrio bioquímico (posto que esses métodos não são comprovados cientificamente); não se deve usar megadoses de vitaminas ou minerais como forma de tratamento; proíbe o uso de EDTA (ácido etilenodiaminotetracético) e procaína (anestésico) como forma de terapia antienvelhecimento, anticâncer, antiarteriosclerose ou voltadas para patologias crônicas degenerativas; entre outras proibições. O que o CFM aprova como terapia ortomolecular/biomolecular é: correção nutricional e de hábitos de vida; reposição medicamentosa das deficiências de nutrientes (quando comprovada sua deficiência); remoção de minerais, quando em excesso (ex.: ferro, cobre), ou de minerais tóxicos (ex.: chumbo, mercúrio, alumínio), agrotóxicos, pesticidas ou aditivos alimentares. E só! O resto, segundo o CFM, é balela e não tem fundamento científico.</p>
<p>Sobre a reportagem do Fantástico, na verdade eu achei muito sensacionalista e extremamente tendenciosa. Procuraram uns médicos charlatões que visivelmente queriam só pegar o dinheiro do paciente, pouco se preocupando com seu bem-estar ou mesmo com a melhora dos sintomas. Um cara que me diz que viu num microscópio óptico um “cristal de colesterol com uma cândida (fungo) em cima” não merece meu respeito nem meu comentário. Era pra paciente se levantar e sair sem nem dizer adeus. Outra diz que viu um micoplasma (tipo de bactéria) no sangue da paciente, explicando que se tratava de um “fungo que aumenta a vontade de comer doce”. Essa no mínimo dormiu com o professor de microbiologia pra não repetir a matéria. Uma terceira viu um radical livre (uma molécula extremamente minúscula) usando um microscópio óptico. Nem se ela usasse a Espada Justiceira e o Olho de Thundera conseguiria ver. Vai ser culhudeira assim lá adiante! São situações esdrúxulas, completamente absurdas, com profissionais selecionados a dedo para dar uma matéria chocante e deixar todo mundo de boca aberta, mas que, com isso, destruiu a imagem da terapia ortomolecular/biomolecular.</p>
<p>Vamos usar um paralelo: Há um caso verídico de um profissional médico, ultrassonografista (não sou eu, viu?) que, quando o paciente chega meio tristonho, reclamando da vida, com a moral baixa, ele passa o transdutor na cabeça do pobre coitado e diz que está vendo “a depressão crescendo dentro da cabeça do cidadão”. Fale sério, se o Fantástico coloca uma reportagem dessas no ar, no outro dia todo mundo ia dizer que ultrassom é charlatanismo, que nenhum profissional dessa área prestava, que era tudo trambiqueiro e por aí vai.</p>
<p>O que eu acho é o seguinte: profissional ruim tem em toda parte e não podemos generalizar. Não é por causa de umas maçãs podres que vamos jogar fora todo o saco. Confesso que eu não acredito na eficácia da terapia ortomolecular/biomolecular. Na verdade, acho que tá mais pra modismo . Os trabalhos apresentados sobre essa prática são geralmente baseados em intuições e deduções forçadas, sendo que nada está muito bem fundamentado do ponto de vista científico. Mas isso é minha opinião e ninguém é obrigado a concordar, assim como eu não concordo com essa caça às bruxas que estão criando. Se for no intuito de trazer uma melhora do quadro clínico do paciente e não prejudicar sua saúde de forma alguma, então por mim tá na boa! Você acredita? Leu sobre o assunto e acha que é bom pra você? É seu direito, vai nessa! Mas lembre-se sempre de procurar um profissional sério e competente, seja para ortomolecular/biomolecular, homeopatia, alopatia, acupuntura, etc.</p>
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		<title>A mardita da cachaça</title>
		<link>http://papodegordo.mtv.uol.com.br/2010/02/27/a-mardita-da-cachaca/</link>
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		<pubDate>Sat, 27 Feb 2010 18:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Bebe-se muito no interior. Como as opções de lazer geralmente são limitadas, as pessoas reservam-se o direito de encherem a cara em bares, botecos e barraquinhas pra se divertir.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-6787" title="Cachaça" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/cachaca.jpg" alt="Cachaça" width="250" height="383" />Nem todo mundo sabe, mas bebe-se muito no interior. Como as opções de lazer geralmente são limitadas, as pessoas reservam-se o direito de encherem a cara em bares, botecos e barraquinhas pra se divertir. O problema é que as consequências disso nem sempre são boas, devido às mazelas provocadas pela bebida (desde gastrite, úlcera, pancreatite, até cirrose e câncer de fígado), mas não se pode ignorar o fato de que a bebedeira dá boas histórias.</p>
<p>Nas cidades pequenas é muito comum as pessoas levarem seus parentes ébrios aos PS de hospitais e clínicas para curar a ressaca numa maca, sem atrapalhar a vida dos familiares, mas nem sempre há necessidade de hospitalização e muitas vezes o número reduzido de leitos faz os médicos optarem por reservá-los para emergências reais e não bebedeira (não estou aqui tratando de coma alcoólico, apenas do bebum mesmo).</p>
<p>Para tentar convencer o plantonista de que se trata de algo grave, a família tende a criar as histórias mais esdrúxulas possíveis. Contam que ele bebeu álcool de limpeza ou água sanitária, vomitou bile ou sangue e por aí vai. Certa vez, quando eu ainda dava plantão em sala de emergência, um camarada chegou ao hospital informando que sua esposa haveria falecido em casa devido à bebida e que precisava constatar o óbito. Como eu não podia sair do plantão, enviei uma das ambulâncias para buscar o corpo e assim poder examiná-lo e preencher a declaração de óbito. O marido, precavido, já tinha acertado com uma funerária local o caixão que foi no fundo da ambulância para trazer a falecida de forma mais digna. Ao retornar do roteiro fúnebre, o motorista encostou o fundo do carro na porta da emergência, o que achei estranho, pois geralmente eles levam o corpo direto para o velório, no fundo do hospital. Ao abrir a porta da ambulância toda a equipe se assustou com a cena: caixão vazio com a digníssima esposa sentada e abraçada a ele para não cair (nem ela, nem o caixão) e, obviamente, vivinha da silva. A primeira reação, após longos segundos de silêncio absoluto, foi do marido dizendo surpreso: “Essa desgraça não morreu, não, foi?”. Diante do ocorrido, só nos restou avaliar a paciente, hidratá-la, medicá-la e devolve-la ao seu santo esposo para que pudessem viver felizes para sempre.</p>
<p>Outra história engraçada foi a de um cigano aqui de <em>Amargosa</em>. Para quem não sabe, ciganos em cidade do interior vivem quase que exclusivamente de agiotagem e têm ambições bem diferentes das nossas (por exemplo, compram correntes e anéis bem grossos de ouro, mas andam de Gol sem ar condicionado). O referido cigano deste caso foi cobrar uma dívida em outra cidade (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vit%C3%B3ria_da_Conquista" target="_blank">Vitória da Conquista</a>, 318 km de Amargosa pela BR-316) e, para ser mais econômico, foi de ônibus. Ao receber o dinheiro (mais de R$5.000,00), colocou dentro de um saco de pão junto com umas bolas de papel para fazer volume, para que ninguém desconfiasse do que se tratava o pacote. Ao entrar no ônibus de retorno, percebeu que o único lugar disponível para se sentar era lá no fundo, ao lado de um bêbado todo sujo e vomitado. Adepto da máxima “só tem tu, vai tu mesmo”, sentou-se e veio embora. No meio do caminho, o veículo onde se encontrava foi assaltado por três indivíduos armados que foram de assento em assento com uma sacolinha recolhendo tudo que tivesse algum valor. Rapidamente, o cigano colocou o saco de pão sobre sua mão esquerda, escondendo seu anelão de ouro e rezou para não levarem nada dele. Ao chegar ao fundo do ônibus o assaltante se deparou com o bêbado imundo e fedorento, olhou pra sua sacola e disse: “já ta bom, vamos embora”. O cigano suspirou aliviado e antes de descer na rodoviária de <em>Amargosa</em>, enfiou a mão no saco de pão, tirou R$100,00 e colocou no bolso do bêbado (que dormiu a viagem toda e ainda não tinha acordado) dizendo: “Deus te acompanhe, meu irmão!”</p>
<p>Bebida é um bom investimento em cidade pequena, aqui em <em>Amargosa</em> é absurda a quantidade de bares por metro quadrado. Deve ter um bar para cada dez habitantes! Quando uma loja comercial vai à falência, em dois dias vira um boteco ou igreja evangélica (a maior concorrente do bar). Pode até ser sacrilégio, mas existe um certo sinergismo entre a igreja e o botequim: o camarada percebe que está destruindo sua vida com a bebedeira, arrepende-se e vai para a igreja. Lá, ele percebe que o falso pastor só está querendo pegar seu dinheiro e volta pra birosca, pois é mais barato encher a cara de cachaça do que satisfazer o “dízimo” da igreja. Esse vai e volta é eterno, difícil é saber em que fase o camarada se encontra na hora de oferecer uma bebida. Se ele está na igreja e você oferece uma cerveja, ele te responde: “Deus é mais! Eu não boto mais esse veneno na minha boca, ta repreendido em nome de Jesus!”. Daí a 15 dias você oferece um refrigerante sem saber que ele voltou à vida boêmia e recebe como resposta o seguinte: “Tá me achando com cara de viado, é? Bota uma destilada pra mim aí, homem!”. É dureza! E se deu duro, tome um <a href="http://www.cognac.com.br/conhaque_dreher.htm" target="_blank">Dreher</a> (desculpa, não resisti).</p>
<p>Bebida, como quase tudo na vida, requer responsabilidade e moderação. Quem não sabe se controlar, não deve beber. Mas se você toma uma de vez em quando e muito raramente passa por situações constrangedoras, conte nos comentários um de seus casos engraçados ou de algum conhecido e façamos um AA do Dr. Tapioca.</p>
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		<title>Ao doutor com carinho</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Dec 2009 17:00:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[A coisa mais comum ao se tornar médico do interior é a tradicional oferta de presentes. Basta cair na graça da comunidade para começar a receber desde uma muda de erva medicinal até uma porca prenhe. Com a aproximação do Natal aumenta a quantidade de mimos que recebemos dos nossos amados pacientes. Desde a época [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/presente.jpg" alt="Presente" title="Presente" class="alignright size-full wp-image-5703" />A coisa mais comum ao se tornar <em>médico</em> do interior é a tradicional oferta de <em>presentes</em>. Basta cair na graça da comunidade para começar a receber desde uma muda de <em>erva medicinal</em> até uma porca <em>prenhe</em>. Com a aproximação do <em>Natal</em> aumenta a quantidade de mimos que recebemos dos nossos amados pacientes.</p>
<p>Desde a época que eu trabalhava em <em>Salvador</em>, em clínicas de bairro, ainda recém formado e com pouca experiência, já recebia uns presentinhos aqui e ali. Certa vez me foi ofertado uma correntinha com um <em>pingente</em>, ambos em ouro, por uma paciente que nem tinha muita condição financeira. Fiquei sem graça de receber, ainda mais porque nessa época eu só estava acostumado a ganhar saquinhos de <em>sequilhos</em> caseiros, doces, pasteizinhos (o que me ajudou a construir esse corpinho de hoje), mas sabia que negar seria uma grande desfeita. Foi meu primeiro grande <em>presente</em> e nunca me esqueci dele.</p>
<p>As pessoas quando gostam do <em>médico</em> se esforçam além da conta pra presenteá-lo com algo do “nível dele”. Isso às vezes nos deixa até constrangidos, pois sabemos que elas gastaram até o que não podiam para nos comprar aquela <em>lembrança</em>. Tem um colega meu que atendia uma paciente que tinha verdadeira paixão por ele e só dava presentes caro, como camisa de seda, perfume importado, carteira de couro e por aí vai. A mulher dele ficava até desconfiada, achando que o marido estava fazendo algo “além da obrigação”, mas quando conheceu a <em>paciente</em>, uma senhora de seus setenta e poucos anos, viu que não passava de um amor maternal.</p>
<p>Já perdi a conta de quantos presentes eu já recebi, galinhas mesmo foram umas 50 ou mais. Uma vez me deram um pato vivo, pena que eu não pude levar pra casa, pois era em outro município e eu estava com o Uno Mille do meu sogro e o pato iria, digamos, sujar o carro todo na viagem de volta. Já ganhei banana pra dar com o pau, caju, <a href="http://images.google.com.br/images?gbv=2&#038;hl=pt-BR&#038;sa=1&#038;q=siriguela&#038;btnG=Pesquisar+imagens&#038;aq=f&#038;oq=&#038;start=0" target="_blank">siriguela</a>, <a href="http://images.google.com.br/images?gbv=2&#038;hl=pt-BR&#038;sa=1&#038;q=jabuticaba&#038;btnG=Pesquisar+imagens&#038;aq=f&#038;oq=&#038;start=0" target="_blank">jabuticaba</a>, laranja (se juntasse todas dava uns 20 centos), coco (afinal, estou na Bahia), camisa, canetas das mais diversas e mais uma porrada de outras coisas.</p>
<p>Muitas vezes recebo bebidas, já ganhei até <em>whisky</em>, mas o mais comum é ganhar uma <em>pinga</em> da boa. Se até o presidente é chegado numa destilada, quem sou eu pra não prestigiar esse fenômeno etílico nacional? Ganhei uma vez um litro de uma <em>cachaça</em> artesanal que vinha numa garrafinha pet de guaraná e juro que fiquei com medo de ter <em>metanol</em> dentro, mas como a pessoa que me deu era de confiança eu segurei na mão de Deus e fui (não tive nada até hoje). Recebi também uma garrafa da famosa <em>Babilônia</em>, cachaça muito conhecida aqui na região de <em>Amargosa</em>. Essa semana bateu o recorde, trouxeram para mim uma <em>branquinha</em> fabricada por um paciente meu que, graças à minha intervenção, não morreu de úlcera gástrica. O problema é que o cara encheu um garrafão de cinco litros e me mandou. Acho que ele quer passar a <em>úlcera</em> pra mim!</p>
<p>Por mais singelo que seja o <em>brinde</em>, ele sempre passa uma idéia de que você está fazendo um bom trabalho e merece o reconhecimento do seu <em>cliente</em>. O que não podemos permitir é que aquela lembrancinha se torne motivo de privilégios para um ou outro <em>paciente</em>, isso nunca, pois deixa de ser presente e se torna <em>suborno</em>!</p>
<p>Esse hábito de presentear os <em>médicos</em> é uma tradição que espero que perdure por muitos anos. A final de contas, quem não gosta de receber um <em>mimo</em> de vez em quando? Espero que neste <em>Natal</em> todos meus leitores, médicos ou não, recebam vários presentes e que no próximo ano nos encontremos muitas outras vezes.</p>
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		<title>É tudo culpa da enfermagem!</title>
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		<pubDate>Sat, 28 Nov 2009 17:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na primeira parte da coluna &#8220;Visão do Inferno&#8221;, a Ana Paula de Castro solicitou um texto sobre os enfermeiros e achei que seria uma boa opção de tema para a coluna. Entrevistei alguns enfermeiros que conheço e selecionei algumas experiências minhas e deles para apresentar aos leitores. Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-5355" title="Olá, enfermeira!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/enfermeira.jpg" alt="Olá, enfermeira!" />Na primeira parte da coluna <a href="http://www.papodegordo.com.br/index.php/2009/10/03/doencas-nojentas-visao-do-infern/" target="_blank">&#8220;Visão do Inferno&#8221;</a>, a <strong>Ana Paula de Castro</strong> solicitou um texto sobre os <em>enfermeiros</em> e achei que seria uma boa opção de tema para a coluna. Entrevistei alguns <em>enfermeiros</em> que conheço e selecionei algumas experiências minhas e deles para apresentar aos leitores.</p>
<p>Em primeiro lugar, quero deixar bem claro que o título trata-se de uma <em>piada</em>, uma ironia com algo que ocorre muito frequentemente com os pobres <em>enfermeiros</em>; na grande maioria das vezes, de forma injusta. Num hospital, até quando falta água e luz dizem que é culpa da enfermagem. Se um paciente recebe uma medicação e melhora seu estado de <em>saúde</em>, ele diz “muito bom esse remédio que o doutor passou”. Por outro lado, se houver algum efeito indesejável, tipo hipersensibilidade (alergia), o comentário vai ser “a injeção que a enfermeira me aplicou me empolou todo”.</p>
<p>Parte disso ocorre porque os <em>enfermeiros</em> são responsáveis por toda uma equipe de enfermagem com vários <em>técnicos</em> que executam diversas funções como aplicar medicações, cuidar da higiene e do bem estar do <em>paciente</em>, verificar aparelhos e sondas, verificar dados vitais e perdas (urina e fezes) entre outras coisas. Por isso, eles têm mais contato com os usuários, se expõem mais e acabam levando a culpa por quase tudo.</p>
<p>Já o <em>médico</em>, só responde por ele próprio. Ele vê seu paciente uma ou duas vezes no dia e geralmente só faz o exame físico (quando não se precisa de um procedimento mais invasivo e/ou que seja considerado <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ato_m%C3%A9dico" target="_blank">ato médico</a>); o grosso mesmo fica com a enfermagem. Obviamente que estou aqui tratando de uma ambiente hospitalar, no caso de um internamento.</p>
<p>No campo ambulatorial, como nos PSF’s (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/PSF" target="_blank">Postos de Saúde da Família</a>), não é muito diferente: Enquanto o profissional <em>médico</em> fica responsável apenas pelo atendimento clínico e atribuições de educação em <em>saúde</em> (palestras, por exemplo), os enfermeiros fazem a consulta de enfermagem, planejamento familiar, colhem material para o citopatológico cévico-vaginal (preventivo ginecológico), dispensam medicações dos programas de saúde (anti-hipertensivos, hipoglicemiantes, anticoncepcionais, etc.), realizam a maior parte do pré-natal, fiscalizam e orientam os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agente_de_sa%C3%BAde" target="_blank">agentes de saúde</a>, respondem pela sala de <em>vacina</em> e pelos curativos realizados pelos <em>técnicos</em> e ainda são os coordenadores da unidade, ou seja, preenchem toda a papelada chata e assumem a responsabilidade de quase tudo. Um colega meu, fazendo uma piada um tanto quanto <em>preconceituosa</em>, costuma dizer que “enfermeiro adora papel, relatório, mapa de vacina, está sempre preenchendo algum tipo de formulário”.</p>
<p>Como em toda profissão, existem os bons e maus <em>enfermeiros</em>. Estes últimos, eu costumo chamar de <em>inferneiros</em>, pois causam um inferno na cabeça do médico. É o tipo de profissional que não se interessa em fazer as coisas bem feitas, delega quase tudo para os <em>técnicos</em>, chega tarde, sai cedo, deixa tudo pela metade, faz as coisas pela sua própria cabeça, não segue protocolos ou diretrizes e muitas vezes prejudica a saúde do assistido. Com a multiplicação do número de escolas de enfermagem e, sejamos sinceros, a omissão dos Conselhos Regionais de Enfermagem (<em>Coren</em>) em relação a isso, o número de <em>inferneiros</em> tem crescido e esses profissionais acabam aceitando trabalhar por qualquer miséria, o que tem degradado muito a imagem e o valor da profissão. Hoje em dia, há <em>enfermeiro</em> ganhando menos de R$ 1.000,00/mês para trabalhar 40 horas semanais e, como o mercado está saturado, o cara tem que se sujeitar a isso ou ficar desempregado.</p>
<p>Imagino que alguns dos leitores estejam estranhando o nome enfermeiro no masculino, é que essa história que só ter mulher na <em>enfermagem</em> está deixando de ser realidade. Aqui em Amargosa, por exemplo, há vários enfermeiros e quase nenhum é homossexual. Aliás, esse rótulo é outra sombra que persegue os enfermeiros. Basta entrar na faculdade pra ser tachado de <em>bicha</em>. Nada contra os <em>gays</em>, mas ninguém gosta de ser chamado do que não é.</p>
<p>Um amigo meu, ainda no tempo de estudante de enfermagem, pegou um caderno de uma colega para copiar alguns assuntos e no caminho para a biblioteca encontrou outra colega, que ele achava <em>gatíssima</em>, e a menina estava dando o maior mole pra ele; só que, quando a conversa foi ficando interessante, ela deu uma olhada para o caderno de florzinha com um coração de plástico cor de rosa cheio de glitter, preso na espiral (também rosa) do caderno por uma correntinha e imediatamente pensou “esse Sprite é Fanta”. Pediu licença e foi embora. O coitado ficou desolado com o ocorrido, mas isso ainda acontece muito. Numa cantada, dizer que é enfermeiro já dificulta um pouco a conquista, é melhor guardar para a manhã seguinte depois de já ter rolado tudo. E não se assuste se a garota disser espantada: “Você é <em>enfermeiro</em>? Não parece!”</p>
<p>A verdade é que a <em>enfermagem</em> é uma profissão muito bonita e hoje os enfermeiros estão cada vez mais atuantes e expandindo seu leque de ações, formam grupos de apoio ao aleitamento materno, assistência pré-natal e puerperal, ambulatórios de feridas, saúde do <em>trabalhador</em> entre muitas outras funções. Ainda assim, os que praticam a arte do cuidar, chegando ao leito de cada paciente acalentando, orientando, deixando o internamento menos desagradável, nem sempre recebem o crédito devido. Fica então aqui essa singela homenagem do Dr. Tapioca aos discípulos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Florence_Nightingale" target="_blank">Florence Nightingale</a>.</p>
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		<title>Visão do Inferno (ou o show de horror do Dr. Tapioca) &#8211; parte 2</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 17:00:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dando continuidade ao texto das belezas frequentemente encontradas nos consultórios e salas de emergência, hoje falaremos sobre as DST&#8217;s (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e outras mazelas que atingem os orifícios naturais do ser humano. Mais uma vez as fotos estão em links para quem quiser se deliciar com as belas imagens, mas vale a pena avisar: [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p>Dando continuidade ao texto das belezas frequentemente encontradas nos <em>consultórios</em> e <em>salas de emergência</em>, hoje falaremos sobre as <em>DST&#8217;s</em> (Doenças Sexualmente Transmissíveis) e outras mazelas que atingem os orifícios naturais do <em>ser humano</em>. Mais uma vez as fotos estão em <em>links</em> para quem quiser se deliciar com as belas imagens, mas vale a pena avisar: se você <em>engulhou</em> na última coluna, nesta você <em>vomita</em>.</p>
<p>No texto anterior, finalizamos com os <em>autoempalamentos</em>. Pegando a deixa, vamos mostrar algumas outras <em>patologias</em> que envolvem práticas sexuais desprotegidas, as famosas <em>DST&#8217;s</em>. A primeira vez que me deparei com uma delas foi quando, ainda no segundo ano de faculdade, tive que entrevistar um paciente com <em>sífilis secundária</em>. Pra quem não sabe a <em>sífilis</em> tem três estágios: a primária, que é o <em>cancro duro</em> (<a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/imagem01.jpg" target="_blank">homem</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/image25492.jpg" target="_blank">mulher</a>, a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/Sifil3.jpg" target="_blank">secundária</a> e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/goma.jpg" target="_blank">terciária</a>). Há ainda a <em>neurosífilis</em>, quando ela ataca o sistema nervoso central, e a <em>sífilis cardiovascular</em>, mas essas são complicações da terciária.</p>
<p>Isso foi só o começo. Logo logo conheci a muito comentada <em>gonorreia</em>, também chamada de <em>blenorragia</em> ou <em>pinga-pus</em> (<a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/GONORREIA.jpg" target="_blank">masculina</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/GONORREIA_CORRIMENTO_VAGINAL.gif" target="_blank">feminina</a>) e o que mais me impressionou na época é que, mesmo neste estado das fotos, os pacientes continuavam praticando <em>sexo</em> sem preservativo (eca!). E se você acha que essas doenças por serem sexualmente transmissíveis só atingem os órgãos genitais, então dê uma olhada nestas fotos: <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/sifillis......bmp" target="_blank">sífilis primária na língua</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gonorreia2.jpg" target="_blank">gonorreia no olho</a>. A localização da <em>doença</em> vai de acordo com a prática de cada um.</p>
<p>Ainda no grupo das doenças gosmentas temos a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/4974791ac3f2a.jpg" target="_blank">clamídia</a>, que é muito parecida com a <em>gonorreia</em>, e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tricomoniase-1.jpg" target="_blank">tricomonas</a>, que forma uma secreção branca espumosa na <em>mucosa vaginal</em> e libera um delicioso odor de <em>peixe podre</em> que piora com o aumento da produção de muco, ou seja, quando a mulher se excita aí é que o negócio fede mesmo! Dizem que certa vez uma senhora com <em>tricomoníase</em> teve uma noitada de amor com o digníssimo e pela manhã a vizinha da frente gritou: “Ontem a noite foi boa, né? O cheiro bateu aqui em casa!” Brincadeiras à parte, quem já sentiu o cheiro de uma <em>tricomonas</em> não esquece jamais e minha primeira vez foi no ambulatório de <em>ginecologia</em> aprendendo a fazer <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Colposcopia" target="_blank">colposcopia</a>. Passei três dias com o odor impregnado nas narinas.</p>
<p>Partindo para as doenças virais nos deparamos com a tão conhecida <em>herpes genital</em> (<a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/Herpes_Genital.jpg" target="_blank">homem</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/herpes1.gif" target="_blank">mulher</a>), que provoca vesículas (bolhas) que ardem bastante quando estouram e não afetam só a <em>região genital</em>, pois existem a forma <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/herpes.png" target="_blank">labial</a> e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/Herpes_Zoster-ZZ.jpg" target="_blank">herpes zoster</a>, que atinge um <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Derm%C3%A1tomo" target="_blank">dermátomo</a>, é geralmente unilateral e dói pra caramba. Esta forma também é chamada de <em>fogo selvagem</em> no dialeto popular, pois provoca uma forte sensação de queimor na pele e não é sexualmente transmissível. Já o condiloma acuminado (<a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/49747baacf7c4.jpg" target="_blank">homem</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/condiloma-16.jpg" target="_blank">mulher</a>) é uma <em>DST</em> clássica e é causado pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hpv" target="_blank">HPV</a>, o mesmo do <em>câncer de colo do útero</em>, e provoca verrugas genitais horríveis. A <em>genitália</em> fica parecendo uma couve-flor.</p>
<p>Falar de <em>DST</em> sem citar <em>HIV/Aids</em> é o mesmo que falar de <em>MPB</em> sem comentar nada sobre <em>Chico Buarque</em> ou <em>Caetano Veloso</em>. Meu primeiro contato com um paciente com <em>Aids</em> ainda foi no tempo do famigerado termo <em>aidético</em>, hoje já em desuso (graças a Deus). Como estudantes, morríamos de medo de <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/aidsx.jpg" target="_blank">cenas como essa</a>. Na verdade, o portador do <em>HIV</em> fisicamente não tem nada de diferente de uma pessoa sem a doença, as crecas começam a aparecer quando vêm doenças oportunistas e complicações como o <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/Kaposis_Sarcoma.jpg" target="_blank">sarcoma de Kaposi</a> e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/AIDS_oral_candidiasis_Ojoh.jpg" target="_blank">monilíase oral</a>.</p>
<p>Nem tudo que atinge os países baixos é causado pelo <em>sexo</em>. No <em>ânus</em>, encontramos, por exemplo, as <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/hemorroidas.jpg" target="_blank">hemorroidas</a> e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/id34_3.jpg" target="_blank">fissura anal</a>, que muitas vezes <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/id34_5.jpg" target="_blank">andam juntas</a>. Na <em>vagina</em>, temos a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/vaginose1.jpg" target="_blank">candidíase</a> que, ao contrário do que muitos pensam, não é <em>DST</em>. No <em>pênis</em>, temos a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/fimose03.jpg" target="_blank">fimose</a> e a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/parafimose.jpg" target="_blank">parafimose</a>. Na primeira, o <em>pênis</em> “não abre” e, na segunda, “não fecha” (essa última dói pra burro!). Pra finalizar, na bolsa escrotal (vulgo <em>saco</em>) temos a <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/fig05-02.jpg" target="_blank">hidrocele</a>, na qual há acúmulo de líquido na bolsa e o cara fica de saco cheio (piadinha horrorosa!).</p>
<p>Diante de tanta imagem horrível eu só poderia encerrar essa edição com uma única frase: <a href="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/camisinhax.jpg" target="_blank">Use camisinha!</a></p>
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		<title>Visão do Inferno (ou o show de horror do Dr. Tapioca) &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 18:00:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Médico muitas vezes é obrigado o ver o que não quer, mas precisa olhar pra realizar o diagnóstico e prescrever a terapia indicada para o caso. Então, feridas nojentas, secreções gosmentas e outras amabilidades acabam por florir nosso campo visual. Aproveito a oportunidade que tenho através dessa coluna para poder dividir com vocês, amados leitores, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><em>Médico</em> muitas vezes é obrigado o ver o que não quer, mas precisa olhar pra realizar o <em>diagnóstico</em> e prescrever a <em>terapia</em> indicada para o caso. Então, <em>feridas</em> nojentas, <em>secreções</em> gosmentas e outras amabilidades acabam por florir nosso campo visual. Aproveito a oportunidade que tenho através dessa <em>coluna</em> para poder dividir com vocês, amados leitores, tão belas imagens que viraram <em>habitué</em> do meu dia a dia. Para não expor ninguém inadvertidamente às figuras macabras que eu trouxe para esse texto, coloquei todas em links relacionados aos seus nomes. Basta clicar para ver e se deliciar.</p>
<p>A primeira vez, ainda na Faculdade de Medicina da <a href="http://www.fameb.ufba.br/" target="_blank">UFBA</a>, que me deparei com um <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/picior-diabetic.jpg" target="_blank">Pé Diabético</a>, confesso que fiquei assustado com a imagem daquela carne podre, toda carcomida, expondo tendões, ligamentos e até <em>ossos</em>, tudo preto (<em>necrose</em>) e branco (<em>fibrina</em>), parecendo pé de <em>corintiano</em> (o que deixa o pobre paciente mais <em>triste</em> ainda). É impressionante como, às vezes, uma simples <em>frieira</em> consegue evoluir pra algo tão dramático e destrutivo. Por isso, se você for <em>diabético</em>, pelo amor de Deus, cuide bem dos seus pés, sempre os examine e trate qualquer ferimento, por menor que seja.</p>
<p>No meu estágio em <em>dermatologia</em> fui apresentado a uma doença muito feia e que, infelizmente, se manifesta ainda na infância, chamada <a href="http://www.anaisdedermatologia.org.br/public/artigo.aspx?id=718" target="_blank">Xeroderma Pigmentoso</a>. É uma doença genética onde o corpo apresenta uma grande sensibilidade à <em>radiação solar</em> e desenvolve diversas lesões de <em>pele</em>, desde sardas até <em>câncer</em> propriamente dito. Como a imagem é muito forte, só aconselho <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/a11f3.gif" target="_blank">clicar aqui</a> quem realmente tiver curiosidade de saber como uma doença de pele pode transformar o rosto de uma pessoa.</p>
<p>E você, que achava que <em>dermatologista</em> só cuida de cravos, espinhas e rugas, negativo, meu amigo, tem muitas <em>cracas</em> horrorosas que o pobre doutor especialista em <em>medicina</em> externa precisa cuidar. Outra é o tal <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/lesiones-ampollares-1.jpg" target="_blank">Pênfigo Vulgar</a>, doença que, além de feia, cheira muito mal! Este último acomete pessoas com mais idade, deixando a pele cheia de <em>vesículas</em> (<em>bolhas</em>, como nas queimaduras de 2º grau) que acabam estourando e não é muito bonito de se ver. O bom é que ambas (<em>Pênfigo</em> e <em>Xeroderma</em>) são doenças raras.</p>
<p>No estágio de emergência no <a href="http://wikimapia.org/122607/pt/Hospital-Geral-do-Estado" target="_blank">HGE</a>, fui apresentado aos horrores da estupidez humana. Desleixos e bizarrices eram fatores complicadores e até desencadeantes de <em>lesões corporais</em> de todos os tipos. Comecemos com a famosíssima <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/pdemaracujcomparaokc0.jpg" target="_blank">miíase</a>, que não é nada mais, nada menos, que <em>larvas</em> de moscas que se alimentam da carne morta de <em>feridas</em>. A causa? Sujeira. Falta de cuidado com o ferimento, deixando-o exposto a insetos que pousam e colocam ovos que gerarão larvas. Outra <em>miíase</em> comum é o popular <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/berne.jpg" target="_blank">berne</a>, que é a larva da mosca <em><a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/460511892_e7a590f56c.jpg" target="_blank">Dermatobia hominis</a></em>, conhecida como mosca berneira ou <em>mosca varejeira</em>. Essa é menos feia, fica só uma ferida, e como é provocada pela picada e posterior oviposição da mosca não podemos dizer que é descuido do paciente.</p>
<p>Ainda no <em>HGE</em>, conheci algo que até então me era estranho: os <em>autoempalamentos</em>. Diferente dos executados pelo <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Vlad_III_o_Empalador" target="_blank">Príncipe Vlad III</a>, esses empalamentos são provocados pela própria pessoa ou seu <em>parceiro sexual</em>. Diversos materiais são utilizados, mas os mais comuns são <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/M06062804.jpg" target="_blank">lâmpadas</a> e <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/pepsixrayR_450x325.jpg" target="_blank">garrafas</a>. O mais inusitado que eu já vi pessoalmente foi um <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/turques_em_aco_cromado_jpg.jpg" target="_blank">alicate turquês</a> enfiado até a metade no <em>ânus</em> de um rapaz. Imagine a cena: dois cabos metálicos saindo de dentro do <em>fiofó</em> do camarada como se fossem duas antenas. Parecia até um <em>alienígena</em>.</p>
<p>Se você pensa que só os <em>homossexuais</em> praticam essa bizarrice, engano seu, pois já presenciei uma professora de uma certa faculdade de <em>Salvador</em> dar entrada na emergência acompanhada de seu aluno com um <em>desodorante roll-on</em> acoplado ao seu <em>esfíncter</em> posterior do tubo digestivo. Maior trabalheira pra tirar, tem que cortar o fundo e tirar a bolinha.</p>
<p>Como a <em>coluna</em> ficou muito grande e ainda tem muita coisa pra mostrar, resolvi dividir em duas partes. Não deixem de retornar em breve para conferir mais <em>imagens marcantes</em> que remodelarão a sua visão da realidade.</p>
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		<title>Rua dos Bobos, nº 0</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 18:00:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<category><![CDATA[São Gonçalo dos Campos]]></category>

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		<description><![CDATA[Nesse mundo globalizado e informatizado que vivemos, não é difícil alguém responder à pergunta “qual seu endereço?” com um simples “meunome@algumacoisa.com”. Mas ter um endereço residencial ainda é essencial para que sejam entregues as compras que você fez na internet e receber seus amigos da sala de bate-papo em sua casa. No interior, o endereço [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-4128" title="Puta que Pariu" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/pqp1.jpg" alt="Puta que Pariu" />Nesse mundo <em>globalizado</em> e informatizado que vivemos, não é difícil alguém responder à pergunta “qual seu <em>endereço</em>?” com um simples “meunome@algumacoisa.com”. Mas ter um <em>endereço residencial</em> ainda é essencial para que sejam entregues as compras que você fez na <em>internet</em> e receber seus amigos da sala de bate-papo em sua casa.</p>
<p>No interior, o endereço formal (logradouro, número, bairro, CEP) é um pouco irrelevante, pois todo mundo sabe onde todo mundo mora. Além do mais, é bem mais fácil dizer que sua casa é perto da <em>Igreja</em> ou atrás da <em>Prefeitura</em>, ou, ainda, perto do <em>brega</em> (bordel – toda cidade do interior tem um). Em último caso, se você não mora próximo a um <em>ponto de referência</em> conhecido, aí se faz necessário dar nomes aos bois, pelo menos à sua <em>rua</em>.</p>
<p>Um grande problema que se tem para encontrar uma <em>rua</em> específica em uma <em>cidade do interior</em> é que elas mudam de nome com muita frequência e os próprios <em>moradores</em> se confundem. Sempre que um <em>prefeito</em> ou <em>vereador</em> quer puxar o saco de alguém, faz de tudo pra colocar o nome dele numa <em>rua</em>, <em>praça</em> ou <em>avenida</em>. Por causa disso, praticamente toda cidade baiana tem uma <em>Av. Antônio Carlos Magalhães</em>, culminando com a criação do município <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lu%C3%ADs_Eduardo_Magalh%C3%A3es_%28Bahia%29" target="_blank">Luís Eduardo Magalhães</a> (que eu ainda teimo em chamar de <em>Mimoso do Oeste</em>). É muito bonito no discurso em cima do <em>palanque</em>, mas os pobres coitados que têm que ligar para as centrais de cartão de crédito, <em>bancos</em>, TVs por assinatura, editoras de revista e todos os outros serviços de entrega para mudar o <em>endereço</em> certamente não ficam muito felizes.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-4129" title="Puta que Pariu" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/pqp2.jpg" alt="Puta que Pariu" />A vantagem disso tudo é que no interior as ruas têm <em>apelidos</em> e estes não mudam, pois foram colocados pelo <em>povo</em> e são eternos. Por exemplo, aqui em <em>Amargosa</em>, quem morava na Rua Marquês de Herval, hoje mora na Rua Deraldo Bulhões, no entanto continua morando na <em>Rua da Lama</em>.</p>
<p>Esses endereços populares são muito mais utilizados e bem mais eficazes. Outro dia, liguei para uma <em>pizzaria</em>, fiz o pedido e dei o endereço para entrega: Av. Governador Lomanto Jr. Mas a atendente não sabia onde ficava e pediu uma <em>referência</em>. Prontamente falei que era na Rua do Ribeirão e ela me respondeu “Ah, doutor, por que não disse logo? O motoqueiro ia ficar rodando a <em>cidade</em> toda até achar sua casa”.</p>
<p>Outros nomes são comuns em toda cidade interiorana como <em>Rua da Linha</em> (onde passava a <em>linha do trem</em>), Praça da Estação (onde ficava a <em>estação de trem</em>), <em>Praça da Matriz</em> (onde fica a <em>Igreja Matriz</em>), <em>Rua do Brega</em> (precisa explicar?) essa última aqui em <em>Amargosa</em> é conhecida como <em>Rua dos Artistas</em>, imagino que arte era praticada ali!</p>
<p><em>Rua da Bosta</em> também tem em todo lugar, até por que <em>bosta</em> tem em todo lugar. Algumas cidades têm ruas só suas, em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mutu%C3%ADpe" target="_blank">Mutuípe</a> temos a <em>Rua do Banheiro</em>, lá ficava a bica onde todos tomavam banho nos primórdios do <em>município</em>. Lá também há a Rua Conselheiro Aureliano Oliveira (tenta falar rápido) que por ser um trava língua de difícil pronúncia os moradores continuam chamando de <em>Rua Nova</em>, embora ela já seja bem <em>velhinha</em>. Em <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/S%C3%A3o_Gon%C3%A7alo_dos_Campos" target="_blank">São Gonçalo dos Campos</a> (onde fui criado) tem a Rua do Pontilhão onde passava uma ponte da linha do <em>trem</em>.</p>
<p>Muitos desses nomes são constrangedores. Imagina você marcar um encontro com sua namorada no <em>Mija-Gás</em> ou no <em>Beco da Chuculateira</em>. Pior é morrer e ser enterrado num cemitério que fica na <em>Rua do Fogo</em>. Chega a ser mau agouro. É difícil também pra um músico que mora no <em>Quebra-Viola</em> arrumar emprego. E não pense você que só <em>cidadezinhas</em> possuem endereços engraçados. Em plena <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvador_%28BA%29" target="_blank">Salvador</a> as meninas da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Mata_Escura_%28Salvador%29" target="_blank">Mata Escura</a> não gostam muito dos rapazes do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Pau_Mi%C3%BAdo_%28Salvador%29" target="_blank">Pau Miúdo</a>.</p>
<p>Os <em>políticos</em> vivem mudando os nomes das ruas por interesses próprios e acabam atrapalhando a vida de quem não tem nada a ver com isso. O bom é que os <em>apelidos</em> duram pra sempre e facilitam a vida dos <em>moradores</em>. Mas se ainda assim eles encherem muito seu saco, manda eles pegarem esse <em>ônibus</em> aí da foto e irem para onde eles já deviam ter ido há muito tempo.</p>
<p><em>Nota final: se sua cidade tem uma rua, praça, avenida ou bairro com nome curioso, coloque no comentário pra que todos possam conhecer.</em></p>
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		<title>Medicina alternativa</title>
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		<pubDate>Sat, 22 Aug 2009 18:00:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
				<category><![CDATA[Seu Dotô!]]></category>
		<category><![CDATA[acupuntura]]></category>
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		<description><![CDATA[Há algum tempo, a alopatia vem sendo complementada e às vezes até substituída por formas alternativas de medicina como homeopatia, acupuntura, iridologia, ortomolecular, entre outras. Nos grandes centros urbanos, a procura por formas mais naturais de tratamento sem uso de drogas ou cirurgias é grande e vem aumentando cada vez mais. Contudo, aqui no interior, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p>Há algum tempo, a <em>alopatia</em> vem sendo complementada e às vezes até substituída por formas alternativas de medicina como <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Homeopatia" target="_blank">homeopatia</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Acupuntura" target="_blank">acupuntura</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Iridologia" target="_blank">iridologia</a>, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ortomolecular" target="_blank">ortomolecular</a>, entre outras. Nos grandes centros urbanos, a procura por formas mais naturais de <em>tratamento</em> sem uso de drogas ou cirurgias é grande e vem aumentando cada vez mais. Contudo, aqui no interior, apesar disso já ser uma prática antiga, a coisa é bem diferente. Ninguém fica medindo o olho nem furando ninguém. Listei abaixo as práticas mais comuns de <em>tratamentos alternativos</em> do povo interiorano com suas respectivas &#8220;bulas&#8221;:</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-3680" title="&quot;Bula&quot; de garrafada" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/garrafada.jpg" alt="&quot;Bula&quot; de garrafada" /><strong>Garrafada</strong></p>
<p><em>Apresentação</em>: Frascos com 1 litro (garrafa de aguardente) ou 200 ml (garrafa de leite de coco).</p>
<p><em>Composição</em>: Ervas medicinais e diluente (água ou cachaça mesmo)</p>
<p><em>Indicação</em>: Praticamente tudo, incluindo dor de dente, dor de coluna, dor de cabeça, inflamação em geral, impotência, queda de cabelo, desânimo, desgaste físico, tontura, pressão alta, diabete&#8230;</p>
<p><em>Posologia</em>: Geralmente 1 cálice 3 vezes ao dia, mas depende do fabricante.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Algumas contêm álcool (consumir com moderação: se tomar, não dirija).</p>
<p><em>Comentário</em>: É de longe o remédio natural mais conhecido das feiras livres de interior e, se funcionasse mesmo, a indústria farmacêutica estava falida, pois serve pra tudo e ainda é baratinho. O engraçado é como o vendedor chama os clientes em potencial: “Venha velha varizenta, venha velho reumático, venha dona de casa insatisfeita, leve pro seu marido e seja feliz no casamento outra vez”.</p>
<p><strong>Pílulas contra o estupor</strong> (ou estupô – dialeto local)</p>
<p><em>Apresentação</em>: Cápsulas com Deus sabe lá quantos miligramas.</p>
<p><em>Composição</em>: <em>Mirabilis jalapa L.</em> (planta conhecida como <a href="http://www.cit.rs.gov.br/v2/nova/?p=p_135" target="_blank">Maravilha</a>, levemente tóxica).</p>
<p><em>Indicação</em>: Tratamento ou profilaxia das situações que podem levar ao estupor.</p>
<p><em>Posologia</em>: 1 cápsula via oral 1 hora antes de se expor a uma situação de risco de estupor ou 2 cápsulas imediatamente após a exposição.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Como pode causar náuseas, vômitos e diarreia, não deve ser utilizada por pessoas com problemas gastrointestinais (gastrite, úlcera, esofagite, duodenite, etc).</p>
<p><em>Comentário</em>: A solução para um grande problema que assola a humanidade. Com essas pílulas, você pode tomar café quente e sair na chuva, chupar melancia estando suado, comer manga e beber leite, entre muitas outras maravilhas sem o risco de estoporar. Mas não se esqueça: ao primeiro sinal de você vai dar um curtipiu de pinote tome logo duas, só pra garantir.</p>
<p><strong>Banha de galinha</strong></p>
<p><em>Apresentação</em>: Dependendo do tamanho da ave, um copo ou um pote.</p>
<p><em>Composição</em>: Ácidos graxos (banha, ora).</p>
<p><em>Indicação</em>: Inflamações de pele, abscessos, furúnculos e serve pra alisar o cabelo também.</p>
<p><em>Posologia</em>: Uso tópico, aquecido, 2 vezes ao dia ou até você vomitar com o cheiro rançoso.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Por ser gordura e servir de alimento para bactérias, não se deve usar em processos inflamatórios bacterianos como abscessos e furúnculos (tá confuso? imagine o médico).</p>
<p><em>Comentário</em>: Usar em feridas infectadas e dermatites bacterianas é um verdadeiro devaneio, piora muito o quadro clínico inicial. Por ser gorduroso, ela mantém-se aquecida por mais tempo e acaba sendo uma boa compressa quente, mas eu prefiro água pura e pano limpo.</p>
<p><strong>Borra de café</strong></p>
<p><em>Apresentação</em>: 80g a 100g de pó para 1 litro de água (Fonte: <a href="http://www.abic.com.br" target="_blank">ABIC</a>).</p>
<p><em>Composição</em>: Pó de café pós preparo da bebida.</p>
<p><em>Indicação</em>: Cicatrizante geral, excepcionalmente em hemorragias cutâneas.</p>
<p><em>Posologia</em>: Tópico em qualquer tipo de ferida até parar o sangramento.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Se você for muito nervoso ou sofre de taquicardia, opte pelo descafeinado.</p>
<p><em>Comentário</em>: Mais uma vez, prefiro o pano limpo para estancar hemorragias. Além de contaminar a ferida, a borra de café dá um trabalhão pra equipe de enfermagem limpar o ferimento daquele pó fino grudento.</p>
<p><strong>Cinzas</strong></p>
<p><em>Apresentação</em>: Depende do tamanho da tora (lá ele!) que foi queimada.</p>
<p><em>Composição</em>: Madeira queimada.</p>
<p><em>Indicação</em>: Antiinflamatório tópico.</p>
<p><em>Posologia</em>: Uso tópico enrolado com um pano 1 vez ao dia.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Não usar madeira de lei sob pena de multa e reclusão.</p>
<p><em>Comentário</em>: Muito utilizado no passado para tratar caxumba (papeira), tem caído em desuso já que a doença não é mais tão prevalente. No entanto, usa-se ainda hoje em volta do pescoço em casos de amigdalite e faringite (garganta inflamada). A única explicação que eu posso imaginar para seu uso é que o calor alivia a dor, então se acredita que seja anti-inflamatória.</p>
<p><strong>Reza</strong></p>
<p><em>Definição</em>: Por não ser “medicamento”, não possui bula propriamente dita. É, na verdade, uma terapia realizada por um profissional altamente qualificado conhecido como rezador(a) ou benzedor(a) devidamente equipado com um ramo de erva medicinal da melhor espécie.</p>
<p><em>Indicação</em>: São muitas, mas as mais comuns são espinhela caída, mau-olhado e nervo rendido.</p>
<p><em>Processo</em>: Aquele a ser rezado senta-se em um banco de madeira ao ar livre e recebe várias investidas do raminho ao passo que o rezador balbucia a reza num ritmo tão rápido que você não entende nem sequer seu nome quando é pronunciado no meio da ladainha.</p>
<p><em>Contraindicação</em>: Pessoas alérgicas ao famigerado raminho de erva medicinal (empola tudo!).</p>
<p><em>Comentário</em>: Como envolve fé e não usa nada que possa prejudicar diretamente o indivíduo, não faço ressalvas sobre o ato. Apenas não recomendo abandonar nenhum tratamento convencional e usar apenas a reza como terapia. Além do mais, não conheço na medicina tradicional qualquer remédio para mau-olhado.</p>
<p>* * *</p>
<p>Há de se respeitar as <em>tradições</em> e crenças populares de cada <em>região</em>. Triste do <em>médico</em> que, por se achar conhecedor supremo de todas as patologias e medicamentos, acaba combatendo certas <em>práticas xamanísticas</em> e tenta adulterar a cultura da <em>comunidade</em> que assiste. É preciso, sim, orientar a população sobre os riscos de certas atitudes prejudiciais à <em>saúde</em> e deixar claro que as duas <em>culturas</em> (a médica e a popular) podem conviver juntas, desde que o chá medicinal da vovó seja utilizado para engolir a pílula do <em>dotô</em>.</p>
<p>Pra encerrar, separei um arquivo MP3 com uma <em>reza</em> pra lá de esquisita que me foi apresentada por um amigo aqui de <em>Amargosa</em>, mas não sei o autor (a voz parece de <em>Marcelo Nova</em> do Camisa de Vênus) e por isso não posso dar o devido crédito a esse exímio rezador. <a href="http://www.papodegordo.com.br/imagens/reza.mp3">Clique aqui</a> para ouvir ou baixar. <em>(Nota do Editor &#8211; esse áudio é uma paródia, um chiste jocoso; se você não tem senso de humor, é melhor nem escutar)</em></p>
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		<title>Que cheiro é esse?</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Jul 2009 18:00:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Desde pequeno eu ouço falar que “médico não pode ter nojo das coisas”. Tem até aquela velha piada do professor de Medicina que introduziu o dedo no orifício posterior do tubo digestivo de um cadáver diante dos estudantes e disse: “Todo médico tem que ter estômago forte e ser bom observador” e colocou o dedo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-3071" title="Que cheiro é esse?" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/odor.jpg" alt="Que cheiro é esse?" />Desde pequeno eu ouço falar que “médico não pode ter nojo das coisas”. Tem até aquela velha <em>piad</em>a do professor de <em>Medicina</em> que introduziu o dedo no orifício posterior do tubo digestivo de um cadáver diante dos estudantes e disse: “Todo médico tem que ter <em>estômago forte</em> e ser bom observador” e colocou o dedo na própria boca. Convocou, então, os pobres discípulos a repetir o ato e todos o fizeram pra garantir a nota. Muitos vomitaram, outros engulharam e alguns fizeram cara de indiferentes (pra tirar uma ondinha). Depois do sofrimento, o <em>professor</em> disse: “Vocês têm estômago forte, mas não são bons observadores, pois eu introduzi o dedo indicador e coloquei na boca o dedo médio”. A profissão já me fez colocar o dedo em vários locais desagradáveis, mas sempre com <em>luva</em> e nunca, nunquinha mesmo, coloquei nada na boca (deusolivre!).</p>
<p>Se você ficou <em>enojado</em> com a piadinha do primeiro parágrafo, recomendo que pare a leitura e vá ler outra coluna do <em>site</em>. A partir de agora, é <em>ladeira abaixo</em>. Já passei por muito sufoco devido a odores fétidos. Isso começou ainda no primeiro ano de faculdade, quando nos deparamos com a sala de peças anatômicas (pedaço de <em>gente morta</em>). Juro que não tive nojo dos braços, pernas e tórax abertos expondo músculos, vasos e vísceras, pois, como tudo estava conservado em formol, o cheiro era pouco desagradável e parecia um salão de beleza com umas vinte mulheres fazendo escova progressiva ao mesmo tempo. Era como estudar com bonecos de <em>borracha</em>. O nojo mesmo foi no final do semestre, quando o professor nos levou pra ver cadáveres frescos no IML. Garanto que não sou do tipo de fazer careta pra qualquer cheirinho. Desde pequeno faço piada com porcarias e nojeiras só pra ver o povo fazer aquele &#8220;eca!&#8221; sonoro, mas quando abriram um corpo de um mendigo que foi achado morto dias antes em uma sarjeta e o cheiro de metano subiu, a coisa ficou feia pro meu lado. Parecia que um elefante com <em>diarreia</em> tinha resolvido se aliviar ali mesmo! Nunca senti um odor tão pútrido em toda minha vida! Junte isso à visão das vísceras intestinais saltando do abdome aberto, cheias de gazes como bexigas compridas (daquelas que fazem cachorro, chapéu, espada&#8230;). Visão do inferno total!</p>
<p>Andando mais um pouco na minha vida acadêmica, chegamos ao estágio no Hospital Geral do Estado (HGE), que é a principal emergência da <em>Bahia</em>. Logo que você entra no plantão, é calorosamente recebido pelo odor característico de &#8220;sangue + fezes + vômito + iodo&#8221;. É um cheiro peculiar que só tem lá e que, na época de estudante, eu pensava em patentear e criar uma <em>medicação emética</em> (que provoca vômitos). Seria um sucesso entre as bulímicas. Depois de encarar um Big Mac, era só dar uma cheiradinha no vidrinho de <em>Eau du HGE</em> e vinha o “Raul” na certa! Melhor de tudo é quando você dá plantão em pleno <em>Carnaval</em>, perdendo a festa, tendo que suturar a cara de um bêbado que se cortou durante uma briga e o miserável vomita no seu jaleco e em todo material estéril do kit de sutura. Repense seu <em>vestibular</em>, amigo!</p>
<p>Já na vida profissional, os <em>cheiros</em> são mais aceitáveis. Morando no interior, o mais frequente é o famoso cecê. Entenda o porquê: uma paciente moradora da zona rural de uma cidade vizinha a <em>Amargosa</em> acorda às 5 da manhã e, como está frio e não tem chuveiro elétrico, banho já era! Anda uma légua e meia (cerca de 9 quilômetros) até a zona urbana pra pegar um carro (provavelmente superlotado) até Amargosa pra fazer uma ultrassonografia mamária, mas, antes de ir à <em>clínica</em>, aproveita que está em uma cidade maior que a sua e vai bater perna no <em>comércio</em>, dá uma olhada nas lojas de roupas, sapatarias, farmácias, faz uma fezinha na lotérica e, às 12 horas e 40°C, resolve finalmente fazer seu exame. Ao deitar na maca, já com o roupão, a primeira coisa que o médico pede é que ela coloque a mão atrás da cabeça. Essa é a hora de reavaliar a interpretação do termo <em>catinga</em>. Mas como a paciente está ali, olhando o médico, ele mantém o sorriso e continua o <em>exame</em> como se não houvesse cheiro algum. Agora, volte ao início do parágrafo e imagine se a paciente fosse fazer uma ultrassonografia <strong>transvaginal</strong>. Juro por Deus que parece uma peixaria no final do expediente de um dia quente de verão e com o <em>freezer</em> quebrado. O bafo é tão forte que você sente um calorzinho na mão durante o exame.</p>
<p>Outro odor comum é o flato desproposital, vulgo pum que escapou. É difícil, às vezes, depois de comer <strong>aquela</strong> feijoada, ficar sentado na sala de espera e conter os inevitáveis gases intestinais. O pior é que na sala você fica constrangido com os outros pacientes e, no consultório, pega mal soltar um na frente do doutor. Que situação! Geralmente os jovens conseguem segurar a onda, mas os idosos (pobrezinhos) já não têm mais aquele tônus muscular no <em>esfíncter anal</em>. Uma vez, ao fazer um ultrassom do abdome total numa paciente idosa, pedi pra que ela virasse de lado (para examinar o rim) e, com o movimento, acabou soltando os <em>gases</em> bem na minha cara. O esposo dela (também com idade bem avançada), que acompanhava o exame, ficou olhando para mim e minha auxiliar para verificar nossa reação. Eu apenas respondi ao “desculpa doutor” com um simpático “não foi nada, acontece”.<img class="alignright size-full wp-image-3077" title="Foco clínico" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/fococlinico.jpg" alt="Foco clínico" /> Já minha assistente, digitando o laudo no computador, concentrou-se em seu jogo de paciência como se estivesse jogando <em>xadrez</em> contra o <a href="http://tecnologia.terra.com.br/interna/0,,OI1286568-EI4801,00.html" target="_blank">Deep Fritz</a>. O bom é que ninguém riu e a paciente saiu satisfeita.</p>
<p>Algumas vezes somos surpreendidos com algo mais substancioso que um simples <em>pum</em>. Em certa ocasião, estava eu em uma clínica em <em>Mutuípe</em> (cidade vizinha a Amargosa) fazendo uma ultrassonografia da próstata (pelo abdome, e não a transretal). Nesta época eu usava um <em>foco clínico</em> (esse aparelhinho na foto ao lado) como luz indireta (a sala fica apagada durante o exame), que era ligado ao mesmo <em>no break</em> onde estavam conectados o ultrassom e a impressora. O paciente apresentava-se meio inquieto antes de iniciar o procedimento e até questionei se estava se sentindo bem, no que ele me disse que sim, que só queria fazer logo o exame. Pois bem, como o aparelho estava muito próximo à cabeça do paciente (tinha acabado de fazer uma <em>tireoide</em>), puxei o carrinho do ultrassom para o nível da pelve e o plugue do <em>no break</em> soltou-se da tomada. De repente, tudo ficou escuro e o barulhinho do ventilador do aparelho cessou. Naquela completa escuridão silenciosa ouviu-se a voz do paciente assustado: “Oh, meu Deus, me <em>caguei</em> todo!” A agonia no início do exame era uma <em>diarreia</em>. Pedi pra que ele fosse ao sanitário, mas ele insistiu em fazer logo o exame e levantar de uma vez só. Como o cliente tem sempre razão, realizei o procedimento com cheirinho de <em>merda</em> no ar e, ao final, ele foi ao sanitário do consultório e através da porta eu ouvi: “A cueca está imprestável!”. Pedi licença, disse que o deixaria à vontade, saí e fui digitar o laudo em outra sala.</p>
<p>Cheiros, fedores, repugnâncias em geral fazem parte da minha rotina, mas sei que não estaria feliz em outra profissão qualquer. Afinal, que outro <em>labor</em> me daria o prazer de colocar essa cara de <em>nojo</em> em vocês todos? Até a próxima.</p>
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		<title>O gordo no médico</title>
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		<pubDate>Sat, 04 Jul 2009 16:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já se falou muito aqui no Papo de Gordo da relação entre o médico e o paciente obeso. Falou-se em discriminação, em médico dizer que tudo que o cara sente é por culpa da gordura, entre outras coisas. Vamos tirar a máscara e falar claramente: muitos médicos respiram fundo antes de atender um paciente, digamos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!"  /></p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/imagens/polemica.jpg" alt="Um gordo no médico" title="Este artigo pode gerar polêmicas" class="alignright">Já se falou muito aqui no <strong>Papo de Gordo</strong> da relação entre o médico e o paciente obeso. Falou-se em discriminação, em médico dizer que tudo que o cara sente é por culpa da gordura, entre outras coisas. Vamos tirar a <em>máscara</em> e falar claramente: muitos médicos respiram fundo antes de atender um paciente, digamos, lateralmente avantajado, não por <em>discriminação</em>, preconceito ou nojo. O ponto é que, a depender da sua especialidade, atender um <em>obeso</em> é difícil pra caramba e requer muito esforço, tanto físico quanto mental.</p>
<p>Sendo <em>ultrassonografista</em>, como eu, fazer exame de abdome total em paciente com gordura subcutânea espessa e gordura visceral abundante é um suplício! Isso porque o tecido <em>adiposo</em> atenua fortemente o feixe sonoro que tem que atravessá-lo, atingir os órgãos internos e retornar (eco) ao transdutor, formando assim a imagem do <em>ultrassom</em>. Sendo assim, para melhorar a qualidade da imagem é preciso comprimir a sonda no abdome do paciente, literalmente enterrando ela na <em>barriga</em> do sujeito (sem causar dor, evidentemente), muitas vezes com a mão e o punho desaparecendo no meio da gordureba. Isso tudo pra poder enxergar alguma coisa e realizar o diagnóstico.</p>
<p><img src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/gordonomedico.jpg" alt="Um gordo no médico" title="Um gordo no médico" class="alignright size-full wp-image-2816" />Se você é um cara simplista (e conhece um pouco de exame de imagem) deve estar pensando “manda o gordo fazer tomografia ou <em>ressonância</em>”. Além de serem exames bem mais caros (muitas vezes mais de 10 vezes o valor de uma ultrassonografia), de precisarem de contraste e só haver em grandes centros, a maioria absoluta desses aparelhos (incluindo os <em>raios-X</em>) são equipados com macas que suportam “apenas” 120 Kg, ou seja, não aguentam nem <a href="http://www.twitter.com/eduardo_sales" target="_blank">Dudu</a>, nem <a href="http://www.twitter.com/lucioluiz" target="_blank">Lucio</a>. Isso cria um grande problema pro <em>radiologista</em> e maior ainda pro paciente que precisa do exame. Na tentativa de resolver esse problema, a Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro em 2007 teve a infeliz idéia de <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL17711-5606,00.html" target="_blank">realizar exames de imagem em obesos no Jockey Club da Gávea</a> em aparelhos para cavalo. Ou seja, chamou o gordo de bicho.</p>
<p>Um estudo publicado na revista <em>Radiology</em> no ano passado revelou que, nos últimos 15 anos, o número de exames diagnósticos que falharam devido à obesidade do paciente duplicou. Aqui no Brasil, no estado do <em>Espírito Santo</em>, um paciente obeso precisou entrar na justiça pra poder se submeter a uma Tomografia Computadorizada em um hospital que havia se negado a realizá-la devido ao excesso de peso. O paciente conseguiu uma liminar obrigando a instituição a perpetrar o <em>exame</em>, mas quando o usuário foi colocado na maca do aparelho, esta arrebentou e o exame não foi feito. Em resumo: paciente sem tomografia e hospital sem tomógrafo até consertar a maca (que demora pacas!).</p>
<p>Não é só radiologista que sofre com o paciente “gordinho”. O clínico também tem que rebolar. O problema já começa ao tentar aferir a pressão, já que muitos <em>tensiômetros</em> (ou esfigmomanômetros) têm uma braçadeira que não fecha em braços muito calibrosos. Depois vem o exame físico propriamente dito, que já fica prejudicado na percussão (quando o médico coloca os dedos indicador e médio da mão esquerda deitados sobre barriga do paciente e batuca neles com o dedo médio da outra mão) porque o som produzido sempre acaba sendo mais maciço que o habitual devido ao panículo adiposo espesso (que, no caso de certos gordos, não é mais um panículo e sim uma colcha de lã bem grossa, daquelas que só se usa no inverno do Sul). Continuando o exame vem a <em>palpação</em>, quando o médico tem que por “a mão na massa” e tentar sentir os órgãos internos e suas possíveis alterações. Quero ver quem é esse que vai palpar um abdome avantajado e dizer se a borda do fígado está “fina” ou “romba”! Dou minha cara a tapa!</p>
<p>Existem muitas outras especialidades que sofrem com o paciente obeso. Pensa que é fácil fazer parto de <em>gestante</em> gordinha? Isso quando a maca aguenta o peso. E cirurgia, então? Tem que passar por aquela gordura toda até chegar à cavidade que muitas vezes também é cheia de gordura visceral. Ortopedista também é outro que precisa dançar o <em>samba do crioulo doido</em> pra cuidar da coluna e dos joelhos do obeso, que geralmente se irrita quando ele diz que a dor é causada pelo excesso de peso (eu sei que revolta, mas é verdade, fazer o quê?).</p>
<p>A obesidade é um problema de saúde mundial que precisa ser cuidado com respeito ao <em>paciente</em>, dando a ele o direito de ser gordinho se ele quiser (no caso de um &#8220;gordo de raiz&#8221;), mas com saúde e tendo acesso a todos os métodos diagnósticos e terapêuticos como qualquer outro paciente sem pra tanto ser humilhado ou envergonhado de nenhuma forma. A <em>medicina</em> ainda tem que evoluir muito para conseguir esse feito e tem melhorado a qualidade dos seus aparelhos com macas de tomografia, ressonância e raio-X mais resistentes, aparelhos de ultrassom mais potentes (com opção de densidade de tecido) e leitos hospitalares mais largos. Já é um passo. Faça sua parte também, tenha paciência com seu <em>médico</em> quando ele tiver dificuldade de examiná-lo, saiba que ele estará fazendo o máximo pra garantir o melhor atendimento possível.</p>
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		<title>Viva São João!</title>
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		<pubDate>Sat, 20 Jun 2009 16:00:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[“Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo! Olha pra aquele balão multicor&#8230;”. Pera lá, aquilo não é um balão, é um gordo com roupa de quadrilha! Chegou a melhor época do ano (na minha humilde opinião). Viva São João! Viva o milho cozido! Viva a canjica! Viva a pamonha! Viva o bolo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p>“Olha pro céu, meu amor, veja como ele está lindo! Olha pra aquele balão multicor&#8230;”. Pera lá, aquilo não é um balão, é um gordo com roupa de <em>quadrilha</em>!</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-2520" title="Bolo de Festa Junina" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/festajunina_bolo.jpg" alt="Bolo de Festa Junina" />Chegou a melhor época do ano (na minha humilde opinião). Viva São João! Viva o milho cozido! Viva a <em>canjica</em>! Viva a <a href="http://saojoao.atarde.com.br/?page_id=293" target="_blank">pamonha</a>! Viva o bolo de aipim! Viva o Sonrisal! Viva a Magnésia Bisurada! Viva o Estomazil! Sou baiano e não me envergonho em dizer que preferia que houvesse dois &#8220;São Joões&#8221; ao invés de Carnaval. Seria São João de verão e de inverno. Moro no interior da Bahia, mais precisamente em <a href="http://forrodomalassombro.blogspot.com/2009/05/atracoes-sao-joao-de-amargosa-2009.html" target="_blank">Amargosa</a>, cidade com fama de maior São João do Estado (obviamente não se compara a <a href="http://www.capitaldoforro.com.br/index.php" target="_blank">Caruaru</a> ou <a href="http://www.saojoaoemcampina.com.br/" target="_blank">Campina Grande</a>), e falar sobre essa que é a maior festa do Nordeste brasileiro é muito natural e prazeroso pra mim.</p>
<p>Para o gordo a <em>festa junina</em> é super proveitosa. Primeiro, é claro, pela gastronomia maravilhosa com tudo que vem do milho (incluindo o próprio, assado ou cozido de acordo com o gosto do freguês). É bom sempre lembrar que devido às características regionais algumas dessas guloseimas mudam de nome de estado para estado. Então, quando eu falo de canjica, me refiro àquele “mingau duro” feito com milho amarelo que fica parecendo um <img class="alignright size-full wp-image-2521" title="Canjica" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/festajunina_canjica.jpg" alt="Canjica" />pudim (em alguns lugares chamam de curau). O que Lucio, Flávio e Conrad chamam de canjica, aqui se chama <em><a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/22753-mungunza.html" target="_blank">mungunzá</a></em> e é feito com milho branco e coco (e é uma delícia!). Os bolos da época também são igualmente deliciosos, como o <a href="http://saojoao.atarde.com.br/?page_id=285" target="_blank">bolo de milho</a>, <a href="http://saojoao.atarde.com.br/?page_id=303" target="_blank">bolo de aipim</a> (ou macaxeira), bolo de carimã (ou puba – farinha obtida através da fermentação da mandioca), <a href="http://www.pratofeito.com.br/modules/recipe.php?recid=1522" target="_blank">bolo Pé-de-moleque</a> (comum em Pernambuco e que entre outras coisas tem até café e erva doce na massa) e <a href="http://www.pratofeito.com.br/modules/recipe.php?recid=1521" target="_blank">Bolo Souza Leão</a> (patrimônio de Pernambuco com seus exageros, como 18 gemas, 6 xícaras de chá de leite de coco e 356 calorias por fatia, dependendo da fatia; a minha tem umas 700).</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-2519" title="Licor de Jenipapo" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/festajunina_licor.jpg" alt="Licor de Jenipapo" /></p>
<p>Para quem bebe, a farra é com os <a href="http://saojoao.atarde.com.br/?p=376" target="_blank">licores</a>. O mais tradicional é o de <a href="http://pt.wikibooks.org/wiki/Livro_de_receitas/Licor_de_jenipapo" target="_blank">jenipapo</a> (fruta comum nessa época do ano), mas tem uma infinidade de sabores, sendo os mais comuns de <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/20480-licor-de-maracuja.html" target="_blank">maracujá</a>, <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/23086-licor-de-passas.html" target="_blank">passas</a> e <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/465-licor-de-chocolate.html" target="_blank">chocolate</a>. Tem também os exóticos como o Gabriela (de cravo e canela), <a href="http://www.grupopaodeacucar.com.br/carasdobrasil/nossas_receitas_interna.asp?id=7" target="_blank">tamarindo</a>, <a href="http://blog.momentodaarte.com.br/2007/12/25/licor-de-gengibre/" target="_blank">gengibre</a> e <a href="http://br.geocities.com/alambicks/Licores.html#Cacau" target="_blank">cacau</a> (se você pensava que cacau só servia pra fazer chocolate, é melhor rever seus princípios, meu amigo). Tem também os <a href="http://www.pratofeito.com.br/modules/recipe.php?recid=1917" target="_blank">quentões</a>, geralmente feitos com cachaça, gengibre, limão e especiarias (cravo e canela), mas com variações contendo <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/47659-quentao-de-laranja.html" target="_blank">laranja</a> ou <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/65171-quentao-de-abacaxi.html" target="_blank">abacaxi</a> e no <a href="http://tudogostoso.uol.com.br/receita/3062-quentao-do-sul-vinho-temperado.html" target="_blank">sul</a>, que é feito com vinho tinto suave quente.</p>
<p>Depois de se empanturrar e encher a cara, você já tem coragem (ou total falta de vergonha) para arriscar uns passos de <a href="http://wiki.bemsimples.com/pages/viewpage.action?pageId=28999696" target="_blank">forró</a> adaptado a esse belo corpanzil, onde o &#8220;rala fivela&#8221; é substituído pelo &#8220;esfrega umbigo&#8221; e o &#8220;bate coxa&#8221; é inevitável e até conveniente, pois limita os movimentos e evita que a gente saia derrubando os casais em volta. Afinal de contas, magro também é gente e tem direito a seu espaço. Se você tem dois pés esquerdos e não dança nada, há sempre a opção da <a href="http://www.infoescola.com/musica/danca-de-quadrilha/" target="_blank">quadrilha</a>, onde qualquer Zé Mané, por mais &#8220;junta dura&#8221; que seja, consegue balançar um pouquinho e se divertir de montão.</p>
<p>O friozinho da época vem a calhar ajudando a suar menos e vestir roupas que ocultam a pança, assim o gordinho fica sempre alinhado e charmoso, podendo procurar uma caipira pra poder chamegar. Para as moças, é época de acender vela pra <a href="http://www.astrologosastrologia.com.pt/simpatias_amor_santoAntonio.htm" target="_blank">Santo Antônio</a> no dia 13 de junho ou judiar do bichinho colocando-o de cabeça para baixo dentro de um copo de pinga com uma fita vermelha amarrada (tadinho!). Tudo na esperança de arranjar um namorado.</p>
<p>Como não gostar do São João e de todo o mês de junho? Só temos motivos pra festejar e se você é do Sul ou Sudeste e está com água na boca, então pede férias pro patrão, pegue sua camisa xadrez, botas e chapéu de palha e venha pro Nordeste &#8220;vê&#8221; o que é bom! E a dieta? Ah, deixa pra depois de 29 de junho, dia de <a href="http://www.velhosamigos.com.br/DatasEspeciais/diajunino6.html" target="_blank">São Pedro</a>.</p>
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		<title>Isso pra mim é grego</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Jun 2009 16:00:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Vinicius Tapioca</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Medicina é uma profissão cheia de nomes escabrosos que muitas vezes até assustam o paciente. Imagine se você for ao médico e ele disser que você precisa fazer uma Colangiopancreatografia Retrógada Endoscópica. Você pensa logo: “vou morrer!” ou no mínimo acha que a coisa é grave. Cada vez mais os termos técnicos estão sendo utilizados [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="aligncenter size-full wp-image-1618" title="Vinheta Seu Dotô!" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/tapioca_vinheta.jpg" alt="Seu Dotô!" /></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-2348" title="Comprimidos" src="http://www.papodegordo.com.br/wp-content/uploads/comprimidos.jpg" alt="Comprimidos" />Medicina é uma profissão cheia de nomes escabrosos que muitas vezes até assustam o paciente. Imagine se você for ao médico e ele disser que você precisa fazer uma <em>Colangiopancreatografia Retrógada Endoscópica</em>. Você pensa logo: “vou morrer!” ou no mínimo acha que a coisa é grave.</p>
<p>Cada vez mais os termos técnicos estão sendo utilizados na mídia e até mesmo no dia-a-dia das pessoas, pois com a facilidade do acesso dos usuários aos profissionais e procedimentos médicos, mais e mais as conversas sobre saúde (e doença) vão ficando comuns. Daí termos como mioma, histerectomia, adenóides e vesícula biliar já não serem mais tão estranhos. Ainda assim muitas vezes confusões ocorrem principalmente porque nomes parecidos podem ter significados completamente diferentes. Já vi gente confundir <em>clopropramida</em> (medicação para diabete) com <em>clorpromazina</em> (antipsicótico).</p>
<p>A grande dificuldade é pronunciar esses <em>trava-línguas</em> e não é raro a gente se deparar com incríveis adaptações. Quando isso acontece é preciso ter muita criatividade pra traduzir o que o paciente quer informar. Se ele quer fazer um <em>elétrico</em> fica fácil saber que se trata de um eletrocardiograma, mas se for um <em>elétrico da cabeça</em>, aí já é um eletroencefalograma. Uma vez uma paciente me informou que precisou fazer uma <em>coletagem</em>, pois na <em>tranraginal</em> tinha dado um <em>pobrema</em>. O que ela tinha feito na verdade foi uma curetagem já que a sua ultrassonografia <em>transvaginal</em> apresentou um problema.</p>
<p>Outra paciente me informou que tinha <em>cólico</em> no útero. A corrigi dizendo “cólica, senhora”. Ofendida, ela respondeu: “Êta, doutor, eu sei o que é cólica, mas o que eu tenho é <em>cólico</em> no útero”. É nessa hora que seu cérebro começa a se perguntar: “Que diabo essa mulher tem nesse útero?”. Aí você começa a cavucar a resposta: “Quem lhe disse que você tem isso?”; “O ginecologista” (ok, não ajudou muito); “Desde quando está com esse problema?”; “Já tem uns seis meses, ele disse pra tirar, mas eu fiquei com medo” (opa, tá esquentando!); “Tirar o útero?”; “Não, ele disse que se tira só o <em>cólico</em> e que faz pela vagina, sem precisar abrir a barriga” (<em>touché</em>, ela tinha um <em>pólipo</em> no endométrio – encaminhei para uma histeroscopia).</p>
<p>A coisa piorou um pouquinho com o advento do medicamento genérico. Como eles só apresentam o nome científico da substância, muitos pacientes não conseguem dizer a droga que está utilizando, já houve caso de gente afirmar que estava usando <em>sopapo de ferrolho</em> para anemia (sulfato ferroso). Uma paciente idosa (65 a 70 anos, mais ou menos) chegou pra mim queixando-se do grande gasto com medicações, só minha receita tinha seis tipos de remédio “e ainda tem o <em>Leonardo</em> toda semana e ele é caro!”. Não entendi, então perguntei a que <em>Leonardo</em> ela se referia. “Aquele que toma para os ossos”. Era o <em>alendronato</em>, medicação utilizada para osteoporose.</p>
<p>Teve um paciente meu que ao ser questionado sobre alergia medicamentosa informou que uma vez usou uma medicação que lhe provocou uma reação alérgica tão forte que precisou ser hospitalizado. “Lembro-me do nome até hoje: <em>cloridrato</em>”. Sim, cloridrato de quê? Tem mais de 20 tipos de cloridratos diferentes (ranitidina, amitriptilina, sibutramina, sertralina e por aí vai) e a reação alérgica é à segunda substância e não ao cloridrato em si. “Ah, doutor, o <em>sobrenome</em> eu não lembro”. O pior é que pra patologia que ele apresentava no momento da consulta, seria necessário usar um cloridrato. Uma chance de 1/20 de acertar bem no cloridrato que o cara não pode tomar é muito azar e, por via das dúvidas, mandei ele tomar o remédio e correr para o hospital caso sentisse qualquer coisa. Graças a Deus não foi o caso.</p>
<p>Outra coisa pouco divertida e muito demorada é quando um paciente vira pra você e diz que já tem diagnóstico, por exemplo, de hipertensão e usa uma medicação diariamente, mas não traz a receita nem a embalagem do remédio e não faz ideia do nome. Só diz “é um comprimido branco”. Nossa Senhora! Acredito que pelo menos 90% dos comprimidos são brancos ou bege bem clarinho (que, para o paciente, é branco também). Meu amigo, aí a coisa complica e pra sair o nome do maldito remédio dá trabalho. Toma que horas? Antes ou depois da refeição? Quantas vezes ao dia? Sente o que quando toma? É partido no meio? (tá bom, só uns 80% são partidos no meio). Qual a cor do envelope? Pegou no posto ou comprou na farmácia? Depois de uma hora tentando e vendo que o nome não vai sair, você vira pro usuário e&#8230; (Não! Não mando, não! Dá vontade às vezes, mas não mando, não!) digo que conheço uma ótima medicação para o que ele está sentindo e que vou prescrever esta ao invés daquela que ele está usando e não lembra. Ao ver o remédio ele vira pra você e diz: “É essa que eu estou usando!”. Detalhe, foi a primeira medicação que você perguntou lá no início da consulta e ele disse “não, o nome não é esse, não”. Mesmo assim você sorri, deseja um bom dia, mas não diz <em>volte sempre</em>, pois o paciente pode entender como mau agouro (você ia querer que, por exemplo, um delegado lhe dissesse <em>volte sempre</em>?).</p>
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