Onde está minha vesícula?!

Eduardo Sales Filho
@eduardo_sales

04/09/2007 - COMENTAR

Há cerca de quatro anos comecei a sentir dores insuportáveis no abdômen.
Depois de uma série de exames o diagnóstico foi definitivo: pedras na vesícula.
Como viver a base de Buscopan não é algo muito agradável, a única opção viável era cair na faca e passar por uma cirurgia.

Fiz então uma laparoscopia e removi a vesícula junto com todas as pedras. Até hoje tenho o vidrinho com elas. Admito que ainda não descobri como diabos elas se formaram em minha barriga, mas parei de me preocupar com isso faz muito tempo.

Após a cirurgia fiquei internado mais um dia, e então tive alta. Como na época estava morando em Amargosa, interior da Bahia, fiquei hospedado na casa de uma tia, aqui em Salvador. O médico havia alertado para evitar comer gorduras de qualquer tipo durante algum tempo, além de passar uma dieta pós-cirúrgica, pois aparentemente a vesícula não é tão inútil assim.

Na primeira noite, na casa da minha tia, rolou uma torta de chocolate pra comemorar o aniversário de alguém. Eu não podia comer, é claro. Mas no meio da madrugada, quando todo mundo estava dormindo, fui beber um copo d’água e a torta estava lá, olhando pra mim. Não resisti, comi um pedaço imediatamente. Meu anjo da guarda é forte mesmo, pois não tive nenhuma complicação depois disso.

Depois dessa breve introdução, vamos ao que interessa. Um dos exames pré-cirúrgicos é a ultra-sonografia do abdômen. Marquei o exame em uma clínica particular de Salvador. Cheguei um pouco antes, então fiquei lendo um gibi do Wolverine enquanto esperava a minha vez. Sim, eu sou um nerd. Me processem.

Fui atendido por um médico velhinho que tinha a maior cara de avô gente boa. Deitei na maca sem camisa e o médico começou a passar o aparelho de ultra-som. Depois de algum tempo, desconfiei que o exame estava demorando demais. Ou aquele velho era meio boiola e tava curtindo me ver sem camisa ou então tinha algo errado.

Após alguns minutos nessa dúvida, criei coragem e perguntei:
- Tá tudo certo aí, doutor?
- Mais ou menos… você já passou por alguma cirurgia?
- Retirei a vesícula há alguns anos. Por quê?
- Por nada, então tá tudo certo.

Terminado o exame, enquanto vestia a camisa novamente, fiquei imaginando o desespero do médico ao não encontrar minha vesícula. Como sou muito peludo, as cicatrizes da cirurgia ficaram quase imperceptíveis, ele não teria como vê-las.
O pobre velhinho devia estar achando que eu era alguma aberração da natureza que nasceu sem vesícula, ou então que o aparelho de ultra-som não era potente o bastante para atravessar toda a densidade do meu corpo. O alívio dele quando falei da cirurgia foi evidente.

Esse papo de densidade corpórea é uma coisa tipicamente de gordo, mas deixo pra falar sobre isso em outro post.

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